Um livro que não nos deixa dormir despreocupados/A novel that does not let us sleep carefree

Você dorme em uma cama confortável toda noite? Toma banho no chuveiro quente? Tem um teto para se proteger? Recebe o carinho de familiares e amigos? Se respondeu “sim” a todas as perguntas acima, talvez valha a pena você ler um livro que o transportará para a vida como ela não é para você. Um livro que o transportará para uma vida sem teto, sem casa, sem família, sem dinheiro, sem escola, sem amor. Bem aqui no Brasil, no dia a dia de meninos que vivem na rua, sem perspectiva. O livro é o sucesso mundial de Jorge Amado, “Capitães da Areia”.

É praticamente impossível entrar na leitura deste romance sem se sentir amigo dos garotos que vivem nas areias de Salvador: o líder do grupo, o Pedro Bala; o sonhador Professor, garoto que rouba livros para contar histórias aos outros meninos; o alto e corajoso João Grande, que quer ser marinheiro;  o amargurado deficiente físico Sem Pernas; o religioso Pirulito;  o sedutor e namorador Gato; o capoeirista Querido de Deus; a menina Dora, que cuida dos meninos como mãe e que também desperta paixões; o Padre José Pedro, que consegue enxergar os meninos como humanos, não como ladrões.

É praticamente impossível ler este romance, publicado em 1937, e não enxergar em cada esquina do ano 2022 um garoto que saiu das páginas sem teto de um Brasil que insiste em dormir todas as noites na periferia do mundo.

English – Do you sleep in a comfortable bed every night? Take a hot shower? Do you have a roof to protect yourself? Do you receive love from family and friends? If you answered “yes” to all of the above questions, it might be worth reading a book that will transport you to life as it is not for you. A book that will transport you to a life with no home, no family, no money, no school, no love. Right here in Brazil, in the daily life of children who live on the streets, with no perspective. The book is Jorge Amado’s worldwide success, “Captains of the Sand”.

It is practically impossible to read this novel without feeling friendly with the boys who live on the sands of Salvador: the group leader, Pedro Bala; the dreamy Teacher, a boy who steals books to tell stories to other boys; the tall and brave João Grande, who wants to be a sailor; the embittered, handicapped Legless; the religious Lollipop; the seductive and flirtatious Gato; the capoeira dancer Querido de Deus; the girl Dora, who takes care of the boys like a mother and who also arouses passions; Father José Pedro, who manages to see the boys as humans, not as thieves.

It is practically impossible to read this novel, published in 1937, and not witness in every corner of the year 2022 in Brazil a boy who came out of the homeless pages of a country that insists on sleeping every night on the periphery of the world.

Um romance do Oriente que nos desorienta/A disorienting novel from the East


Você já leu algum livro da Agatha Christie ou do John le Carré? Já leu uma saga do Erico Verissimo? Já assistiu a algum filme ou leu algum romance protagonizado pelo James Bond ou pelo Jason Bourne? Há um autor hoje no mundo capaz de misturar todos os livros e escritores ocidentais mencionados neste parágrafo no enredo de um único romance, escrito pelo autor contemporâneo de maior sucesso na China, cujo título é O Criptógrafo, de Mai Jia. Neste romance, o autor Mai Jia consegue fazer magia.

Ação, suspense, mistério e traição: está tudo lá. Lá na China, nas páginas da China do Mao, da China do mal. Um livro que surpreende o leitor, pois escreve sobre um país totalitário com críticas ao totalitarismo chinês. Em O Criptógrafo, o leitor fica vidrado desde as primeiras páginas ao ler a saga de pais, filhos e netos que têm um talento em comum: um conhecimento nato e aprofundado da matemática. É com precisão matemática que Mai Jai nos apresenta o enredo de um Oriente que nos desorienta. 

