“Round 6” é um soco no estômago/”Squid Game” is a punch in the stomach

Round 6 bate recorde e se torna a maior série da Netflix - NerdBunker

A Coreia do Sul, no nosso imaginário, é um país organizado, bem administrado, que sabe investir em educação de alto padrão e que distribui de forma justa a renda entre a população. No entanto, a julgar pela surpreendente série “Round 6”, a Coreia do Sul é um lugar onde os muito ricos vivem a anos-luz dos muito pobres, onde um cidadão endividado e miserável é capaz de participar de um cruel jogo para quitar suas dívidas. O dinheiro, na penúria sul-coreana, pauta ambições, ética e amores. 

Quem acompanha a recente produção cinematográfica da Coreia e do Brasil reconhecerá imediatamente fortes paralelos entre “Round 6” e o premiado filme “Parasita”, que trabalha muito bem a linha horizontal que separa a riqueza da pobreza no país asiático. Da mesma forma, “Round 6” nos lembra da cruel diversão que leva humanos a assassinar humanos como se a vida fosse uma brincadeira de crianças mimadas como no filme “Bacurau”. “Round 6” reduz a vida a um jogo ao qual o espectador assiste com a dor de um soco no estômago.

English South Korea, in our imagination, is an organized, well-run country that knows how to invest in high-quality education and that distributes income fairly among the population. However, judging by the astonishing “Squid Game” series, South Korea is a place where the very rich live light years away from the very poor, where an indebted and miserable citizen is able to play a cruel game to pay off their debts. Money, in South Korean penury, guides ambitions, ethics and loves.

Anyone following recent Korean and Brazilian cinematographic production will immediately recognize strong parallels between “Squid Game” and the award-winning film “Parasite”, which works very well on the horizontal line that separates wealth from poverty in the Asian country. Likewise, “Squid Game” reminds us of the cruel fun that leads humans to murder humans as if life were a spoiled children’s play, like the Brazilian movie “Bacurau”. “Squid Game” reduces life to a game which the spectator watches with the pain of a punch in the stomach.

Publicado por Anderson Borges Costa

Anderson Borges Costa, brasileiro, é autor dos romances “Rua Direita” (Chiado, 2013), “Avenida Paulista, 22″ (Giostri, 2019) e do livro de contos “O Livro que não Escrevi” (Giostri, 2016 – do qual, um dos contos foi traduzido para o inglês no Canadá), além das peças teatrais “Quarto Feito de Cinzas” (traduzida para o italiano para ser apresentada na Itália), “Elevador para o Paraíso” e “Três por Quarto”. Premiado no Prêmio Guarulhos de Literatura (categorias Livro do Ano e Escritor do Ano) e no Concurso Literário do Instituto Federal São Paulo. É coordenador do Departamento de Português da escola internacional Saint Nicholas, em São Paulo, onde também atua como professor de Português e de Literatura Brasileira. É professor de Inglês no curso Cel Lep. Formado e pós-graduado pela Universidade de São Paulo em Letras (Português, Inglês e Alemão), é crítico literário e resenhista de livros para várias revistas de arte e literatura, como a “Germina”, onde assina a coluna “Adrenalina nas Entrelinhas”. É paulistano e nasceu em 29 de janeiro de 1965. Participou do último filme da diretora Anna Muylaert, “Mãe só há uma”, fazendo uma figuração como o professor de literatura do protagonista.

2 comentários em ““Round 6” é um soco no estômago/”Squid Game” is a punch in the stomach

  1. Quando vi o trailer e li a sinopse dessa série, fiquei horrorizada. Não assisti nenhum episódio, não gosto, não me atrai. Mas imagino uma coisa meio Jogos Mortais, pessoas matando umas às outras. Me corrija se estiver errada. A que ponto chega o ser humano lutando por dinheiro. Me faz pensar na quantidade de famílias vivendo em extrema miséria… não dariam eles a vida também? Aliás, o pai e mãe de família que sai de madrugada para pegar 2, 3 conduções para chegar ao trabalho e retorna para casa à noite, para no final do mês, receber 100,00, em que Round estariam eles? Bela reflexão, querido. Como sempre!

    Curtido por 1 pessoa

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