“Round 6” é um soco no estômago/”Squid Game” is a punch in the stomach

Round 6 bate recorde e se torna a maior série da Netflix - NerdBunker

A Coreia do Sul, no nosso imaginário, é um país organizado, bem administrado, que sabe investir em educação de alto padrão e que distribui de forma justa a renda entre a população. No entanto, a julgar pela surpreendente série “Round 6”, a Coreia do Sul é um lugar onde os muito ricos vivem a anos-luz dos muito pobres, onde um cidadão endividado e miserável é capaz de participar de um cruel jogo para quitar suas dívidas. O dinheiro, na penúria sul-coreana, pauta ambições, ética e amores. 

Quem acompanha a recente produção cinematográfica da Coreia e do Brasil reconhecerá imediatamente fortes paralelos entre “Round 6” e o premiado filme “Parasita”, que trabalha muito bem a linha horizontal que separa a riqueza da pobreza no país asiático. Da mesma forma, “Round 6” nos lembra da cruel diversão que leva humanos a assassinar humanos como se a vida fosse uma brincadeira de crianças mimadas como no filme “Bacurau”. “Round 6” reduz a vida a um jogo ao qual o espectador assiste com a dor de um soco no estômago.

English South Korea, in our imagination, is an organized, well-run country that knows how to invest in high-quality education and that distributes income fairly among the population. However, judging by the astonishing “Squid Game” series, South Korea is a place where the very rich live light years away from the very poor, where an indebted and miserable citizen is able to play a cruel game to pay off their debts. Money, in South Korean penury, guides ambitions, ethics and loves.

Anyone following recent Korean and Brazilian cinematographic production will immediately recognize strong parallels between “Squid Game” and the award-winning film “Parasite”, which works very well on the horizontal line that separates wealth from poverty in the Asian country. Likewise, “Squid Game” reminds us of the cruel fun that leads humans to murder humans as if life were a spoiled children’s play, like the Brazilian movie “Bacurau”. “Squid Game” reduces life to a game which the spectator watches with the pain of a punch in the stomach.

 O filme “7 Prisioneiros” é perturbador porque nos coloca como cúmplices de um esquema que se alimenta de escravos/The movie “7 Prisoners” is disturbing because it puts us as accomplices in a scheme that feeds on slaves

7 Prisioneiros: Críticas AdoroCinema

A escravidão não foi abolida no Brasil no dia 13 de maio de 1888, pois o Brasil ainda é um país onde a escravidão é parte de uma engrenagem invisível a qual eu, você e milhões de brasileiros alimentamos com atos inocentes como, por exemplo, comprar uma camiseta nova ou trocar uma roda quebrtada do nosso carro. É isso o que mostra o filme “7 Prisioneiros”, que estreou esta semana na Netflix. O filme é perturbador, com um Rodrigo Santoro protagonizando um perverso e cruel capataz que administra um ferro velho em São Paulo. Nas ruas com postes de fios desencapados que cobrem as cabeças dos paulistanos, imigrantes e migrantes são encarcerados em quartos nos quais nenhum de nós gostaria de dormir.

Com a promessa de emprego na cidade mais rica do país, jovens saem do interior do estado para ganhar dinheiro e subir na vida, ajudando seus pais e mães com a renda que terão na capital. No entanto, bastam algumas cenas e cerca de vinte minutos do filme para entendermos que o sonho de liberdade é uma armadilha. E que, junto dos jovens personagens iludidos com a promessa do emprego, os espectadores nos encontramos presos dentro de um esquema em que somos escravizados e do qual não existe a opção de fuga. Entre a opressão da pobreza ou ser presa da indústria da escravidão, nós tomamos um café frio que amarga nossas manhãs nubladas e cinzentas, emaranhados em fios de postes que não nos iluminam. “7 Prisioneiros” prende o espectador, cujos sonhos são perturbados por muito mais do que 7 dias.

English Slavery was not abolished in Brazil on May 13, 1888, as Brazil is still a country where slavery is part of an invisible gear which I, you and millions of Brazilians feed with innocent acts such as buying a new shirt or change a broken wheel in our car. That’s what the movie “7 Prisoners”, which premiered this week on Netflix, shows. The film is disturbing, with Rodrigo Santoro playing a wicked and cruel foreman who runs a junkyard in São Paulo. In the streets with bare wire poles that cover the heads of São Paulo residents, immigrants and migrants are imprisoned in rooms in which none of us would like to sleep.

