O filme “M8 – Quando a Morte Socorre a Vida” é o Brasil que se nega a aceitar a cor de sua pele/Movie “M8” is Brazil and the denial of its blackness

M8': Jeferson De e Mariana Nunes de bisturis afiados

A cada 23 minutos, um jovem negro é assassinado no Brasil. Deveria doer ler esta estatística. Mas ela é disfarçada de silêncio. Esta dor está na Netflix, no recém-lançado filme de Jeferson De “M8 – Quando a Morte Socorre a Vida”. É sobre morte de negros que o Brasil silencia; é sobre o racismo contra negros; é sobre o silêncio de um país que maltrata sua maioria negra; é sobre o aumento de alunos negros em universidades graças à política de cotas. É um pedido de socorro.

O ator Juan Paiva constrói uma interpretação segura para o protagonista que mora em uma favela no Rio de Janeiro e entra em contato com a elite branca que estuda medicina na Universidade Federal do RJ. Um elenco estrelado por Zezé Motta, Lázaro Ramos, Mariana Nunes e Ailton Graça aborda o cadáver M8, cujo corpo é objeto de estudos de anatomia na faculdade. Um corpo que carrega uma história de vida, de desaparecimento e muito sofrimento para sua família. M8 é a cara do Brasil anônimo que vive dentro de cada um de nós. Assistir a este filme impactante é soltar um grito de socorro. Espero que o grito ecoe para além da tela da Netflix.

English – Every 23 minutes, a young black person is murdered in Brazil. It should hurt to read this statistic. But it is disguised as silence. This pain is on Netflix, in Jeferson De’s recently released film “M8”. It is about the death of blacks which is silenced in Brazil; it is about racism against blacks; it is about the silence of a country that mistreats its black majority; it is about the increase of black students in universities thanks to affirmative action. It’s a cry for help.

Actor Juan Paiva builds a safe interpretation for the protagonist who lives in a slum in Rio de Janeiro and gets in touch with the white elite who study medicine at the Federal University of RJ. A cast starring Zezé Motta, Lázaro Ramos, Mariana Nunes and Ailton Graça addresses the M8 corpse, whose body is the subject of anatomy studies in college. A body that carries a story of life, disappearance and much suffering for his family. M8 is the face of an anonymous Brazil that lives within each one of us. To watch this impactful film is to cry out for help. I hope the scream echoes beyond the Netflix screen.

Publicado por Anderson Borges Costa

Anderson Borges Costa, brasileiro, é autor dos romances “Rua Direita” (Chiado, 2013), “Avenida Paulista, 22″ (Giostri, 2019) e do livro de contos “O Livro que não Escrevi” (Giostri, 2016 – do qual, um dos contos foi traduzido para o inglês no Canadá), além das peças teatrais “Quarto Feito de Cinzas” (traduzida para o italiano para ser apresentada na Itália), “Elevador para o Paraíso” e “Três por Quarto”. Premiado no Prêmio Guarulhos de Literatura (categorias Livro do Ano e Escritor do Ano) e no Concurso Literário do Instituto Federal São Paulo. É coordenador do Departamento de Português da escola internacional Saint Nicholas, em São Paulo, onde também atua como professor de Português e de Literatura Brasileira. É professor de Inglês no curso Cel Lep. Formado e pós-graduado pela Universidade de São Paulo em Letras (Português, Inglês e Alemão), é crítico literário e resenhista de livros para várias revistas de arte e literatura, como a “Germina”, onde assina a coluna “Adrenalina nas Entrelinhas”. É paulistano e nasceu em 29 de janeiro de 1965. Participou do último filme da diretora Anna Muylaert, “Mãe só há uma”, fazendo uma figuração como o professor de literatura do protagonista.

2 comentários em “O filme “M8 – Quando a Morte Socorre a Vida” é o Brasil que se nega a aceitar a cor de sua pele/Movie “M8” is Brazil and the denial of its blackness

  1. Querido Anderson,

    também espero que o grito de socorro ecoe para além da tela de cada um que assista o filme ou leia seu texto. Grande abraço Ellen

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    Curtido por 1 pessoa

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