Eu estou de Chico. De Buarque. De Música e de seu último livro: “Essa Gente”/I am menstruating Chico Buarque´s latest novel

Eu estou sempre de Chico. E de Buarque. E de Holanda. Na música e na literatura. Acabo de ler o mais recente livro de Chico Buarque, Essa Gente”, escrito em forma de diário, de cartas, quase como se fosse um blog narrativo. É um enredo bem-humorado, sensual e dramático. Mas, comparado a outros romances de Chico, “Essa Gente” me pareceu menor, menos trabalhado, escrito talvez com preguiça, sem tanta ambição estética e com um final previsível.

“Essa Gente” é um retrato do Brasil atual: um país cafona, violento, pobre. Um país pautado por evangélicos, com um governo que persegue cidadãos de esquerda, cujos filhos sofrem bullying na escola. “Essa Gente” é a nossa gente, somos nós, que vivemos em um cotidiano cafona, violento e em contagem regressiva. O revólver, agora com imposto-zero no Brasil, pode nos levar a um final pouco nobre, de uma gente… indigente. Se “Essa Gente” fosse uma canção, talvez seu primeiro verso pudesse ser “Todo dia ela faz tudo sempre igual”.

English – I like Chico Buarque. His songs and his novels. I have just read Chico Buarque’s latest novel, “Essa Gente” (“These People”), written in the form of a diary, of letters, almost as if it were a narrative blog. It is a humorous, sensual and dramatic plot. But, compared to other Chico’s novels, “Essa Gente” seemed like a minor work, written perhaps with laziness, without so much aesthetic ambition and with a predictable ending.

“Essa Gente” is a portrait of Brazil today: a tacky, violent, poor country. A country guided by evangelists, with a government that persecutes left-wing citizens, whose children are bullied at school. “Essa Gente” is our people, it is us, who live in a tacky, violent environment where we keep counting down every minute of our lives. A gun, now a tax free tool in Brazil, can lead us to an un-noble and indigent end. If “Essa Gente” was a song, maybe its first line would be Chico Buarque´s opening line in his song “Cotidiano”.

Publicado por Anderson Borges Costa

Anderson Borges Costa, brasileiro, é autor dos romances “Rua Direita” (Chiado, 2013), “Avenida Paulista, 22″ (Giostri, 2019) e do livro de contos “O Livro que não Escrevi” (Giostri, 2016 – do qual, um dos contos foi traduzido para o inglês no Canadá), além das peças teatrais “Quarto Feito de Cinzas” (traduzida para o italiano para ser apresentada na Itália), “Elevador para o Paraíso” e “Três por Quarto”. Premiado no Prêmio Guarulhos de Literatura (categorias Livro do Ano e Escritor do Ano) e no Concurso Literário do Instituto Federal São Paulo. É coordenador do Departamento de Português da escola internacional Saint Nicholas, em São Paulo, onde também atua como professor de Português e de Literatura Brasileira. É professor de Inglês no curso Cel Lep. Formado e pós-graduado pela Universidade de São Paulo em Letras (Português, Inglês e Alemão), é crítico literário e resenhista de livros para várias revistas de arte e literatura, como a “Germina”, onde assina a coluna “Adrenalina nas Entrelinhas”. É paulistano e nasceu em 29 de janeiro de 1965. Participou do último filme da diretora Anna Muylaert, “Mãe só há uma”, fazendo uma figuração como o professor de literatura do protagonista.

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