“A Morte do Pai”, de Karl Ove Knausgård, é uma cesariana, que traz a vida com algum sofrimento/”A Death in the Family”, by Karl Ove Knausgård, is a caesarean, which brings life with some suffering

Amazon.com.br eBooks Kindle: A morte do pai (Minha Luta Livro 1),  Knausgård, Karl Ove, Pinto, Leonardo

Há histórias sobre uma família inteira. Mas há histórias familiares com o foco em uma pessoa específica dentro da família. Assim como no simpático filme italiano “A Vida é Bela”, o primeiro livro da série biográfica “Minha Luta”, do norueguês Karl Ove Knausgård, “A Morte do Pai”, é um relato sobre a relação entre um filho e seu pai, ao descobrir o vazio que toma conta de sua vida após a perda paterna. São 400 páginas que se lê com vontade de não abandonar o livro em momento algum.

Trata-se de um livro de lembranças, em estilo quase proustiano, no qual Karl Ove revê a sua relação com o pai e como ela influencia a sua forma de agir. À princípio uma pessoa irrelevante para ele, a figura do pai, após sua morte, vai se transformando em um poderoso influxo para o autor, enquanto o seu cotidiano da infância à fase adulta é derramado em linguagem simples e contagiante por centenas de páginas que desejamos que nunca terminem. A boa notícia é que este é apenas o primeiro de uma série de seis livros. Espero que os seguintes sejam tão impactantes quanto esse. Alguém aqui já leu os outros? Recomendam?

English – There are stories about an entire family. But there are family stories that focus on a specific person within the family. Just like in the nice Italian film “Life is Beautiful”, the first book in the biographical series “My Struggle”, by Norwegian Karl Ove Knausgård, “A Death in the Family”, is an account of the relationship between a son and his father, when discovering the emptiness that takes over his life after the paternal loss. There are 400 pages that you read with the desire not to put the book down at any time.

It is a book of memories, in an almost Proustian style, in which Karl Ove reviews his relationship with his father and how it influences his way of acting. At first an irrelevant person to him, the father figure, after his death, becomes a powerful influence for the author, while his daily life from childhood to adulthood is poured into simple and contagious language for hundreds of pages that we hope will never end. The good news is that this is just the first in a series of six books. I hope the following ones are as impactful as this one. Has anyone here read the others? Would you recommend them?

”Outlander” é uma mistura de tempos apertados e apartados/”Outlander” is a mix of tight and separate times

Outlander (5.ª temporada) – Wikipédia, a enciclopédia livre

Consegue imaginar uma mistura de “De Volta para o Futuro” com “Coração Valente” (aquele com o Mel Gibson)? Pois esta é uma forma de definir a série “Outlander”, em cartaz na Netflix. Nela, Claire Randall, após trabalhar como enfermeira no Exército Britânico na Segunda Guerra Mundial, casada com o historiador Frank, é misteriosamente transportada para a Escócia do século XVIII, onde, para sobreviver, é forçada a se casar com Jamie Fraser, um belo escocês com um passado errante. “Outlander” é História e é história – de amor e aventura. Uma mulher em dois tempos: uma mulher e dois maridos. Dona Flor e seus dois uísques. Esta é uma série com forte gosto de amores destilados.

Embora a história perca a força na segunda temporada, pois exagera no romance entre Claire e Jamie no passado, “Outlander” é uma forma de apresentar ao público uma bela fotografia da Escócia e de mostrar que o Reino Unido não é tão unido assim. Baseada nos romances de Diana Gabaldon, “Outlander” traz diálogos ácidos com um suave sotaque escocês e inglês, além de diálogos em francês, sem deixar de apimentar nacionalismos ao colocar na mesma panela fervente os franceses às vésperas da Revolução Francesa. Vale a pena experimentar esta mistura de gostos e línguas.

