Filme “Relatos Selvagens” revela a vingança que escondemos dentro do cotidiano nosso de cada dia/Movie “Wild Tales” reveals the revenge that we hide inside our daily routine

Relatos Selvagens - Filme 2014 - AdoroCinema

Nós, humanos, vivemos no difícil equilíbrio entre a sanidade da civilização e a barbárie da insanidade. Basta apenas um empurrãozinho para que saiamos da serenidade e caiamos no total descontrole, capaz de acender um adormecido desejo de vingança.  Tal desejo pode estar dentro das mais cotidianas ações. É sobre o desejo de vingança que escondemos embaixo de nossa sombra que trata o simpático filme argentino “Relatos Selvagens”.

O cinema argentino é mais psicológico e mais sutil do que boa parte dos filmes brasileiros e italianos, por exemplo. E “Relatos Selvagens” se concentra no momento de total descontrole emocional a que estamos sujeitos no cotidiano estressante a que nos dedicamos. O filme é uma interessante sequência de seis pequenas histórias que têm a vingança como tema em comum. Vingança que leva ao descontrole emocional latente  engatilhado por um desentendimento no trânsito, pela descoberta de traição amorosa, por um acidente de carro por ou uma reprovação na escola: tudo é motivo para a busca da vingança. Com um elenco que desempenha com “tranquilidade” o desejo de vingança (mais uma vez encabeçado pelo onipresente Ricardo Darín), “Relatos Selvagens” conseguiu a proeza de ficar mais de um ano em cartaz nos cinemas em São Paulo. Mas a vingança que ele guarda em cada espectador tem a duração de uma vida inteira.

English – We humans live in the difficult balance between the sanity of civilization and the barbarism of insanity. It only takes a little push to get out of serenity and fall into total uncontrollability, capable of igniting a dormant desire for revenge. Such a desire may be part of most of our everyday actions. The Argentine movie “Wild Tales” deals with the desire for revenge that we hide under our shadow.

Argentine cinema is more psychological and more subtle than most Brazilian and Italian films, for example. And “Wild Tales” focuses on the moment of total emotional lack of control to which we are subjected in the stressful daily life to which we dedicate ourselves. The film is an interesting sequence of six short stories that have revenge as a common theme. Revenge that leads to latent emotional uncontrol triggered by a misunderstanding in traffic, by the discovery of amorous betrayal, by a car accident or a failure at school: everything is a reason to seek revenge. With a cast that plays the desire for revenge with “tranquility” (once again headed by the ubiquitous Ricardo Darín), “Wild Tales” achieved the feat of showing more than a year in theaters in São Paulo. But the revenge that lives inside each spectator lasts for a lifetime.

Publicado por Anderson Borges Costa

Anderson Borges Costa, brasileiro, é autor dos romances “Rua Direita” (Chiado, 2013), “Avenida Paulista, 22″ (Giostri, 2019) e do livro de contos “O Livro que não Escrevi” (Giostri, 2016 – do qual, um dos contos foi traduzido para o inglês no Canadá), além das peças teatrais “Quarto Feito de Cinzas” (traduzida para o italiano para ser apresentada na Itália), “Elevador para o Paraíso” e “Três por Quarto”. Premiado no Prêmio Guarulhos de Literatura (categorias Livro do Ano e Escritor do Ano) e no Concurso Literário do Instituto Federal São Paulo. É coordenador do Departamento de Português da escola internacional Saint Nicholas, em São Paulo, onde também atua como professor de Português e de Literatura Brasileira. É professor de Inglês no curso Cel Lep. Formado e pós-graduado pela Universidade de São Paulo em Letras (Português, Inglês e Alemão), é crítico literário e resenhista de livros para várias revistas de arte e literatura, como a “Germina”, onde assina a coluna “Adrenalina nas Entrelinhas”. É paulistano e nasceu em 29 de janeiro de 1965. Participou do último filme da diretora Anna Muylaert, “Mãe só há uma”, fazendo uma figuração como o professor de literatura do protagonista.

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