Vendo o Brasil de Camarote/Watching Brazil from the Box

A pedido do meu amigo, o poeta César Magalhães Borges, escrevi esta crônica após assistir no camarote do Flamengo, na Neo Química Arena em Itaquera, ao jogo Corinthians x Flamengo no domingo passado.
Vendo o Brasil de Camarote
No domingo passado fui à Neo Química Arena, em Itaquera. Fui com o meu irmão, o Wella. Fomos ver um jogo de futebol, Corinthians x Flamengo, mas acabei vendo uma partida na qual duelava minuto a minuto o Brasil inteiro.
Vi o jogo no camarote da Arena. Ao meu lado, dirigentes, empresários, convidados. Muitos comentavam que não trouxeram seus filhos porque eles preferiram assistir a um festival de música em Interlagos, o Lollapalooza.
No camarote em Itaquera, garçons serviam refrigerantes, petiscos, jantar, sobremesa. Tudo de graça para os convidados. O preço do ingresso para o Lollapalooza é salgado. Os mais baratos saem por volta de R$ 500,00 por dia. O salário mínimo no Brasil é R$ 1.621,00 por mês. Ainda assim, milhares de jovens compraram ingresso para ver os três dias de shows em Interlagos. Um hambúrguer simples no festival em Interlagos custava cerca de R$ 35,00. Um copo de refrigerante, R$ 12,00. A cada 10 brasileiros que trabalham, 4 recebem 1 salário mínimo por mês. Um fim de semana no Lollapalooza custa o equivalente a um mês de trabalho de quase metade da população no Brasil.
No domingo passado, eu não fui ao Lollapalooza. Fui a Itaquera. Vi o jogo entre as duas maiores torcidas do Brasil. Somadas, as torcidas de Flamengo e Corinthians equivalem a quase a metade da população brasileira. Boa parte dos flamenguistas e corintianos que trabalham, recebem 1 salário mínimo por mês. O preço médio para ver o jogo na Neo Química Arena foi R$ 150,00, mas em alguns assentos, a entrada chegava a R$ 400,00.
Eu vi o jogo lá do alto, do camarote. De cima, vi que as maiores torcidas do Brasil não puderam entrar na arena para verem seus times jogar. O Brasil é uma partida de futebol na qual, aos brasileiros, só resta torcer de longe, sem participar. No Brasil, o futebol é um constante impedimento, sem cartões vermelhos.
Pra quem se interessa por futebol: o placar do jogo foi um empate por 1×1. Ninguém venceu.
English – Watching Brazil from the Box
Upon the request of my friend, poet César Magalhães Borges, I wrote this chronicle after watching the Corinthians vs. Flamengo game last Sunday from the Flamengo box at the Neo Química Arena in Itaquera.
Watching Brazil from the Box
Last Sunday I went to the Neo Química Arena in Itaquera. I went with my brother, Wella. We went to see a soccer game, Corinthians vs. Flamengo, but I ended up watching a match in which the whole of Brazil was battling minute by minute.
I watched the game from the Arena’s box. Next to me were directors, businessmen, and guests. Many commented that they hadn’t brought their children because they preferred to attend a music festival in Interlagos, Lollapalooza.
In the box in Itaquera, waiters served soft drinks, snacks, dinner, and dessert. All free for the guests. The price of a Lollapalooza ticket is steep. The cheapest ones cost around R$ 500.00 per day. The minimum wage in Brazil is R$ 1,621.00 per month. Even so, thousands of young people bought tickets to see the three days of shows in Interlagos. A simple hamburger at the festival in Interlagos cost around R$ 35.00. A cup of soda, R$ 12.00. For every 10 Brazilians who work, 4 receive the minimum wage per month. A weekend at Lollapalooza costs the equivalent of a month’s work for almost half the population in Brazil.