English – Can you imagine a mix of “Back to the Future” and “Braveheart”? Well, this is a way to define the series “Outlander”. In it, Claire Randall, after working as a nurse in the British Army in World War II, married to the historian Frank, is mysteriously transported to 18th century Scotland, where, to survive, she is forced to marry Jamie Fraser, a handsome Scotsman with a wandering past. “Outlander” is History and it is a story- of love and adventure. A woman in two stages: a wife and two husbands. Dona Flor and her two whiskeys. This is a series with a strong taste of distilled love.

Although the story loses steam in season two, as it exaggerates the romance between Claire and Jamie in the past, “Outlander” is a way to introduce the audience to a beautiful photograph of Scotland and to show that the United Kingdom is not that united. Based on Diana Gabaldon’s novels, “Outlander” brings acidic dialogs with a soft Scottish and English accent, as well as dialogs in French, while still spicing up nationalisms by putting the French on the eve of the French Revolution in the same boiling pot. It’s worth watching this mix of tastes and languages.

Conto meu premiado no Concurso Literário “Abrace um Autor”/My short story in the “Embrace an Author” Award

cover issue 44 pt BR

É com muita satisfação que informo que meu conto “Dedicatória” foi um dos vencedores do Prêmio Literário “Abrace um Autor”. O conto acaba de ser publicado na Revista “Odisseia Literária”. Se quiser lê-lo, segue o link: o-3270-1-10-20210831.pdf

English: I am honored to inform that my short story “Dedicatória” was one of the winners in the “Embrace an Author” Award. It has just been published in the Magazine “Odyssey”. If you want to read it, this is the link: file:///C:/Users/acosta/Downloads/1008-Texto%20do%20artigo-3270-1-10-20210831.pdf

”As Sobras de Ontem” é um poderoso romance de estreia/”The Remains of Yesterday” is a powerful debut novel

Ser rico e financeiramente independente é o sonho de 9 entre 10 seres humanos. No entanto, o dinheiro e o poder que vem junto a ele podem facilmente transformar o sonho em pesadelos. Este é o roteiro de “As Sobras de Ontem”, romance de estreia de Marcelo Vicintin. Nele, dois narradores, Egydio e Marilu, se alternam para descrever as angústias que o mundo dos muito ricos em São Paulo lhes reservou.

Egydio passa uma parte de sua narrativa se lembrando dos dias em que passou na prisão. E na outra parte ele discorre sobre um jantar que prepara para convidados que não são exatamente amigos. Marilu, nos capítulos em que é a narradora, avalia as estratégias nem sempre éticas que utiliza para obter dinheiro e conquistar namorados até que um violento evento altera o rumo de sua vida.

Com uma linguagem afiada, Marcelo Vicintin faz uma barulhenta estreia em “As Sobras de Ontem”, lançado durante a pandemia. Vejamos se sobrou alguma inspiração para, amanhã, escrever mais romances com essa força narrativa.

English – Being wealthy and financially independent is the dream of 9 out of 10 human beings. However, the money and power that comes with it can easily turn dreams into nightmares. This is the script for “As Sobras de Ontem” (“The Remains of Yesterday” – still not translated into English), the debut novel by Marcelo Vicintin. In it, two narrators, Egydio and Marilu, take turns to describe the anxieties that the world of the very rich in São Paulo has reserved for them.

Egydio spends part of his narrative remembering the days he spent in prison. And in the other part he talks about a dinner he prepares for guests who aren’t exactly friends. Marilu, in the chapters where she is the narrator, evaluates the not always ethical strategies she uses to obtain money and win boyfriends over until a violent event changes the course of her life.

With a sharp language, Marcelo Vicintin makes a noisy debut in “As Sobras de Ontem”, released during the pandemic. Let’s see if there is any inspiration left for him tomorrow to write more novels with this narrative force.