With the promise of employment in São Paulo, the richest city in Brazil, young people leave the interior of the country to earn money and rise in life, helping their fathers and mothers with the income they will have in the capital. However, it only takes a few scenes and about twenty minutes of the film to understand that the dream of freedom is a trap. And that, together with the young characters deluded by the promise of a job, the spectators find themselves trapped within a scheme in which we are enslaved and from which there is no option of escape. Between the oppression of poverty or falling prey to the slavery industry, we drink a cup of cold coffee that sours our cloudy gray mornings, tangled up in strands of streetlamps that do not illuminate us. “7 Prisoners” arrests the viewer, whose dreams are disturbed for much longer than 7 days.

“O Apanhador no Campo de Centeio” é um pesadelo que nunca acaba/”The Catcher in the Rye” is nightmare that will never be over

The Catcher in the Rye | Amazon.com.br

A adolescência é o período de transição entre a infância e a vida adulta, caracterizado por atitudes impulsivas como parte do desenvolvimento físico, mental, emocional, sexual e social do indivíduo em busca de alcançar os objetivos relacionados às expectativas culturais da sociedade em que vive. Só que, para amadurecer e se encaixar nas expectativas que a sociedade coloca sobre o adolescente, o jovem sofre e se revolta. É sobre este complicado período na nossa vida que trata o livro que só agora li, “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J. D. Salinger. Este romance traduz a confusa mente de um jovem que tenta entender esta passagem. Foi segurando um exemplar deste livro, por exemplo, que o assassino de John Lennon apertou o gatilho que levou para sempre o sonho que o Beatle imaginou em canções.

O protagonista nesta história, o jovem Holden Caulfield, não consegue se enquadrar nos rígidos esquemas das caras escolas onde estuda e das quais é expulso seguidamente. Não tem paciência para ouvir os adultos, tem medo da reação do pai quando souber que foi novamente expulso de mais uma escola, quer conhecer garotas e se envolver romanticamente, quer fugir de casa, quer mudar o mundo. Mas acaba não fazendo nada, pois tem medo, é inseguro e traduz a sua insegurança em uma rebeldia que não consegue controlar. Este livro é um gatilho que traduz com ímpeto os sonhos e pesadelos que, ao contrário do que John Lennon disse, nunca acabam.

English – Adolescence is the transition period between childhood and adulthood, characterized by impulsive attitudes as part of the individual’s physical, mental, emotional, sexual and social development, seeking to achieve goals related to the cultural expectations of the society in which they live. But, in order to mature and fit in with the expectations that society places on adolescents, teenagers suffer and rebel. It is about this complicated period in our life that the book I have just read, “The Catcher in the Rye”, by J. D. Salinger, is about. This novel translates the confused mind of a young man trying to understand this passage. It was holding a copy of this book, for example, that John Lennon’s killer pulled the trigger that took forever the dream the Beatle imagined in songs.

The protagonist in this story, the young Holden Caulfield, cannot fit into the rigid schemes of the expensive schools he attends and from which he is repeatedly expelled. He does not have the patience to listen to adults, he is afraid of his father’s reaction when he finds out that he’s been kicked out of yet another school again, he wants to meet girls and get romantically involved, he wants to run away from home, he wants to change the world. But he ends up doing nothing, because he is afraid, insecure and translates his insecurity into a rebellion he cannot control. This book is a trigger that translates with impetus the dreams and nightmares that, contrary to what John Lennon said, will never be over.

 O passado degenera o presente no novo romance de Fernando Bonassi/The past degenerates the present in Fernando Bonassi’s new novel

Degeneração | Amazon.com.br

O Brasil, de 2018 para cá, se transformou em um país caricato, uma rua sem saída, na contramão do bom-senso. Mas nem sempre foi assim. Ou talvez tenha sido. Mas a caricatura hoje é uma cara feia, com mau hálito, um sorriso cariado de insanidades. A véspera da eleição do Bolsonaro, que deu novas feições ao Brasil, é o tema do mais recente romance de Fernando Bonassi, “Degeneração”, que tenta traduzir os caminhos que pavimentaram a escolha do líder mais controverso que o novo milênio produziu.

A ação do romance se concentra em um homem que se encontra dentro do necrotério de um hospital público, tentando liberar o corpo de seu pai, para que seja cremado. As intempéries burocráticas que ele precisa superar vão temperando a impaciência do protagonista, que conversa com o morto sobre sua infância e descobre que o pai foi, na ditadura, delator e assistente de torturadores. “Degeneração” é, lido nos dias atuais, uma ponte entre o presente e o recente passado de um país que parece ter um gosto especial por transformar sonhos em pesadelos.

