Peça”Brincando com o Fogo”/Play “Playing with Fire”

Grupo Tapa encena 'Brincando com Fogo', de Strindberg - Cultura - Estadão

Uma das principais companhias teatrais de São Paulo (o Grupo Tapa) encenando um dos mais renomados dramaturgos do século XIX (o sueco August Strindberg) só poderia resultar em uma bela produção nos palcos brasileiros, certo? Só que não. Fui ontem ver a estreia da peça “Brincando com o Fogo” no Teatro Aliança Francesa em São Paulo e não tive vontade de me levantar para aplaudir no final. O autor sueco escreve textos que se passam em espaços fechados (geralmente o interior de uma casa) para retratar criticamente as relações de  famílias burguesas. No entanto, nesta montagem do Tapa, o que se vê é um texto raso sobre um triângulo (ou quinteto) amoroso, envolvendo um casal que tem um relacionamento morno e burocrático e um amigo, que passa uma temporada morando em um quarto na casa deles. Além destes três, há os pais do marido, que são presença constante e incômoda (para o casal) na casa que o pai deu para o filho (um artista pouco chegado ao trabalho) morar de graça. O pai do artista, aliás, parece ter um caso amoroso com a moça que trabalha na casa do casal. 

A interpretação dos atores é artificial e pouco inspirada, com falas mornas que não dão a dramaticidade necessária possivelmente imaginada por Strindberg. O cenário (a sala do artista, com quadros que ele produz e um espelho que reflete o personagem nele pintado) não compromete e aponta para uma ideia interessante de metalinguagem. O saldo final, no entanto, é frustrante.

In English: One of the most renown theater companies in Brazil (Grupo Tapa) performing a text by one of the most famous playwrights ever (Swedish August Strindberg) should certainly be a successful combo. However, the performance of “Playing with Fire” in São Paulo is nothing less than embarrassing. Actors deliver a poor performance with lines artificially articulated. In a word: frustrating.

Publicado por Anderson Borges Costa

Anderson Borges Costa, brasileiro, é autor dos romances “Rua Direita” (Chiado, 2013), “Avenida Paulista, 22″ (Giostri, 2019) e do livro de contos “O Livro que não Escrevi” (Giostri, 2016 – do qual, um dos contos foi traduzido para o inglês no Canadá), além das peças teatrais “Quarto Feito de Cinzas” (traduzida para o italiano para ser apresentada na Itália), “Elevador para o Paraíso” e “Três por Quarto”. Premiado no Prêmio Guarulhos de Literatura (categorias Livro do Ano e Escritor do Ano) e no Concurso Literário do Instituto Federal São Paulo. É coordenador do Departamento de Português da escola internacional Saint Nicholas, em São Paulo, onde também atua como professor de Português e de Literatura Brasileira. É professor de Inglês no curso Cel Lep. Formado e pós-graduado pela Universidade de São Paulo em Letras (Português, Inglês e Alemão), é crítico literário e resenhista de livros para várias revistas de arte e literatura, como a “Germina”, onde assina a coluna “Adrenalina nas Entrelinhas”. É paulistano e nasceu em 29 de janeiro de 1965. Participou do último filme da diretora Anna Muylaert, “Mãe só há uma”, fazendo uma figuração como o professor de literatura do protagonista.

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