Minhas Maratonas de Séries sobre Prisões/Binge Watching Series on Prisons

Prison Break (season 5) - Wikipedia

Quem me conhece sabe que eu tenho uma curiosidade genuína pelo universo das prisões, no Brasil e no mundo. O ser humano, confinado dentro de uma cela, sozinho ou com mais 50 presos, revela facetas da personalidade que nem sempre são visíveis no mundo fora da cadeia. Adoro ler romances, ver filmes, peças de teatro e séries que abordam presídios e presos. Há dois anos faço um trabalho voluntário na Penitenciária Feminina da Capital, no Carandiru, onde dou aula de português para presas estrangeiras.

Por isso, não posso me queixar do cardápio de séries prisionais que o streaming oferece. Assisti a várias delas e acabo de maratonar “Prison Break” na Amazon Prime. Esta é uma série que exige fôlego, não dá brecha para o espectador se levantar nem para ir ao banheiro. O roteiro é ágil, e os personagens, bem desenvolvidos, pouco maniqueístas. Minha única crítica é no exagero de reviravoltas; me pegava várias vezes torcendo para um personagem que, no episódio anterior, era o vilão da história. Mas é feita com inteligência.

Na Netflix, a série documental britânica “Por Dentro das Prisões mais Severas do Mundo” é uma  viagem real para o interior das cadeias e traz  o contato com perigosos prisioneiros em penitenciárias em países como Paraguai, Papua Nova Guiné, Noruega, Ilhas Maurício, Lesoto, Alemanha, Costa Rica e Brasil, onde o jornalista e apresentador inglês Raphael Rowe passa uma semana na penitenciária de Porto Velho. Gostei tanto desta série que cheguei a trocar e-mails com Raphael Rowe, o homem que, aos 20 anos, foi condenado à prisão perpétua e passou 12 anos preso por um crime que não cometeu. Na prisão, estudou jornalismo e hoje trabalha para a BBC.

A brasileira “Irmandade” é filmada em um presídio real e ativo em Curitiba. Isso me atraiu bastante. Seu Jorge tem uma atuação convincente, mas há momentos cansativos. No geral, vale a pena, apesar de cenas dispensáveis por enfatizarem lugares- comuns. É uma janela para conhecermos o PCC.

Nossos vizinhos argentinos também nos mostram um sujo universo carcerário em Buenos Aires na ótima “El Marginal”. Ainda vou ver o remake mexicano de “El Marginal”, intitulado “O Recluso”. Achei “Orange is the New Black” a mais leve de todas as séries prisionais. O livro é mais pesado e mais incitante.

Interessante notar a quantidade de séries que retratam prisões femininas: além de “Orange is the New Black”, gostei muito da espanhola “Vis a Vis” (com duas ótimas atrizes que também atuam em “Casa de Papel”) e a mais fraquinha de todas, a americana “Irmãs de Cela”, que mostra cenas românticas na qual presas namoram presos mandando mensagens de amor através de bilhetes soprados dentro de uma suja privada. O amor parece ser cego e sem olfato. Por fim, tem também uma que ainda não vi: “Prisão de Mulheres”. 

Já que a arte imita a vida, a quantidade de séries sobre prisões, masculinas e femininas, é um eco do infelizmente crescente número de homens e mulheres que são aprisionados em celas que falam muitas línguas. A justiça, porém, quase sempre é uma língua que raramente anda de mãos dadas com o cárcere. 

English Anyone who knows me is aware that I have a genuine curiosity for the world of prisons, in Brazil and in the world. The human being, confined in a cell, alone or with more than 50 prisoners, reveals facets of personality that are not always visible outside of jail. I love reading novels, watching films, plays and series that deal with prisons and inmates. For two years I have been doing volunteer work at the Women’s Penitentiary  in Carandiru, São Paulo, where I teach Portuguese to foreign inmates.

Therefore I can’t complain about the prison series menu that digital streaming offers. I watched several of them and I have just binge watched “Prison Break” on Amazon Prime. This is a series that requires breath, does not allow the viewer to get up or even go to the bathroom. The script is agile, and the characters, round and well developed. My only criticism is the exaggeration of twists; I caught myself several times rooting for a character who, in the previous episode, was the villain of the story. But it is done with intelligence. 

On Netflix, the British documentary series “Inside the World’s Toughest Prisons” is a real journey into the prison system and brings you into contact with dangerous inmates in tough prisons in countries like Paraguay, Papua New Guinea, Norway, Mauritius, Lesotho , Germany, Costa Rica and Brazil, where English journalist and presenter Raphael Rowe spent a week in the Porto Velho penitentiary. I enjoyed this series so much that I even exchanged emails with Raphael Rowe, the man who, at age 20, was sentenced to life in a supermax security prison and spent 12 years there for a crime he did not commit. In prison, he studied journalism and now, free, works for the BBC.

Brazilian series “Brotherhood” is shot in a real and active prison in Curitiba. This attracted me. Seu Jorge has a convincing performance, although there are tiring moments. Overall, it is worth watching, despite scenes that are unnecessary because of the emphasis on clichés. However, it is a window to get to know the PCC gang.

Argentina also shows us a dirty prison universe in Buenos Aires in the very good “El Marginal” series. I am also looking forward to watching the Mexican remake of “El Marginal”, entitled “The Inmate”. I found “Orange is the New Black” the lightest of all the prison series. The book which it is based on is heavier and more inciting.

It is interesting to note the amount of series that depict female prisons: in addition to “Orange is the New Black”, I also liked the Spanish “Vis a Vis” (with two great actresses who also act in “Money Heist”) and the weakest of all, the American “Jailbirds”, which shows romantic scenes in which female inmates date male prisoners by blowing love messages through a dirty toilet. Love seems to be blind and without smell. Finally, there is also one series I haven’t seen yet: “The Yard”.

Since art imitates life, the amount of series on prisons, male and female, is an echo of the unfortunate growing number of men and women who are imprisoned in cells that speak many languages. Justice, however, is almost always a language that rarely goes hand in hand with prison. 

4 comentários em “Minhas Maratonas de Séries sobre Prisões/Binge Watching Series on Prisons

  1. Olá meu caro! Muito legal esse texto. Estou usando para estudar. Leio e releio e confiro aquilo que realmente não consegui captar, aí recorro ao português. Estou gostando e recomendo aos meus colegas.

    Um forte abraço.

    Nilton Coelho Enviado via iPhone

    >

    Curtido por 1 pessoa

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