“Lupin” é uma série que nos diz que vidas negras são inteligentes/”Lupin” is a series which tells us that black lives are intelligent

Lupin (TV Series 2021– ) - IMDb

Quando pensamos em Robin Hood, nos vem à cabeça a imagem de alguém que rouba dos ricos para dar aos pobres. Pois Assane Diop, o protagonista da série “Lupin”, que estreou nos primeiros dias de 2021 na Netflix, traz semelhanças com Robin Hood. No entanto, Diop dá seus golpes nos ricaços de Paris com um único objetivo em mente: vingar a morte de seu pai, preso e acusado injustamente, por uma família de milionários, de um roubo que não cometeu. O curioso é que o herói em “Lupin” é vivido por um protagonista negro, o ator Omar Sy (do filme ‘Os Intocáveis”), o que traz um tempero a mais a esta interessante série francesa.

Inspirado na série de livros do personagem Arsène Lupin, do autor de romances policiais franceses Maurice Leblanc, a série da Netflix é centrada no “cavalheiro ladrão” Assane Diop, leitor voraz dos romances de Leblanc. Assane tem como maior arma sua inteligência, que o coloca sempre um passo à frente de quem o quer capturar. Ao assistirmos à série, nós torcemos para que suas estratégias funcionem – e não nos decepcionamos. No entanto, aí reside um ponto fraco em “Lupin”: de tão esperto, suas ações tornam-se previsíveis. Quem sabe na próxima temporada os roteiristas calibrem este detalhe no enredo. 

Gostei de ver um protagonista negro, que é, ao mesmo tempo, talentoso, bonito e inteligente. Um poderoso ingrediente em tempos de “Black Lives Matter”. Ponto para a Netflix. Esta é uma daquelas séries que sentimos dificuldade em parar de ver até que acabe o último episódio. Pena que a primeira temporada só tenha 5 episódios. Que chegue logo a continuação de “Lupin”. E que ator interessante este Omar Sy. Olho nele! 

Termino o texto com a ironia presente no nome do autor do romance que inspirou a série: “Leblanc”, em francês, significa “O branco”.

English – When we think of Robin Hood, the image of someone who steals from the rich to give to the poor comes to mind.  Assane Diop, the protagonist of the “Lupin” series, which debuted in the early days of 2021 on Netflix, bears similarities to Robin Hood. However, Diop cheats on the wealthy in Paris with a single goal in mind: to avenge the death of his father, imprisoned and unjustly accused, by a family of millionaires, of a theft he did not commit. The interesting thing is that the hero in “Lupin” is acted out by a black protagonist, actor Omar Sy (from the movie “The Intouchables”), which brings an extra spice to this intriguing French series.

Inspired by the novel series on the character Arsène Lupine, by the author of French crime novels Maurice Leblanc, the Netflix series is focused on the “gentleman thief” Assane Diop, a voracious reader of Leblanc’s novels. Assane’s greatest weapon is his intelligence, which always puts him one step ahead of anyone who wants to capture him. As we watch the series, we always hope his cunning strategies work – and we do not get disappointed. However, therein lies a weakness in “Lupin”: he is so clever, his actions become predictable. Perhaps, next season, screenwriters will calibrate this detail in the plot.

I liked to see a black protagonist, who is, at the same time, talented, handsome and intelligent. A powerful ingredient in times of “Black Lives Matter”. Well done, Netflix. This is one of those series that we find it difficult to stop watching until the last episode is over. Too bad the first season only has 5 episodes. May the second season of “Lupin” come soon. And what an interesting actor this Omar Sy. Watch him closely! 

I end this text remembering the irony inside the name of the author of the novel which inspired the series: “Leblanc”, in French, means “The white”.

Publicado por Anderson Borges Costa

Anderson Borges Costa, brasileiro, é autor dos romances “Rua Direita” (Chiado, 2013), “Avenida Paulista, 22″ (Giostri, 2019) e do livro de contos “O Livro que não Escrevi” (Giostri, 2016 – do qual, um dos contos foi traduzido para o inglês no Canadá), além das peças teatrais “Quarto Feito de Cinzas” (traduzida para o italiano para ser apresentada na Itália), “Elevador para o Paraíso” e “Três por Quarto”. Premiado no Prêmio Guarulhos de Literatura (categorias Livro do Ano e Escritor do Ano) e no Concurso Literário do Instituto Federal São Paulo. É coordenador do Departamento de Português da escola internacional Saint Nicholas, em São Paulo, onde também atua como professor de Português e de Literatura Brasileira. É professor de Inglês no curso Cel Lep. Formado e pós-graduado pela Universidade de São Paulo em Letras (Português, Inglês e Alemão), é crítico literário e resenhista de livros para várias revistas de arte e literatura, como a “Germina”, onde assina a coluna “Adrenalina nas Entrelinhas”. É paulistano e nasceu em 29 de janeiro de 1965. Participou do último filme da diretora Anna Muylaert, “Mãe só há uma”, fazendo uma figuração como o professor de literatura do protagonista.

2 comentários em ““Lupin” é uma série que nos diz que vidas negras são inteligentes/”Lupin” is a series which tells us that black lives are intelligent

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