Ocupar é preciso/Occupying is precise

A ocupação | Amazon.com.br

Acabo de ler o mais recente romance do brasileiro, filho de argentinos, Julián Fuks, “A Ocupação”. Ocupar a mente é brincar de esconde-esconde com o ócio. Ocupar a casa pode ser colocar filhos para habitá-la. Ocupar a sociedade pode ser participar, nas ruas, de protestos a favor de mais democracia, mais educação, mais habitação. O romance de Julián Fuks trata das diversas formas como somos ocupados e invadidos em nossos relacionamentos, no trabalho ou na falta de ocupação. Narrado em três níveis, “A Ocupação” tem em seu eixo central a invasão do Hotel Cambridge, prédio abandonado no centro de São Paulo e invadido pelos sem-teto, muito deles imigrantes de países como a Síria ou a Bolívia. Paralelamente, há a história do difícil relacionamento conjugal do narrador com a esposa, além de seu pai, que definha no leito de um hospital. O Brasil é silenciosamente ocupado; nós nos ocupamos de abrir espaços nas vidas que invadimos cotidianamente. Com uma linguagem lírica, Jilián Fuks nos convida a passear por casas ocupadas, a ocupar a nossa casa, a revisitar a nossa vida. Difícil resistir à leitura desta curta narrativa em uma só sentada.

English: I just finished reading the novel “A Ocupação” (“Occupy”), by Brazilian author Julián Fuks. The book is about the occupation of Hotel Cambridge, a building which was abandoned in downtown São Paulo. Hotel Cambridge is now is home to hundreds of people from various countries, like Syria and Bolivia. Julián deals with the lives of people who are invisible in a society occupied by commitments and dreams, which not always come true. I could not put it down up to its last page.

Publicado por Anderson Borges Costa

Anderson Borges Costa, brasileiro, é autor dos romances “Rua Direita” (Chiado, 2013), “Avenida Paulista, 22″ (Giostri, 2019) e do livro de contos “O Livro que não Escrevi” (Giostri, 2016 – do qual, um dos contos foi traduzido para o inglês no Canadá), além das peças teatrais “Quarto Feito de Cinzas” (traduzida para o italiano para ser apresentada na Itália), “Elevador para o Paraíso” e “Três por Quarto”. Premiado no Prêmio Guarulhos de Literatura (categorias Livro do Ano e Escritor do Ano) e no Concurso Literário do Instituto Federal São Paulo. É coordenador do Departamento de Português da escola internacional Saint Nicholas, em São Paulo, onde também atua como professor de Português e de Literatura Brasileira. É professor de Inglês no curso Cel Lep. Formado e pós-graduado pela Universidade de São Paulo em Letras (Português, Inglês e Alemão), é crítico literário e resenhista de livros para várias revistas de arte e literatura, como a “Germina”, onde assina a coluna “Adrenalina nas Entrelinhas”. É paulistano e nasceu em 29 de janeiro de 1965. Participou do último filme da diretora Anna Muylaert, “Mãe só há uma”, fazendo uma figuração como o professor de literatura do protagonista.

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