A Morte de Maradona/Maradona´s Death

Maradona relata bronca após gol de mão: "Cala a boca e continua  comemorando" | futebol argentino | ge

Chorei este poema após a morte do Maradona./I cried this poem after Maradona´s death

Ao Mar, a Dona

O mar é um horizonte de belos e bons ares

O mar é lento, é lenda

O mar é muito, é mito

O mar é um tempo de ampulhetas

O mar é uma onda

que sobe alto e toca o dedo do céu

mas depois desce forte 

e, de peixinho,

mergulha de cabeça no calor subterrâneo

O mar é um amargo gole em uma caneca Canniggia

O mar é um cano de enganos

O mar é uma bola

O mar é redondo, mas

O mar tem ângulos

O mar é um gol, uma trave, um entrave

O mar tem sal

O mar espuma

Um branco pó

Um dó

Uma dor

Amadora

Profissional

O mar, em horas,

No agora do gol

Agoniza um trago

Um tango

Um drible improvável

Na pátria

Na máfia

O mar é água

O mar é líquido

Escorre pelas mãos

Corre com as mãos

O mar é não

O mar é tão

O mar é são

O mar, então,

è uma guerra que mal vi nas

poucas vidas duramente ditadas

O mar é um século

O mar são vinte séculos

O mar é um século que acabou ontem

Após 90 minutos

Em um tiro artilheiro

O mar é um chute canhoto

O mar é um raio escanteio

O mar é um impedimento

Uma bandeira vermelha erguida com o punho fechado

O mar é fêmea

O mar é a mar

A mar é um sentimento que tem dono

Ao Mar, a Dona

Anderson Borges Costa

Publicado por Anderson Borges Costa

Anderson Borges Costa, brasileiro, é autor dos romances “Rua Direita” (Chiado, 2013), “Avenida Paulista, 22″ (Giostri, 2019) e do livro de contos “O Livro que não Escrevi” (Giostri, 2016 – do qual, um dos contos foi traduzido para o inglês no Canadá), além das peças teatrais “Quarto Feito de Cinzas” (traduzida para o italiano para ser apresentada na Itália), “Elevador para o Paraíso” e “Três por Quarto”. Premiado no Prêmio Guarulhos de Literatura (categorias Livro do Ano e Escritor do Ano) e no Concurso Literário do Instituto Federal São Paulo. É coordenador do Departamento de Português da escola internacional Saint Nicholas, em São Paulo, onde também atua como professor de Português e de Literatura Brasileira. É professor de Inglês no curso Cel Lep. Formado e pós-graduado pela Universidade de São Paulo em Letras (Português, Inglês e Alemão), é crítico literário e resenhista de livros para várias revistas de arte e literatura, como a “Germina”, onde assina a coluna “Adrenalina nas Entrelinhas”. É paulistano e nasceu em 29 de janeiro de 1965. Participou do último filme da diretora Anna Muylaert, “Mãe só há uma”, fazendo uma figuração como o professor de literatura do protagonista.

6 comentários em “A Morte de Maradona/Maradona´s Death

  1. Lindo poema, Dê !Um sentimento puro de um brasileiro apaixonado por um argentino, que dentro de campo sangrava por sua camisa azul e branca ! E fora dele, na maioria das vezes com o punho fechado, na direção da sua, da nossa esquerda, cada vez mais distante de seus objetivos tão fortemente sonhados de liberdade, de humanização.Só assim mesmo, com uma “partida” antecipada como esta, para relembrar do verdadeiro futebol que o mundo já nos mostrou !Bjão, amigo ! Enviado do Yahoo Mail no Android

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