English – Have you read any books by Agatha Christie or John le Carré? Have you ever read a saga by Erico Verissimo? Have you ever watched a movie or read a novel starring James Bond or Jason Bourne? There is an author in the world today who can blend all the Western books and writers mentioned in this paragraph into the plot of a single novel, written by the most successful contemporary author in China, whose title is Decoded, by Mai Jia. In this novel, author Mai Jia manages to do magic.Action, suspense, mystery, and betrayal: it’s all there. There in China, on the pages of Mao’s China, the China of evil. A book that surprises the reader, as it writes about a totalitarian country with criticism to Chinese totalitarianism. In Decoded, the reader is captivated from the very first pages when reading the saga of parents, children, and grandchildren who have a talent in common: an innate and in-depth knowledge of mathematics. It is with mathematical precision that Mai Jai presents us with the plot of an Orient that disorients us.

Com música consagrada na voz de Caetano Veloso, estreio em livro publicado na Itália/With a song enshrined in the voice of Caetano Veloso, I debut in a book published in Italy.

Minha estreia literária em italiano se deu com o recém-lançado livro “Storie e Leggende dei Samba”, organizado por Marcelo Sola e publicado pela Liberedizioni. Trata-se de um livro lançado na Europa para o público italiano com comentários sobre canções brasileiras  que o Brasil consagrou, como “O Bêbado e o Equilibrista”, “Garota de Ipanema”, “Trem das Onze” e “Sampa”, entre outras. As canções aparecem em português com sua tradução em italiano, seguidas por um texto comentando e analisando a importância de cada uma. Na autoria dos textos sobre canções brasileiras para os italianos, estou muito bem acompanhado de meu irmão Wella, meu sobrinho João Alexandre, minha cunhada Luciana Worms e até do filho da Elis Regina, Pedro Camargo Mariano – cada um escrevendo sobre uma canção brasileira. No livro, escrevo um comentário lírico sobre “Sozinha”, de Peninha, imortalizada na voz de Caetano Veloso. A música brasileira está muito bem apresentada (e representada) aos italianos com os textos deste gracioso livro, com sabor de pizza e vinho. Aos italianos e aos brasileiros que lerem o livro, desejo ótima leitura. “Saluti!”

English – My literary debut in Italian took place with the recently released book “Storie e Leggende dei Samba”, edited by Marcelo Sola and published by Liberedizioni. It is a book released in Europe for the Italian readers with comments on Brazilian songs that Brazil has created, such as “Girl from Ipanema” and “Madalena”, among others. The songs appear in Portuguese with their translation in Italian, followed by a text commenting and analyzing the importance of each one. In the authorship of texts on Brazilian songs for Italians, I am very well accompanied by my brother Wella, my nephew João Alexandre, my sister-in-law Luciana Worms and even singer Elis Regina’s son, Pedro Camargo Mariano – each writing about a Brazilian song. In the book, I write a lyrical commentary on “Sozinha” (Lonely), by Peninha, immortalized in the voice of Caetano Veloso. Brazilian music is very well presented (and represented) to Italians with the texts of this graceful book, with a flavor of pizza and wine. To the Italians and everyone who read the book, I wish you a good read. “Salut!”

“O Beijo da Mulher Aranha” é um sonho no fundo de um pesadelo/”Kiss of the Spider Woman” is a dream inside a nightmare

Um beijo é uma forma de atrair os lábios de outro e tornar-se um único ser. No amor, nos beijamos. A aranha, por amor à vida, atrai a presa para deixá-la presa à teia, que é a tela de sua vida, a morte da vida que suga. À fome, nos prendemos. O diretor Hector Babenco, um eterno estrangeiro, em sua Argentina natal ou no Brasil que adotou, dirigiu com lirismo político o filme “O Beijo da Mulher Aranha”, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor direção. O cinema nos alimenta com beijos e nos prende com teias de telas.

