O livro “Quarto de Despejo” nos faz sentir a fome cotidiana da sobrevivência/The book “Child of the Dark” makes us feel the daily hunger for survival

Sobre o legado de Carolina Maria de Jesus: "antes de falecer, ela me deixou  uma carta para que eu propagasse a memória dela" - Vogue | Vogue Gente

Quando estamos cansados, procuramos no quarto o descanso. Contra os pesadelos do cotidiano, vamos ao encontro do sonho no quarto. O quarto é, portanto, a moradia do aconchego, do amor, do prazer e da revitalização. É no quarto que nascemos. E renascemos todos os dias. No entanto, para a escritora Carolina Maria de Jesus, negra e favelada, o quarto é o lixo, é a fome, é a violência que batem diariamente à sua porta e que ela registrou com incrível realismo no livro “Quarto de Despejo, Diário de uma Favelada”. Livro para lermos no quarto. Leitura transformadora, que se transformou em “best seller” traduzido para 13 línguas.

Escrito na linguagem do dia a dia, sem concordância nominal ou verbal, na concordância do pobre, na concordância dos que passam fome, dos que precisam catar papel na rua para garantir pelo menos uma refeição a cada dia, o diário de Carolina Maria de Jesus cobre 4 anos e meio de sua luta cotidiana por comida, para sustentar sozinha seus três filhos em um quarto na Favela do Canindé, à beira do rio Tietê, entre 1955 e 1960. Ironicamente, a Favela do Canindé, lar de pobres marginalizados por uma egoísta  sociedade capitalista, foi destruída e despejou dali seus sofridos moradores, para dar lugar  à construção de uma avenida na cidade de São Paulo batizada com o nome de … Marginal.

English – When we are tired, we look for rest in the bedroom. Against everyday nightmares, we find the dream in the bedroom. The bedroom is, therefore, the home of coziness, love, pleasure and revitalization. It is in the bedroom that we are born. And we are reborn every day. However, for writer Carolina Maria de Jesus, black and slum dweller, the bedroom is garbage, hunger and violence that knock daily on her door and that she recorded with incredible realism in the book “Child of the Dark”, (the literal translation from the original title in Portuguese would be “Junk Bedroom”). This is a book for us to read in the bedroom. Transformative reading, which became a bestseller translated into 13 languages.

Written in everyday language, no formal vocabulary or structures, in the language of the poor, in the language of those who are hungry, those who need to pick up paper from the street to guarantee at least one meal each day, Carolina Maria de Jesus’ novel covers 4 and a half years of her daily struggle for food, to support her three children alone in a room in Favela do Canindé, on the banks of the Tietê River, between 1955 and 1960. Ironically, Favela do Canindé, home to poor people marginalized by a selfish capitalist society, was destroyed and evicted its suffering residents, to make way for the construction of an avenue in the city of São Paulo baptized with the name of … Marginal Avenue.

Publicado por Anderson Borges Costa

Anderson Borges Costa, brasileiro, é autor dos romances “Rua Direita” (Chiado, 2013), “Avenida Paulista, 22″ (Giostri, 2019) e do livro de contos “O Livro que não Escrevi” (Giostri, 2016 – do qual, um dos contos foi traduzido para o inglês no Canadá), além das peças teatrais “Quarto Feito de Cinzas” (traduzida para o italiano para ser apresentada na Itália), “Elevador para o Paraíso” e “Três por Quarto”. Premiado no Prêmio Guarulhos de Literatura (categorias Livro do Ano e Escritor do Ano) e no Concurso Literário do Instituto Federal São Paulo. É coordenador do Departamento de Português da escola internacional Saint Nicholas, em São Paulo, onde também atua como professor de Português e de Literatura Brasileira. É professor de Inglês no curso Cel Lep. Formado e pós-graduado pela Universidade de São Paulo em Letras (Português, Inglês e Alemão), é crítico literário e resenhista de livros para várias revistas de arte e literatura, como a “Germina”, onde assina a coluna “Adrenalina nas Entrelinhas”. É paulistano e nasceu em 29 de janeiro de 1965. Participou do último filme da diretora Anna Muylaert, “Mãe só há uma”, fazendo uma figuração como o professor de literatura do protagonista.

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