Um brinde ao filme dinamarquês “Druk – Mais uma Rodada”/A toast to the Danish movie “Another Round

DRUK - MAIS UMA RODADA | Trailer Oficial - YouTube

Um professor em escola de ensino médio convive diariamente com a energia pulsante que os jovens alunos costumam exalar. Para um professor, ensinar é uma arte que consiste em provocar reflexões nos alunos a partir de conteúdos didáticos. A Segunda Guerra Mundial, o Teorema de Pitágoras, a Teoria da Relatividade, uma competição de futebol: tudo cabe dentro da escola. O filme dinamarquês “Druk – Mais uma Rodada” coloca tudo isso no ambiente escolar. Mas adiciona um ingrediente que pode ser um bocado perigoso – tanto para jovens alunos quanto para experientes professores: o álcool. O filme vencedor do Oscar de melhor Filme Internacional merece ser visto com um copo de água nas mãos.

O ótimo ator Mads Mikkelsen (da série “Hannibal”) é um professor desestimulado, um pai desestimulado, um marido desestimulado, um amigo sem entusiasmo. Estar a seu lado é conviver com alguém que não consegue despertar nas pessoas nada que não seja a indiferença. Por isso, o álcool, que ele passa a ingerir como parte de um experimento que visa a trazer mais sentido a sua vida, é encarado como o ingrediente que poderá devolver o sentido a uma existência que perdeu o sabor. Mas o sabor do álcool pode ser bem amargo, como o filme descreve. Ao assistir a “Druk”, coloque gelo na água, um gole profundo e… tin-tin!

English – A high school teacher lives daily with the pulsating energy that young students usually exude. For a teacher, teaching is an art that consists of provoking reflections on students based upon didactic content. The Second World War, the Pythagorean Theorem, the Theory of Relativity, a soccer competition: everything fits inside the school. The Danish film “Another Round” puts all this in the school environment. But it does add an ingredient that can be a bit dangerous – for both young students and seasoned teachers: alcohol. The Oscar-winning film for Best International Film deserves to be seen with a glass of water in hand.

The great actor Mads Mikkelsen (from the series “Hannibal”) is a discouraged teacher, a discouraged father, a discouraged husband, an unenthusiastic friend. Being by his side is living with someone who can’t awaken in people anything other than pure indifference. Therefore, alcohol, which he starts ingesting as part of an experiment that aims at bringing more meaning to his life, is seen as the ingredient that can restore meaning to an existence that has lost its flavor. But the alcohol taste can be quite bitter, as the movie describes. When watching “Another Round”, put ice in the water, take a deep sip and… cheers!

Um romance que provoca uma crise de crescimento/A novel that provokes a growth crisis

O substantivo “crise”, do grego, significa mudança súbita, difícil momento de tomada de decisão. Crianças e adultos, nós vivemos em permanente crise, pois somos chacoalhados com repentinas mudanças de rumo, nem sempre confortáveis. É sobre as mudanças, as perdas, os amores e o amadurecimento provocados por crises o singelo romance “Aos 7 e aos 40”,  de João Anzanello Carrascoza, narrado pelo mesmo personagem quando criança e, depois, já adulto. Leitura leve, rápida e comovente.

Escrito em capítulos que alternam o ponto de vista do garoto aos sete anos (em primeira pessoa) e adulto aos 40 anos (em terceira pessoa), “Aos 7 e aos 40” traz uma linguagem muito bem trabalhada, em prosa poética, que traduz o olhar infantil para os dilemas do garoto e que traduz o olhar maduro para os dilemas de um quarentão. Ler este romance é uma maneira de dialogarmos com as crises cotidianas que provocamos no nosso crescimento diário.

English – The noun “crisis”, from the Greek, means sudden change, a difficult moment of decision making. Children and adults, we live in a permanent crisis, as we are shaken by sudden changes of direction, which are not always comfortable. The simple novel “At 7 years old and at 40”, by João Anzanello Carrascoza, narrated by the same character as a child and then as an adult, is about the change, loss, love and maturation caused by crises. Light, fast and moving reading.

Written in chapters that alternate the point of view of a boy at age seven (in the first person) and an adult at age 40 (in the third person), “At 7 years old and at 40” brings a very well-crafted language, in poetic prose, which translates the childish look at the boy’s dilemmas, which translates the mature look into the dilemmas of a forty-year-old. Reading this novel is a way of dialoguing with the daily crises that we provoke in our daily growth.