No Brasil, sob a sangrenta ditadura militar que nos governou por mais de 20 anos e que ainda hoje segue elegendo presidentes, o filme nos prende no cárcere, onde um prisioneiro político, Valentín (Raul Julia), divide a cela com um homossexual, Luís Molina (William Hurt), condenado por corrupção de menor. Entre quatro paredes, Valentín se revela a Luís, que nos revela as motivações de suas ações encarceradas. Entre sessões de tortura e sofrimento, Luís descreve a Valentín as cenas de seus filmes favoritos, nos quais Sonia Braga faz o papel de uma mulher sedutora ou de uma mulher angelical ou de uma aranha-mulher: em todas elas, ela prende suas presas com beijos vitais e políticos. Se Hector Babenco é um estrangeiro em qualquer país do mundo, a ficção é a teia-tela que reflete uma janela para a liberdade em qualquer realidade encarcerada. “O Beijo da Mulher Aranha” é um convite para um sonho escondido no fundo de um pesadelo que insiste em não terminar. 

English A kiss is a way of attracting the lips of another and becoming a single being. In love, we kiss. The spider, for the love of life, attracts the prey to leave it trapped in the web, which is the fabric of its life, the death of the life it sucks. To hunger, we cling. Director Hector Babenco, an eternal foreigner, in his native Argentina or in his adopted Brazil, directed with political lyricism the film “Kiss of the Spider Woman”, which earned him an Oscar nomination for best director. Cinema feeds us with kisses and binds us with webs of screens.

In Brazil, under the bloody military dictatorship that ruled us for more than 20 years and which continues to elect presidents today, the film holds us in prison, where a political prisoner, Valentín (Raul Julia), shares a cell with a homosexual, Luís Molina (William Hurt), convicted of bribery of a minor. Within four walls, Valentín reveals himself to Luís, who reveals to us the motivations for his actions in prison. Between sessions of torture and suffering, Luís describes to Valentín scenes from his favorite films, in which actress Sonia Braga plays the role of a seductive woman or an angelic woman or a spider-woman: in all of them, she holds her fangs with vital and political kisses. If Hector Babenco is a foreigner in any country in the world, fiction is the web-screen that reflects a window to freedom in any incarcerated reality. “Kiss of the Spider Woman” is an invitation to a dream hidden in the depths of a nightmare that insists on not ending.

O filme “A Flor do Meu Segredo”, de Almodóvar, é para ser visto a sós e em segredo/The film “The Flower of My Secret”, by Almodóvar, is to be seen alone and in secret

Pedro Almodóvar é um dos meus diretores favoritos. Ele, assim como eu, é uma pessoa colorida, que veste seus personagens com cores alegres e quentes, mas que disfarçam uma cinzenta angústia. Os personagens de Almodóvar são um disfarce de vida, que carregam, secretamente, desejos ocultos. Depois de quase 30 anos de seu lançamento, apenas agora assisti a “A Flor do Meu Segredo”, que é uma colorida aquarela de segredos pintados de aparentes verdades.

À primeira vista, achei o filme simples e menor, dentro da filmografia de Almodóvar. Depois, refletindo mais, descobri que o filme é um disfarce, é um lençol que cobre o enredo com uma sucessão de espelhos. Está ali uma escritora que escreve livros que fazem muito sucesso, mas que aborda temas que ela detesta, como a felicidade conjugal em histórias água com açúcar. Ela, que, ao contrário do que se imagina, por ser uma autora de sucesso, não tem dinheiro, tem dívidas, tem dúvidas e é muito infeliz em seu casamento. Ela é também uma “ghost writer” e chega a publicar uma crítica, com outro nome, à autora que é ela mesma, disfarçada de seu pseudônimo. Vive angustiada, e as cenas são um constante diálogo com o simbolismo da representação, com imagens de personagens que conversam sobrepostos por um vidro que projeta as suas imagens e que os transforma em alter-egos. O filme “A Flor do Meu Segredo” é para ser visto a sós. E o que nele vemos é para ser guardado em um colorido segredo.

English Pedro Almodóvar is one of my favorite directors. He, like me, is a colorful person, who dresses his characters in cheerful and warm colors, which disguises a gray anguish. Almodóvar’s characters are a disguise of life, who secretly carry hidden desires. After almost 30 years of its release, I have just now watched “The Flower of My Secret”, which is a colorful watercolor of secrets painted with apparent truths.

