Um Clássico para os Clássicos/A Classic for the Classics

Livro: O Asno de Ouro - Apuleio | Estante Virtual

Tenho muita curiosidade para saber quais autores os grandes autores leram. Os livros clássicos para os autores clássicos. Acho que acabei de ler um desses: um livro que os grandes leram e que influenciou a obra que criaram, séculos depois, milênios depois. Sim, falo de um livro escrito há muitos anos, no século II d.C., e que deixou ecos visíveis nos grandes autores que vieram depois – “O Asno de Ouro”. Escrito por Apuleio, nascido por volta de 125 d.C. na atual Argélia, então pertencente ao Império Romano, que se casou com uma rica viúva, mãe de um amigo seu. Foi acusado por parentes da esposa de ter usado magia para conquistar a mulher, o que era considerado um crime passível de ser punido com pena de morte pelas leis romanas. Apuleio foi julgado e, tendo realizado sua própria defesa, foi inocentado. “O Asno de Ouro” tem claras influências autobiográficas: trata-se da transformação do protagonista Lúcio em asno por Fótis, que, querendo fabricar um pássaro, metamorfoseou Lúcio em um burro, com grandes orelhas que a tudo ao seu redor ouvia. Com isso, Lúcio, o asno do título, enxergou a essência da alma humana, através da observação invisível dos mistérios da vida cotidiana. Na presença do asno, todos se mostram por inteiro. E é aí que nós, leitores do século XXI, podemos ouvir os ecos dos grandes autores que, provavelmente, entraram em contato com este “Asno” e deixaram rastros em seus livros. Só para citar alguns exemplos, há, no romance aventuresco de costumes de Apuleio, um quê das engraçadas aventuras de de “Dom Quixote”, do pícaro de “Lazarilho de Tormes”, da traição de “Hamlet”, das histórias de alcova de Boccaccio, da metamorfose de Kafka, das conversas com o leitor de Machado de Assis, do burrinho pedrês de Guimarães Rosa e tantos mais. Ficou curioso? Pois “O Asno de Ouro” merece a leitura. É a primeira cor de um arco-íris que vem tingindo a literatura mundial desde a época em que acreditar em um só deus era considerado um vício hipócrita. Os deuses estão dispostos a ajudar burros a se humanizarem. Apuleio, crucificá-lo, jamais!

English: I have always been curious to know which authors the great authors have read. I guess I have just finished reading one of them – “The Golden Ass”, by Apuleius, written in the II Century A.D. There are some autobiographical features in this novel, as Apuleius, born in current Algeria, then part of the Roman Empire, married a rich widow, mother of a friend of his. Apuleius was accused of using magic spells to conquer her, which was considered a crime by Roman laws punished with death penalty. Being his own defense attorney, Apuleius was judged and found not guilty. “The Golden Ass” tells a story written with elements of Apuleius´s own life: it is the story of Lucius, who experiments with magic and is accidently turned into an ass. Lucius, with his big ears, can then hear the essence of men´s soul and can observe the mystery of everyday life. In the presence of an ass, people can show who they really are. And that is where we, XXI Century readers, can hear the echoes of great authors who might have had contact with Apuleius´s literature. To name but a few: “Don Quixote”, the betrayal of Hamlet, Boccaccio´s sex stories, Kafka´s metamorphosis novel and Machado de Assis. Are you curious? “The Golden Ass” is worth reading, as it is the first color of a rainbow of writers who have been making first class world literature. Please, do not crucify him!

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