English – Brazil, from 2018 until now, has become a caricature country, a dead-end street, contrary to common sense. But it was not always so. Or maybe it was. But the caricature today is an ugly face, with bad breath, a decayed smile of insanity. The eve of Bolsonaro’s election in 2018, which gave new features to Brazil, is the theme of Fernando Bonassi’s latest novel, “Degeneração” (whose translation into English could be “Degeneration”), which tries to translate the paths that paved the way for the choice of the most controversial leader that the new millennium has produced.

The plot of the novel focuses on a man who finds himself inside the morgue of a public hospital, trying to release his father’s body to be cremated. The bureaucratic storms he has to overcome temper the impatience of the protagonist, who talks to the dead man about his childhood and discovers that his father was, during the dictatorship, an informer and assistant to torturers. “Degeneration” is, read nowadays, a bridge between the present and the recent past of a country that seems to have a special taste for turning dreams into nightmares.

 “A Morte do Pai”, de Karl Ove Knausgård, é uma cesariana, que traz a vida com algum sofrimento/”A Death in the Family”, by Karl Ove Knausgård, is a caesarean, which brings life with some suffering

Amazon.com.br eBooks Kindle: A morte do pai (Minha Luta Livro 1),  Knausgård, Karl Ove, Pinto, Leonardo

Há histórias sobre uma família inteira. Mas há histórias familiares com o foco em uma pessoa específica dentro da família. Assim como no simpático filme italiano “A Vida é Bela”, o primeiro livro da série biográfica “Minha Luta”, do norueguês Karl Ove Knausgård, “A Morte do Pai”, é um relato sobre a relação entre um filho e seu pai, ao descobrir o vazio que toma conta de sua vida após a perda paterna. São 400 páginas que se lê com vontade de não abandonar o livro em momento algum.

Trata-se de um livro de lembranças, em estilo quase proustiano, no qual Karl Ove revê a sua relação com o pai e como ela influencia a sua forma de agir. À princípio uma pessoa irrelevante para ele, a figura do pai, após sua morte, vai se transformando em um poderoso influxo para o autor, enquanto o seu cotidiano da infância à fase adulta é derramado em linguagem simples e contagiante por centenas de páginas que desejamos que nunca terminem. A boa notícia é que este é apenas o primeiro de uma série de seis livros. Espero que os seguintes sejam tão impactantes quanto esse. Alguém aqui já leu os outros? Recomendam?

English – There are stories about an entire family. But there are family stories that focus on a specific person within the family. Just like in the nice Italian film “Life is Beautiful”, the first book in the biographical series “My Struggle”, by Norwegian Karl Ove Knausgård, “A Death in the Family”, is an account of the relationship between a son and his father, when discovering the emptiness that takes over his life after the paternal loss. There are 400 pages that you read with the desire not to put the book down at any time.

It is a book of memories, in an almost Proustian style, in which Karl Ove reviews his relationship with his father and how it influences his way of acting. At first an irrelevant person to him, the father figure, after his death, becomes a powerful influence for the author, while his daily life from childhood to adulthood is poured into simple and contagious language for hundreds of pages that we hope will never end. The good news is that this is just the first in a series of six books. I hope the following ones are as impactful as this one. Has anyone here read the others? Would you recommend them?

”Outlander” é uma mistura de tempos apertados e apartados/”Outlander” is a mix of tight and separate times

Outlander (5.ª temporada) – Wikipédia, a enciclopédia livre

Consegue imaginar uma mistura de “De Volta para o Futuro” com “Coração Valente” (aquele com o Mel Gibson)? Pois esta é uma forma de definir a série “Outlander”, em cartaz na Netflix. Nela, Claire Randall, após trabalhar como enfermeira no Exército Britânico na Segunda Guerra Mundial, casada com o historiador Frank, é misteriosamente transportada para a Escócia do século XVIII, onde, para sobreviver, é forçada a se casar com Jamie Fraser, um belo escocês com um passado errante. “Outlander” é História e é história – de amor e aventura. Uma mulher em dois tempos: uma mulher e dois maridos. Dona Flor e seus dois uísques. Esta é uma série com forte gosto de amores destilados.