At first glance, I thought the film was simple and smaller, within Almodóvar’s filmography. Later, on reflection, I figured out that the film is a disguise, a sheet that covers the plot with a succession of mirrors. There is a writer who writes books that are very successful, but which addresses topics she hates, such as marital happiness in wishy-washy stories. She, who, contrary to popular belief, as a successful author, has no money, has debts, has doubts and is very unhappy in her marriage. She is also a “ghost writer” and even publishes a review, under another name, of the author who is herself, disguised as her pseudonym. She lives in anguish, and the scenes are a constant dialogue with the symbolism of representation, with images of characters who talk superimposed by a glass that projects their images and transforms them into alter-egos. The movie “The Flower of My Secret” is to be seen alone. And what we see in it is to be kept in a colorful secret.

O Documentário “Elza & Mané” é um afinado gol de placa/The Documentary “Elza & Mané” is a fine goal

Ele passava o pé sobre a bola, fazia que ia para a direita, passava o pé sobre a bola novamente, fazia que ia para a esquerda e, após deixar o zagueiro deitado no gramado, ia para a direita. Assistir aos dribles de Garrincha sempre foi um momento feliz, engraçado, que levava sorriso ao rosto de todos os torcedores. Ela passava por dor, dó, ré, mi, fá até atingir um inatingível rouco sol com sua voz quente e ensolarada para afinar o grito de pretos e famintos estômagos roucos de fome. O casal mais divino que o Brasil já produziu é tema de um delicioso documentário, “Elza & Mané”, que estreou na semana passada no Globoplay. 

A vida de Elza Soares e de Mané Garrincha foi um sobe e desce, defesa contra ataque, sons graves e agudos, que se alternaram em doces e amargos goles de uma vida em comum que se iniciou há 60 anos, em 1962, ano em que Mané deu de presente à Elza a Copa do Mundo. Para Mané, Elza foi seu mundo. Para Elza, Mané foi todas as notas musicais, entoadas com emocionantes variações de altura, que provocaram doloridas quedas na cantora que interpretou, com heroísmo épico e trágico, um Brasil mestiço que teve coragem de mostrar o talento macunaímico que canta e encanta um mundo que dá voltas em redondos microfones em redondas bolas. O documentário “Elza & Mané” é um afinado gol de placa para o Brasil.

English – He would pass his foot over the ball, make it go to the right, pass his foot over the ball again, make it go to the left and, after leaving the defender lying on the ground, go to the right. Watching Garrincha’s dribbles was always a happy, funny moment, which brought a smile to the faces of all the fans. She went through C, D, E, M until she reached an unattainable F with her warm and sunny voice to tune the scream of black and hungry stomachs filled with poverty. The most divine couple that Brazil has ever produced is the subject of a delightful documentary, “Elza & Mané”, which premiered last week on Globoplay.

The life of Elza Soares and Mané Garrincha was an up and down, defense against attack, bass and treble sounds, which took turns in sweet and bitter sips of a life in common that began 60 years ago, in 1962, the year in which Mané gave Elza the World Cup as a gift. For Mané, Elza was his world. For Elza, Mané was all the musical notes, sung with exciting variations in height, which caused painful falls in the singer who interpreted, with epic and tragic heroism, a mestizo Brazil that had the courage to show the macunaímic talent that sings and enchants a world that turns around microphones into round balls. The documentary “Elza & Mané” is a perfect goal for Brazil.

Julia Garner é uma atriz que inventa e reinventa em “Inventando Anna”/Julia Garner is an actress who invents and reinvents in “Inventing Anna”

Anna Delvey é uma mulher inventada por Anna Sorokin. Anna é uma jovem de 20 e poucos anos que enganou amigos e bancos, envolvendo centenas de milhares de dólares, ao se passar por uma rica herdeira no exclusivo circuito de vida noturna de Nova York. Anna Sorokin foi presa e condenada. Sua história se transformou em uma instigante série da Netflix, na qual Anna é interpretada pela ótima atriz Julia Garner, premiada por sua atuação na série “Ozark”, também em cartaz na Netflix. Anna, em “Inventando Anna”, é magistralmente inventada por Julia Garner, que merece o Oscar na categoria Melhor Atriz Inventada.