Last Sunday, I didn’t go to Lollapalooza. I went to Itaquera. I saw the game between the two biggest fan bases in Brazil. Combined, the Flamengo and Corinthians fan bases represent almost half the Brazilian population. A large portion of Flamengo and Corinthians fans who work receive the minimum wage per month. The average price to see the game at Neo Química Arena was R$ 150.00, but in some seats, the entrance fee reached R$ 400.00. I watched the game from up high, from the VIP box. From above, I saw that the biggest fan bases in Brazil couldn’t get into the arena to see their teams play. Brazil is a soccer match where Brazilians can only cheer from afar, without participating. In Brazil, soccer is a constant offside, without red cards.
For those readers interested in soccer: the score was a 1-1 draw. Nobody won.
Minha Peça “três por Quarto” de volta aos palcos
Minha peça “Três por Quarto” voltará aos palcos de São Paulo, com apoio da Prefeitura, em maio e junho em um míni-circuito pelos teatros e centros culturais da cidade, nos quatro cantos e no centro de São Paulo – com entrada gratuita!
Gostaria muito de contar com sua presença. Eu estarei lá e será uma honra poder dar um abraço em você. Os dias e sessões são os seguintes:
Sexta-feira, 9 de maio – 20h: Centro Cultural Flávio Império (R. Prof. Alves Pedroso, 600 – Cangaíba)
Quarta-feira, 14 de maio – 21h: Teatro Cacilda Becker (R. Tito, 295 – Lapa,)
Quarta-feira, 21 de maio – 20h00: Teatro Alfredo Mesquita (Av. Santos Dumont, 1770 – Santana)
Quinta-feira, 5 de junho – 19h30: Centro Cultural Olido (Av. São João, 473 – Centro Histórico de São Paulo)
Sábado, 7 de junho – 19h00: Centro Cultural Vila Formosa (Av. Renata, 163 – Vila Formosa)
SINOPSE da peça “Três por Quarto”
Uma prostituta se consome em dor e saudade, enquanto o exuberante Cisco tenta animá-la com divertidas histórias de amores frustrados. A busca por conexão se intensifica com a chegada de um cliente, que traz revelações de um passado trágico. Em diálogo com “Navalha na Carne”, de Plínio Marcos, a nova produção do Grupo Teatral Isla Madrasta é um mergulho intenso na alma humana, entrelaçando histórias de desejo, perda e amor não correspondido.
TEXTO: Anderson Borges Costa
ELENCO: Aroldo Zanchett, Lucas Bonilha e Maria Fernanda Assumpção
DIREÇÃO: Ipojucan Pereira
Até lá, grande abraço!
Peça “Ficções” é uma experiência que merece ser friccionada./The play “Fictions” is an experience that deserves to be rubbed
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Filme “Old Boy” é um golpe indefensável/Film “Old Boy” is an indefensible scam
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Peça “Três por Quarto” foi a minha estreia como dramaturgo/Play “Three by Room” was my debut as a playwright

Venho, no final de 2024, dizer a vocês, que acompanham este blog, que a minha estreia como dramaturgo foi muito bacana. A peça “Três por Quarto” teve casa cheia nas duas noites em dezembro em São Paulo. Ano que vem a temporada segue. Aguardem informações. Parabéns a toda à Companhia Isla Madrasta, com o diretor Ipojucan Pereira, os atores Aroldo Zanchett, Lucas Bonilha, Maria Fernanda Assumpção e Renato Alexey e a toda a equipe de produção da peça. Obrigado e evoé, “Três por Quarto”!
English – At the end of 2024, I come to tell you, dear followers of this blog, that my debut as playwright was very cool. The play “Three by Room” had a full house on both nights in December in São Paulo. The season will continue next year. Stay tuned for more information. Congratulations to the entire Isla Madrasta Company, with director Ipojucan Pereira, actors Aroldo Zanchett, Lucas Bonilha, Maria Fernanda Assumpção, Renato Alexey, and the entire production team of the play. Thank you and long live, “Three by Room”!