Embora a história perca a força na segunda temporada, pois exagera no romance entre Claire e Jamie no passado, “Outlander” é uma forma de apresentar ao público uma bela fotografia da Escócia e de mostrar que o Reino Unido não é tão unido assim. Baseada nos romances de Diana Gabaldon, “Outlander” traz diálogos ácidos com um suave sotaque escocês e inglês, além de diálogos em francês, sem deixar de apimentar nacionalismos ao colocar na mesma panela fervente os franceses às vésperas da Revolução Francesa. Vale a pena experimentar esta mistura de gostos e línguas.

English – Can you imagine a mix of “Back to the Future” and “Braveheart”? Well, this is a way to define the series “Outlander”. In it, Claire Randall, after working as a nurse in the British Army in World War II, married to the historian Frank, is mysteriously transported to 18th century Scotland, where, to survive, she is forced to marry Jamie Fraser, a handsome Scotsman with a wandering past. “Outlander” is History and it is a story- of love and adventure. A woman in two stages: a wife and two husbands. Dona Flor and her two whiskeys. This is a series with a strong taste of distilled love.

Although the story loses steam in season two, as it exaggerates the romance between Claire and Jamie in the past, “Outlander” is a way to introduce the audience to a beautiful photograph of Scotland and to show that the United Kingdom is not that united. Based on Diana Gabaldon’s novels, “Outlander” brings acidic dialogs with a soft Scottish and English accent, as well as dialogs in French, while still spicing up nationalisms by putting the French on the eve of the French Revolution in the same boiling pot. It’s worth watching this mix of tastes and languages.

Conto meu premiado no Concurso Literário “Abrace um Autor”/My short story in the “Embrace an Author” Award

cover issue 44 pt BR

É com muita satisfação que informo que meu conto “Dedicatória” foi um dos vencedores do Prêmio Literário “Abrace um Autor”. O conto acaba de ser publicado na Revista “Odisseia Literária”. Se quiser lê-lo, segue o link: o-3270-1-10-20210831.pdf

English: I am honored to inform that my short story “Dedicatória” was one of the winners in the “Embrace an Author” Award. It has just been published in the Magazine “Odyssey”. If you want to read it, this is the link: file:///C:/Users/acosta/Downloads/1008-Texto%20do%20artigo-3270-1-10-20210831.pdf

”As Sobras de Ontem” é um poderoso romance de estreia/”The Remains of Yesterday” is a powerful debut novel

Ser rico e financeiramente independente é o sonho de 9 entre 10 seres humanos. No entanto, o dinheiro e o poder que vem junto a ele podem facilmente transformar o sonho em pesadelos. Este é o roteiro de “As Sobras de Ontem”, romance de estreia de Marcelo Vicintin. Nele, dois narradores, Egydio e Marilu, se alternam para descrever as angústias que o mundo dos muito ricos em São Paulo lhes reservou.

Egydio passa uma parte de sua narrativa se lembrando dos dias em que passou na prisão. E na outra parte ele discorre sobre um jantar que prepara para convidados que não são exatamente amigos. Marilu, nos capítulos em que é a narradora, avalia as estratégias nem sempre éticas que utiliza para obter dinheiro e conquistar namorados até que um violento evento altera o rumo de sua vida.

Com uma linguagem afiada, Marcelo Vicintin faz uma barulhenta estreia em “As Sobras de Ontem”, lançado durante a pandemia. Vejamos se sobrou alguma inspiração para, amanhã, escrever mais romances com essa força narrativa.

English – Being wealthy and financially independent is the dream of 9 out of 10 human beings. However, the money and power that comes with it can easily turn dreams into nightmares. This is the script for “As Sobras de Ontem” (“The Remains of Yesterday” – still not translated into English), the debut novel by Marcelo Vicintin. In it, two narrators, Egydio and Marilu, take turns to describe the anxieties that the world of the very rich in São Paulo has reserved for them.

Egydio spends part of his narrative remembering the days he spent in prison. And in the other part he talks about a dinner he prepares for guests who aren’t exactly friends. Marilu, in the chapters where she is the narrator, evaluates the not always ethical strategies she uses to obtain money and win boyfriends over until a violent event changes the course of her life.

With a sharp language, Marcelo Vicintin makes a noisy debut in “As Sobras de Ontem”, released during the pandemic. Let’s see if there is any inspiration left for him tomorrow to write more novels with this narrative force.