Se em “Ozark”, a personagem de Julia Garner surpreende os protagonistas e ganha força conforme as temporadas avançam, em “Inventando Anna”, Julia é o centro das atenções desde o início, conquistando os espectadores com um personagem inteligente, estrategista, que sabe se aproveitar do mundo do glamour em Nova York e com um sotaque russo bastante convincente. Se “Inventando Anna” é uma série sobre a invenção, Julia Garner é uma atriz que inventa e, como um furacão, venta Anna de trás para frente. Recomendo Julia Garner, digo, “Inventando Anna”.

English Anna Delvey is a woman invented by Anna Sorokin. Anna is a young woman in her early 20s who has swindled friends and banks, involving hundreds of thousands of dollars, by posing as a wealthy heiress on New York’s exclusive nightlife circuit. Anna Sorokin was arrested and convicted. Her story became an exciting Netflix series, in which Anna is played by the great actress Julia Garner, awarded for her performance in the series “Ozark”, also showing on Netflix. Anna in “Inventing Anna” is masterfully invented by Julia Garner, who deserves an Academy Award in the Best Invented Actress category.

If in “Ozark”, Julia Garner’s character surprises the protagonists and gains strength as the seasons progress, in “Inventing Anna”, Julia is the center of attention from the beginning, conquering viewers with an intelligent, strategist character, who knows how to take advantage of the glamor world in New York and with a very convincing Russian accent. If “Inventing Anna” is a series about invention, Julia Garner is an actress who invents and, like a hurricane, blows Anna backwards. I highly recommend Julia Garner, I mean, “Inventing Anna”.

“Niketche” é a história do sofrimento que só as mulheres enfrentam em Moçambique/“The First Wife” is the story of the suffering that only women face in Mozambique

Niketche (Nova edição): Uma história de poligamia | Amazon.com.br

Começo o ano com uma leitura que recomendo com entusiasmo. Se ter uma mulher é algo que exige dedicação e esforço, imagine ter 4, 5 ou 6 esposas? A poligamia é uma prática comum em vários países, e é sobre o drama e o sofrimento de ter que dividir o marido amado com outras companheiras o tema do romance “Niketche, Uma História de Poligamia”, da escritora moçambicana Paulina Chiziane.

Rami é uma esposa apaixonada e submissa ao marido Tony, com quem é casada há 20 anos. É só então que descobre que ele tem outras mulheres e vários filhos com cada uma. Lemos o relato das duras descobertas de Rami através de uma linguagem lírica, poética e dolorosa. O sofrimento de Rami é uma janela para o duro cotidiano de milhões de mulheres em Moçambique, um país que fala português e que pratica injustiças seculares com as mulheres. “Niketche” é uma lágrima que merece ser lida.

English – I start the year with a book that I recommend with enthusiasm. If having a wife is something that requires dedication and effort, imagine having 4, 5 or 6 wives? Polygamy is a common practice in several countries, and the theme of the novel “The First Wife: A Tale of Polygamy”, by Mozambican writer Paulina Chiziane, is about the drama and suffering of having to share a husband with other partners.

Rami is a passionate and submissive wife to her husband Tony, to whom she has been married for 20 years. It is only then that she discovers that he has other women and several children with each of them. We read the account of Rami’s hard discoveries through a lyrical, poetic and painful language. Rami’s suffering is a window into the harsh daily lives of millions of women in Mozambique, a Portuguese-speaking country that practices centuries-old injustices against women. “The First Wife” is a tear that deserves to be read.

