O passado degenera o presente no novo romance de Fernando Bonassi/The past degenerates the present in Fernando Bonassi’s new novel

Degeneração | Amazon.com.br

O Brasil, de 2018 para cá, se transformou em um país caricato, uma rua sem saída, na contramão do bom-senso. Mas nem sempre foi assim. Ou talvez tenha sido. Mas a caricatura hoje é uma cara feia, com mau hálito, um sorriso cariado de insanidades. A véspera da eleição do Bolsonaro, que deu novas feições ao Brasil, é o tema do mais recente romance de Fernando Bonassi, “Degeneração”, que tenta traduzir os caminhos que pavimentaram a escolha do líder mais controverso que o novo milênio produziu.

A ação do romance se concentra em um homem que se encontra dentro do necrotério de um hospital público, tentando liberar o corpo de seu pai, para que seja cremado. As intempéries burocráticas que ele precisa superar vão temperando a impaciência do protagonista, que conversa com o morto sobre sua infância e descobre que o pai foi, na ditadura, delator e assistente de torturadores. “Degeneração” é, lido nos dias atuais, uma ponte entre o presente e o recente passado de um país que parece ter um gosto especial por transformar sonhos em pesadelos.

English – Brazil, from 2018 until now, has become a caricature country, a dead-end street, contrary to common sense. But it was not always so. Or maybe it was. But the caricature today is an ugly face, with bad breath, a decayed smile of insanity. The eve of Bolsonaro’s election in 2018, which gave new features to Brazil, is the theme of Fernando Bonassi’s latest novel, “Degeneração” (whose translation into English could be “Degeneration”), which tries to translate the paths that paved the way for the choice of the most controversial leader that the new millennium has produced.

The plot of the novel focuses on a man who finds himself inside the morgue of a public hospital, trying to release his father’s body to be cremated. The bureaucratic storms he has to overcome temper the impatience of the protagonist, who talks to the dead man about his childhood and discovers that his father was, during the dictatorship, an informer and assistant to torturers. “Degeneration” is, read nowadays, a bridge between the present and the recent past of a country that seems to have a special taste for turning dreams into nightmares.

Publicado por Anderson Borges Costa

Anderson Borges Costa, brasileiro, é autor dos romances “Rua Direita” (Chiado, 2013), “Avenida Paulista, 22″ (Giostri, 2019) e do livro de contos “O Livro que não Escrevi” (Giostri, 2016 – do qual, um dos contos foi traduzido para o inglês no Canadá), além das peças teatrais “Quarto Feito de Cinzas” (traduzida para o italiano para ser apresentada na Itália), “Elevador para o Paraíso” e “Três por Quarto”. Premiado no Prêmio Guarulhos de Literatura (categorias Livro do Ano e Escritor do Ano) e no Concurso Literário do Instituto Federal São Paulo. É coordenador do Departamento de Português da escola internacional Saint Nicholas, em São Paulo, onde também atua como professor de Português e de Literatura Brasileira. É professor de Inglês no curso Cel Lep. Formado e pós-graduado pela Universidade de São Paulo em Letras (Português, Inglês e Alemão), é crítico literário e resenhista de livros para várias revistas de arte e literatura, como a “Germina”, onde assina a coluna “Adrenalina nas Entrelinhas”. É paulistano e nasceu em 29 de janeiro de 1965. Participou do último filme da diretora Anna Muylaert, “Mãe só há uma”, fazendo uma figuração como o professor de literatura do protagonista.

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