Fui entrevistado em Podcast sobre conto de meu livro/I was interviewed on a Podcast on a short story of my book

Entrou no ar hoje em um dos principais podcasts de literatura, “O Prazer de Ler”, um programa comigo, no qual falo do meu conto “Implacável Placar” (inspirado no jogo do 7×1 entre Brasil e Alemanha). O conto está publicado no meu livro “O Livro que não Escrevi”. O programa ficou bem legal.

Para ouvir o conto e a entrevista em computadores, notebooks e desktops, recomendamos esse link: https://anchor.fm/oprazerdeler/episodes/Episdio-18–Segunda-Temporada–Contos–Implacvel-placar–Anderson-Borges-Costa-e149t8a

Para ouvir o conto e a entrevista em celulares e tablets, recomendamos esse link:

Episódio 18. Segunda Temporada. Contos. Implacável placar. Anderson Borges Costa https://open.spotify.com/episode/2Q0p5pnrgVUBqU9medjIkb

English – It went on air today on one of the main literature podcasts, “O Prazer de Ler”, a program with me, in which I talk about my short story “Implacável Placar” (inspired by the 7×1 soccer game between Brazil and Germany). The story is published in my book “O Livro que não Escrevi” (The Book I Never Wrote). The program was really cool.

To listen to the story and the interview on computers, notebooks and desktops, we recommend this link: https://anchor.fm/oprazerdeler/episodes/Episdio-18–Segunda-Temporada–Contos–Implacvel-placar–Anderson-Borges-Costa-e149t8a

To listen to the story and the interview on cell phones and tablets, we recommend this link:

Episode 18. Season Two. Tales. Relentless scoreboard. Anderson Borges Costa https://open.spotify.com/episode/2Q0p5pnrgVUBqU9medjIkb

O livro “Quarto de Despejo” nos faz sentir a fome cotidiana da sobrevivência/The book “Child of the Dark” makes us feel the daily hunger for survival

Sobre o legado de Carolina Maria de Jesus: "antes de falecer, ela me deixou  uma carta para que eu propagasse a memória dela" - Vogue | Vogue Gente

Quando estamos cansados, procuramos no quarto o descanso. Contra os pesadelos do cotidiano, vamos ao encontro do sonho no quarto. O quarto é, portanto, a moradia do aconchego, do amor, do prazer e da revitalização. É no quarto que nascemos. E renascemos todos os dias. No entanto, para a escritora Carolina Maria de Jesus, negra e favelada, o quarto é o lixo, é a fome, é a violência que batem diariamente à sua porta e que ela registrou com incrível realismo no livro “Quarto de Despejo, Diário de uma Favelada”. Livro para lermos no quarto. Leitura transformadora, que se transformou em “best seller” traduzido para 13 línguas.

Escrito na linguagem do dia a dia, sem concordância nominal ou verbal, na concordância do pobre, na concordância dos que passam fome, dos que precisam catar papel na rua para garantir pelo menos uma refeição a cada dia, o diário de Carolina Maria de Jesus cobre 4 anos e meio de sua luta cotidiana por comida, para sustentar sozinha seus três filhos em um quarto na Favela do Canindé, à beira do rio Tietê, entre 1955 e 1960. Ironicamente, a Favela do Canindé, lar de pobres marginalizados por uma egoísta  sociedade capitalista, foi destruída e despejou dali seus sofridos moradores, para dar lugar  à construção de uma avenida na cidade de São Paulo batizada com o nome de … Marginal.

English – When we are tired, we look for rest in the bedroom. Against everyday nightmares, we find the dream in the bedroom. The bedroom is, therefore, the home of coziness, love, pleasure and revitalization. It is in the bedroom that we are born. And we are reborn every day. However, for writer Carolina Maria de Jesus, black and slum dweller, the bedroom is garbage, hunger and violence that knock daily on her door and that she recorded with incredible realism in the book “Child of the Dark”, (the literal translation from the original title in Portuguese would be “Junk Bedroom”). This is a book for us to read in the bedroom. Transformative reading, which became a bestseller translated into 13 languages.

