“Festa de Formatura”: Um elenco estrelado em uma sucessão de clichês/”The Prom”: a starred cast in a sequence of clichés – 14 de janeiro de 2021

A Festa de Formatura Netflix: musical LGBT (2020)

Ver um filme com Meryl Streep é ter a quase certeza de assistir a uma atriz indicada ao Oscar pelo filme visto. Ela teve nada menos do que 20 indicações em sua carreira. É inegável que se trata de uma das mais completas e versáteis atrizes americanas. No entanto, ficarei surpreso e desapontado se Meryl Streep for indicada ao próximo Oscar por seu mais recente filme, “A Festa de Formatura” (“The Prom”), que estreou no mês passado na Netflix. 

Trata-se de um filme construído com base em uma sucessão de clichês. Apesar da premissa interessante e justa (uma adolescente lésbica decide levar  sua namorada ao baile de formatura, e um grupo de pais conservadores decide cancelar a festa em protesto contra a “boa” reputação da comunidade provinciana), o que se vê é um excesso de didatismo e maniqueísmo para explicar que é normal ter orientações sexuais diferentes, que os pais não precisam se preocupar caso tenham filhos não heterossexuais, que o amor sincero e fiel existe, que o egoísmo e o narcisismo são condenáveis.

De bom, os números musicais esteticamente bem desenvolvidos e uma boa transposição da Broadway para Hollywood. No entanto, o elenco estelar foi mal aproveitado, e resultou em um açucarado filme que caberia como uma luva na “Sessão da Tarde”.

English – To see a film with Meryl Streep is to witness a most likely Academy Awards nomination for best actress. She has had no less than 20 nominations in her career so far. It is undeniable that she is one of the most complete and versatile American actresses. However, I will be surprised and disappointed if Meryl Streep is nominated in the next Academy Awards for her latest film, “The Prom,” which debuted on Netflix last month.

It is a movie built on a succession of clichés. Despite the interesting and fair premise (a lesbian teenager decides to take her girlfriend to the prom, and a group of conservative parents decides to cancel the party in protest against the “good” reputation of the provincial community), what is seen is an excess of didacticism and manichaeism to explain that it is normal to have different sexual orientations, that parents need not worry if they have non-heterosexual children, that sincere and faithful love exists, that selfishness and narcissism are reprehensible.

A positive feature in this picture are the aesthetically well-developed musical numbers and a good transposition from Broadway to Hollywood. However, the stellar cast was misused, and resulted in a wishy-washy film, with no other ambition.

Publicado por Anderson Borges Costa

Anderson Borges Costa, brasileiro, é autor dos romances “Rua Direita” (Chiado, 2013), “Avenida Paulista, 22″ (Giostri, 2019) e do livro de contos “O Livro que não Escrevi” (Giostri, 2016 – do qual, um dos contos foi traduzido para o inglês no Canadá), além das peças teatrais “Quarto Feito de Cinzas” (traduzida para o italiano para ser apresentada na Itália), “Elevador para o Paraíso” e “Três por Quarto”. Premiado no Prêmio Guarulhos de Literatura (categorias Livro do Ano e Escritor do Ano) e no Concurso Literário do Instituto Federal São Paulo. É coordenador do Departamento de Português da escola internacional Saint Nicholas, em São Paulo, onde também atua como professor de Português e de Literatura Brasileira. É professor de Inglês no curso Cel Lep. Formado e pós-graduado pela Universidade de São Paulo em Letras (Português, Inglês e Alemão), é crítico literário e resenhista de livros para várias revistas de arte e literatura, como a “Germina”, onde assina a coluna “Adrenalina nas Entrelinhas”. É paulistano e nasceu em 29 de janeiro de 1965. Participou do último filme da diretora Anna Muylaert, “Mãe só há uma”, fazendo uma figuração como o professor de literatura do protagonista.

2 comentários em ““Festa de Formatura”: Um elenco estrelado em uma sucessão de clichês/”The Prom”: a starred cast in a sequence of clichés – 14 de janeiro de 2021

  1. É, Anderson querido…

    Nem sempre nossas divas/os musas e estrelas/astros podem escolher… mas acho importante mostrar a versatilidade e o brilho mesmo em uma obra menor… atingem a um público que eventualmente não os veria em gênero que lhe seja menos “apetitoso” ou mais complexo.

    Beijos e abraços e parabéns pelo sucesso!

    Alê

    Curtido por 1 pessoa

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