O filme “Borat” é um deboche que provocará reações extremas no espectador/”Borat” is debauchery and provokes extreme reactions in the viewers

The new 'Borat' is a superhero movie. Mocking the cruel and powerful is a  great skill right now.

O filme “Borat 2” tem como tema a hipocrisia. Especificamente a hipocrisia na sociedade americana, que vende para o mundo e para si mesma que a felicidade está escondida atrás de uma casa com garagem de classe média em um bairro arborizado e não muito afastado de uma igreja cristã. De preferência, sob a pele branca e racista. De preferência, sob o governo de um presidente negacionista. De preferência, com um olhar enviesado e machista.

O filme estreou na sexta-feira (23 de outubro) na Amazon Prime. Gravado em sigilo durante a quarentena, “Borat” é uma mistura de ficção com documentário. Ou é um falso documentário, um documentário hipócrita, negacionista de seu verdadeiro gênero. O ator Sacha Baron Cohen faz novamente o papel de um jornalista do Cazaquistão, que, para sair da prisão onde se encontra, condenado pelo fracasso em que sua nação se meteu, precisa entregar um presente ao presidente McDonald Trump (sim, você leu certo). O deboche recheia a trama da primeira à última cena, e o lançamento no fim de outubro não deixa dúvidas de que o filme pretende causar um estrago na eleição presidencial americana daqui a algumas semanas. Em tempos de Covid, o filme pode contagiar também as eleições municipais no Brasil, já que, logo nas primeiras cenas, ao lado de “líderes mundiais durões” como os ditadores Putin e Kim Jong-un, surge na tela um tal de Jair  Bolsonaro. 

Este é o típico filme que raramente vai provocar reações medianas. Ou você vai adorar, ou detestar. Eu dei muitas risadas, do começo ao fim.

English The film “Borat 2” portraits hypocrisy as its main theme. Specifically the hypocrisy in American society, which sells to the world and to itself that happiness is hidden behind a house with a middle class garage in a leafy neighborhood and not far from a Christian church. Preferably, under white, racist skin. Preferably, under the government of a negationist president. Preferably, with a biased and sexist look.

The film premiered on Friday (October 23) on Amazon Prime. Recorded in secrecy during the quarantine, “Borat” is a mixture of fiction and documentary. Or is it a false documentary, a hypocritical documentary, denialist of its true genre. Actor Sacha Baron Cohen again plays the role of a Kazakh journalist, who, in order to get out of prison where he finds himself, condemned by the failure his nation has been in, needs to deliver a gift to President McDonald Trump (yes, you read that right) . The debauchery fills the film from the first to the last scene, and the release in late October leaves no doubt that the movie intends to wreak havoc on the American presidential election in a few weeks. In times of Covid, “Borat” can also infect the November elections in Brazil, since, in the first scenes, alongside “tough world leaders” like the dictators Putin and Kim Jong-un, a guy named Jair Bolsonaro appears on the screen .

This is the typical film that will rarely provoke balanced reactions. You will either love it or hate it. I laughed a lot, from beginning to end.

Publicado por Anderson Borges Costa

Anderson Borges Costa, brasileiro, é autor dos romances “Rua Direita” (Chiado, 2013), “Avenida Paulista, 22″ (Giostri, 2019) e do livro de contos “O Livro que não Escrevi” (Giostri, 2016 – do qual, um dos contos foi traduzido para o inglês no Canadá), além das peças teatrais “Quarto Feito de Cinzas” (traduzida para o italiano para ser apresentada na Itália), “Elevador para o Paraíso” e “Três por Quarto”. Premiado no Prêmio Guarulhos de Literatura (categorias Livro do Ano e Escritor do Ano) e no Concurso Literário do Instituto Federal São Paulo. É coordenador do Departamento de Português da escola internacional Saint Nicholas, em São Paulo, onde também atua como professor de Português e de Literatura Brasileira. É professor de Inglês no curso Cel Lep. Formado e pós-graduado pela Universidade de São Paulo em Letras (Português, Inglês e Alemão), é crítico literário e resenhista de livros para várias revistas de arte e literatura, como a “Germina”, onde assina a coluna “Adrenalina nas Entrelinhas”. É paulistano e nasceu em 29 de janeiro de 1965. Participou do último filme da diretora Anna Muylaert, “Mãe só há uma”, fazendo uma figuração como o professor de literatura do protagonista.

4 comentários em “O filme “Borat” é um deboche que provocará reações extremas no espectador/”Borat” is debauchery and provokes extreme reactions in the viewers

  1. “Borat subsequent moviefilm” foi muito bom. Adorei como ele conseguia chegar a situações cômicas, simplesmente pelo fato da maioria das pessoas não esclarecerem os fatos (e.i. Pastor e bebe). Ao mesmo tempo, achei bem interessante como eles tem uma distinção entre “conspiracy theories” e realidade, porém os artigos que alocam a cada uma destas categorias soa dos mais diversos. Filme extremamente engraçado (e uma realidade triste).

    Curtido por 1 pessoa

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