Written in everyday language, no formal vocabulary or structures, in the language of the poor, in the language of those who are hungry, those who need to pick up paper from the street to guarantee at least one meal each day, Carolina Maria de Jesus’ novel covers 4 and a half years of her daily struggle for food, to support her three children alone in a room in Favela do Canindé, on the banks of the Tietê River, between 1955 and 1960. Ironically, Favela do Canindé, home to poor people marginalized by a selfish capitalist society, was destroyed and evicted its suffering residents, to make way for the construction of an avenue in the city of São Paulo baptized with the name of … Marginal Avenue.

Meu conto inédito “A Porta” é publicado na revista “Caxangá”/My new short story is published in magazine “Caxangá”

Meu conto inédito “A Porta” foi publicado na revista de arte e crítica “Caxangá”. Trata-se da história de um ambicioso executivo e suas estratégias pouco escrupulosas de sedução e farsas para obter promoções na empresa em que trabalha. Ele se esconde atrás de disfarces pelo medo de revelar suas reais vontades. Clique no link da revista; o conto “A Porta” está nas páginas 55-61. Boa leitura!

English – My new short story “A Porta” (“The Door”) was published in the art and critic magazine “Caxangá”. It is the story of an ambitious executive and his unscrupulous strategies of seduction and farce to get promotions in the company he works for. He hides behind disguises for fear of revealing his real wishes. Click on the magazine link; the short story “The Door” is on pages 55-61. Enjoy!

A crônica de uma casa de horrores/The Chronicle of a House of Horrors

CRÔNICA DA CASA ASSASSINADA - - Grupo Companhia das Letras

Uma crônica é um texto curto e leve que trata de acontecimentos corriqueiros do cotidiano e que, por isso, geralmente têm uma “vida curta”. No entanto, acabo de ler um livro que, apesar de receber a palavra “crônica” no título, nada tem de curto, de cotidiano, nem de superficial. O romance “Crônica da Casa Assassinada”, do mineiro Lúcio Cardoso, é o oposto do que se entende por crônica: é denso, pesado, com personagens desequilibrados psicologicamente e, justamente por tudo isso, um livro delicioso.

Lúcio Cardoso enfatiza neste enredo que o ser humano é complexo e difícil de ser explicado com coerência. A trama acompanha a outrora rica família Meneses, donos de uma casa grande onde se passa toda a história: três irmãos decadentes que não se dão muito bem e que moram juntos na casa herdada dos antepassados ricos. Hoje, já não mais abastados, acompanham a deterioração de suas vidas em paralelo com o desgaste da casa que habitam. Traições amorosas, ciúmes, incesto e morte: estes são os ingredientes que temperam os cômodos desta casa. É uma longa e perturbadora crônica (quase 600 páginas), escrita por um autor cuja vida não foi menos tranquila do que a história que narra neste imperdível romance.

English – A chronicle is a short and light text that deals with commonplace events in everyday life and, therefore, generally has a “short life”. However, I have just read a book that, despite having the word “chronic” in its title, is not at all short, everyday, or superficial. The novel “Chronicle of the Murdered House”, by Lúcio Cardoso, from Minas Gerais, is the opposite of what is meant by a chronicle: it is dense, heavy, with psychologically unbalanced characters and, for all that, a delicious book.

Lúcio Cardoso emphasizes in this story that the human being is complex and difficult to be explained with coherence. The plot follows the formerly rich Meneses family, owners of a large house where the whole story takes place: three decadent brothers who don’t get along very well and who live together in the house inherited from their wealthy ancestors. Today, no longer wealthy, they accompany the deterioration of their lives in parallel with the wear and tear of the house they inhabit. Love betrayals, jealousy, incest and death: these are the ingredients that spice up the rooms in this house. It is a long and disturbing chronicle (almost 600 pages), written by an author whose life was no less peaceful than the story he narrates in this must-read novel.

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