O filme italiano “A Mão de Deus” é um poema sobre o futebol nosso de cada dia/Italian movie “The Hand of God” is a poem about our daily soccerly life

A Mão de Deus (2021) | Tolookat.com

Eu adoro futebol. Adoro cinema. Adoro poesia. Se existe um jogo que é capaz de unir estas paixões que nutro eu diria, sem dúvida, que são os 90 minutos em que Maradona faz, na Copa de 1986 contra a Inglaterra que havia aniquilado os sul-americanos em uma guerra poucos anos antes, dois gols que a História eternizou. O primeiro, com a mão, mas com a cabeça de pensamentos ágeis, que ele batizou de “A Mão de Deus”. O segundo, o mais belo gol na história das Copas, em que ele sai da intermediária defensiva e dribla quase todo o time inglês para tirar da História a derrota que a Argentina sofrera para os ingleses na batalha das Malvinas. A poesia deste jogo se transformou em um lindo filme italiano, na Netflix, que concorrerá ao próximo Oscar. Cinema, poesia, futebol: tudo junto, no apaixonante “A Mão de Deus”, do diretor Paolo Sorrentino.

Em Nápoles nos anos 80, época em que Maradona jogou no Napoli, o filme acompanha o adolescente Fabietto Schisa, vivido pelo ator Filippo Scotti. Ele é sensível e observa o mundo a sua volta com curiosidade; assim, perde a virgindade, aprende a amar o cinema e sofre uma tragédia. Para quem, como eu, foi adolescente nos anos 80, “A Mão de Deus” é um poema autobiográfico. Para quem gosta de cinema, “A Mão de Deus” é um filme imperdível.

English I love soccer. I love cinema. I love poetry. If there is a game that is capable of uniting these passions that I nurture, I would say, without a shadow of a doubt, that it is the 90 minutes Maradona plays, in the 1986 World Cup against England which had annihilated the South Americans in a war a few years before, two goals that history has eternalized. The first, with his hand, but with a quick head of thoughts, which he dubbed “The Hand of God”. The second, the most beautiful goal in the history of the Cups, in which he leaves the defensive intermediate and dribbles almost the entire England team and takes away from History the defeat that Argentina suffered to the English in the Falklands War. The poetry of this game has turned into a beautiful Italian movie, on Netflix, which will compete for the next Oscar Awards. Cinema, poetry, football: everything together, in the passionate “The Hand of God”, by director Paolo Sorrentino.

In Naples in the 1980s, when Maradona played for Napoli, the film portrays teenager Fabietto Schisa, played by actor Filippo Scotti. He is sensitive and looks at the world around him with curiosity; thus, he loses his virginity, learns to love cinema and suffers an imense tragedy. For someone like me, who was a teenager in the 1980s, “The Hand of God” is an autobiographical poem. For movie lovers, “The Hand of God” is a must-see movie.

“Americanah” é a África impressa no mundo/“Americanah” is Africa printed in the world

Amazon.com.br eBooks Kindle: Americanah, Adichie, Chimamanda Ngozi, Romeu,  Julia

O Brasil é o maior país africano fora da África. A cultura do continente vizinho à América do Sul pode ser aqui observada nos temperos, na música, nas cores, cabelos, danças e crenças que tingem o Brasil. E na literatura. Um livro que acabo de ler e que é um retrato bacana da Nigéria e de quão próximos estamos deste país é “Americanah”, da premiada escritora Chimamanda Ngozi Adichie.

É uma história de amor. Mas é também uma história sobre ser negro, sobre preconceito, sobre imigração, sobre a busca pela dignidade nos Estados Unidos e na Europa, como se só fosse possível ser digno fora da África. Justamente no momento em que os Estados Unidos elegem um presidente negro. A protagonista é uma blogueira, e o livro acaba sendo o depósito das impressões que ela deixa em seu blog. “Americanah” imprime o amor e a dor de ser a expressão da África em um mundo desigual.

English – Brazil is the largest African country outside of Africa. The culture of the continent neighboring South America can be seen here in the spices, music, colors, hair, dances and beliefs that color Brazil. And in literature. A book I have just read that is a nice portrait of Nigeria and how close we are to this country is “Americanah”, by award-winning writer Chimamanda Ngozi Adichie.

It’s a love story. But it’s also a story about being black, about prejudice, about immigration, about the quest for dignity in the United States and Europe, as if it were only possible to be dignified outside of Africa. Just as the United States elects a black president. The protagonist is a blogger, and the book ends up being the depository of the impressions she leaves on her blog. “Americanah” imprints the love and pain of being the expression of Africa in an unequal world.

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