“Roda Viva” é digestão cerebral/”Life Goes On” is digestion for the brain

Teatro Oficina apresenta 'Roda Viva', de Chico Buarque, no Bixiga

Ir ao teatro Oficina, em São Paulo, assistir a uma peça dirigida por Zé Celso Martinez Corrêa é um ritual único e desafiador. Afinal, quem se dispõe a esperar em uma fila para comprar ingresso (e correr o risco de voltar pra casa de mãos vazias) para ver uma peça de 5 ou 6 horas sentado em uma arquibancada de cimento sem encosto? O interessante disso é que, quem vai, geralmente, quer voltar.

Foi assim comigo na noite de ontem, quando assisti à peça “Roda Viva”. A história de um músico que, com o objetivo de fazer sucesso a qualquer preço, se vende para um empresário ambicioso, que o força a se descaracterizar para atingir a glória, é um texto menor de Chico Buarque. No entanto, nas mãos de Zé Celso, a peça ganha um vigor absurdo, ao som de uma competente banda que toca ao vivo e, principalmente, do excelente ator que interpreta o empresário Anjo, Guilherme Calzavara. Apesar do fraco desempenho do protagonista, que faz o papel do músico Ben Silver (Roderick Himeros), assistir a “Roda Viva” é um desconfortável programa de sábado à noite, que levamos anos para digerir no cérebro.

In English: Going to Oficina Theater, in São Paulo, in order to see a play directed by Zé Celso Martinez Corrêa is a challenging ritual. You usually need to wait in line to get a ticket to watch a 5-6 hour long play sitting on an uncomfortable cement bench. Surprisingly, most people who undergo this ritual generally enjoy the experience.

I went to Oficina yesterday to watch “Life goes on” (“Roda Viva”) – the story of a singer whose aim is to become famous at any price and falls in the hands of an ambitious manager, who makes him change his original style to first gain and eventually lose fame. Although “Roda Viva” is a minor text by Chico Buarque, in the hands of Zé Celso, the play becomes super powerful. The highlight is the performance of actor Guilherme Calzavara and the awesome band on stage (although Oficina has no specific stage). “Roda Viva” is an uncomfortable Saturday night show, which will take years to be digested by the brain.

Publicado por Anderson Borges Costa

Anderson Borges Costa, brasileiro, é autor dos romances “Rua Direita” (Chiado, 2013), “Avenida Paulista, 22″ (Giostri, 2019) e do livro de contos “O Livro que não Escrevi” (Giostri, 2016 – do qual, um dos contos foi traduzido para o inglês no Canadá), além das peças teatrais “Quarto Feito de Cinzas” (traduzida para o italiano para ser apresentada na Itália), “Elevador para o Paraíso” e “Três por Quarto”. Premiado no Prêmio Guarulhos de Literatura (categorias Livro do Ano e Escritor do Ano) e no Concurso Literário do Instituto Federal São Paulo. É coordenador do Departamento de Português da escola internacional Saint Nicholas, em São Paulo, onde também atua como professor de Português e de Literatura Brasileira. É professor de Inglês no curso Cel Lep. Formado e pós-graduado pela Universidade de São Paulo em Letras (Português, Inglês e Alemão), é crítico literário e resenhista de livros para várias revistas de arte e literatura, como a “Germina”, onde assina a coluna “Adrenalina nas Entrelinhas”. É paulistano e nasceu em 29 de janeiro de 1965. Participou do último filme da diretora Anna Muylaert, “Mãe só há uma”, fazendo uma figuração como o professor de literatura do protagonista.

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