Um brinde ao filme dinamarquês “Druk – Mais uma Rodada”/A toast to the Danish movie “Another Round

DRUK - MAIS UMA RODADA | Trailer Oficial - YouTube

Um professor em escola de ensino médio convive diariamente com a energia pulsante que os jovens alunos costumam exalar. Para um professor, ensinar é uma arte que consiste em provocar reflexões nos alunos a partir de conteúdos didáticos. A Segunda Guerra Mundial, o Teorema de Pitágoras, a Teoria da Relatividade, uma competição de futebol: tudo cabe dentro da escola. O filme dinamarquês “Druk – Mais uma Rodada” coloca tudo isso no ambiente escolar. Mas adiciona um ingrediente que pode ser um bocado perigoso – tanto para jovens alunos quanto para experientes professores: o álcool. O filme vencedor do Oscar de melhor Filme Internacional merece ser visto com um copo de água nas mãos.

O ótimo ator Mads Mikkelsen (da série “Hannibal”) é um professor desestimulado, um pai desestimulado, um marido desestimulado, um amigo sem entusiasmo. Estar a seu lado é conviver com alguém que não consegue despertar nas pessoas nada que não seja a indiferença. Por isso, o álcool, que ele passa a ingerir como parte de um experimento que visa a trazer mais sentido a sua vida, é encarado como o ingrediente que poderá devolver o sentido a uma existência que perdeu o sabor. Mas o sabor do álcool pode ser bem amargo, como o filme descreve. Ao assistir a “Druk”, coloque gelo na água, um gole profundo e… tin-tin!

English – A high school teacher lives daily with the pulsating energy that young students usually exude. For a teacher, teaching is an art that consists of provoking reflections on students based upon didactic content. The Second World War, the Pythagorean Theorem, the Theory of Relativity, a soccer competition: everything fits inside the school. The Danish film “Another Round” puts all this in the school environment. But it does add an ingredient that can be a bit dangerous – for both young students and seasoned teachers: alcohol. The Oscar-winning film for Best International Film deserves to be seen with a glass of water in hand.

The great actor Mads Mikkelsen (from the series “Hannibal”) is a discouraged teacher, a discouraged father, a discouraged husband, an unenthusiastic friend. Being by his side is living with someone who can’t awaken in people anything other than pure indifference. Therefore, alcohol, which he starts ingesting as part of an experiment that aims at bringing more meaning to his life, is seen as the ingredient that can restore meaning to an existence that has lost its flavor. But the alcohol taste can be quite bitter, as the movie describes. When watching “Another Round”, put ice in the water, take a deep sip and… cheers!

Um romance que provoca uma crise de crescimento/A novel that provokes a growth crisis

O substantivo “crise”, do grego, significa mudança súbita, difícil momento de tomada de decisão. Crianças e adultos, nós vivemos em permanente crise, pois somos chacoalhados com repentinas mudanças de rumo, nem sempre confortáveis. É sobre as mudanças, as perdas, os amores e o amadurecimento provocados por crises o singelo romance “Aos 7 e aos 40”,  de João Anzanello Carrascoza, narrado pelo mesmo personagem quando criança e, depois, já adulto. Leitura leve, rápida e comovente.

Escrito em capítulos que alternam o ponto de vista do garoto aos sete anos (em primeira pessoa) e adulto aos 40 anos (em terceira pessoa), “Aos 7 e aos 40” traz uma linguagem muito bem trabalhada, em prosa poética, que traduz o olhar infantil para os dilemas do garoto e que traduz o olhar maduro para os dilemas de um quarentão. Ler este romance é uma maneira de dialogarmos com as crises cotidianas que provocamos no nosso crescimento diário.

English – The noun “crisis”, from the Greek, means sudden change, a difficult moment of decision making. Children and adults, we live in a permanent crisis, as we are shaken by sudden changes of direction, which are not always comfortable. The simple novel “At 7 years old and at 40”, by João Anzanello Carrascoza, narrated by the same character as a child and then as an adult, is about the change, loss, love and maturation caused by crises. Light, fast and moving reading.

Written in chapters that alternate the point of view of a boy at age seven (in the first person) and an adult at age 40 (in the third person), “At 7 years old and at 40” brings a very well-crafted language, in poetic prose, which translates the childish look at the boy’s dilemmas, which translates the mature look into the dilemmas of a forty-year-old. Reading this novel is a way of dialoguing with the daily crises that we provoke in our daily growth.

%d blogueiros gostam disto: