Fui Premiado no Concurso Literário “Abrace um Autor”/I was awarded a Literature Prize

Resultado final do Concurso Literário Abrace um Autor 2019

 Acabo de ser informado que fui um dos vencedores do Prêmio Literário “Abrace um Autor”, organizado pelo Instituto Federal São Paulo, na categoria conto. Com mais de 1000 inscritos, de dez países, meu conto “Dedicatória” ficou em segundo lugar. Dedico este prêmio a todos vocês, que seguem o meu trabalho por aqui. Grande abraço!

English – I have just been informed that I was one of the winners of the Literary Award “Embrace an Author”, organized by the Federal Institute of São Paulo, in the short story category. With more than 1,000 writers, from ten different countries, my short story “Dedicatória” was the second best. I dedicate this award to all of you, who follow my work here.

Fui convidado a escrever poemas para fotografias/I was invited to write poems for photographs

O fotógrafo italiano Matteo Perazzo, que vive em Londres, me convidou para escrever poemas em inglês para suas fotografias. Para ver como as imagens conversam com as palavras, veja o site do Matteo e clique sobre o meu nome:
https://www.matteoperazzo.com/

English – Italian photographer Matteo Perazzo, who lives in London, has invited me to write poems in English for his photographs. If you want to see how  the images and the words talk in the photographs and the poems, please check out Matteo´s website and click on my name at the bottom of each page: https://www.matteoperazzo.com/  Hope you enjoy them.

O filme “Borat” é um deboche que provocará reações extremas no espectador/”Borat” is debauchery and provokes extreme reactions in the viewers

The new 'Borat' is a superhero movie. Mocking the cruel and powerful is a  great skill right now.

O filme “Borat 2” tem como tema a hipocrisia. Especificamente a hipocrisia na sociedade americana, que vende para o mundo e para si mesma que a felicidade está escondida atrás de uma casa com garagem de classe média em um bairro arborizado e não muito afastado de uma igreja cristã. De preferência, sob a pele branca e racista. De preferência, sob o governo de um presidente negacionista. De preferência, com um olhar enviesado e machista.

O filme estreou na sexta-feira (23 de outubro) na Amazon Prime. Gravado em sigilo durante a quarentena, “Borat” é uma mistura de ficção com documentário. Ou é um falso documentário, um documentário hipócrita, negacionista de seu verdadeiro gênero. O ator Sacha Baron Cohen faz novamente o papel de um jornalista do Cazaquistão, que, para sair da prisão onde se encontra, condenado pelo fracasso em que sua nação se meteu, precisa entregar um presente ao presidente McDonald Trump (sim, você leu certo). O deboche recheia a trama da primeira à última cena, e o lançamento no fim de outubro não deixa dúvidas de que o filme pretende causar um estrago na eleição presidencial americana daqui a algumas semanas. Em tempos de Covid, o filme pode contagiar também as eleições municipais no Brasil, já que, logo nas primeiras cenas, ao lado de “líderes mundiais durões” como os ditadores Putin e Kim Jong-un, surge na tela um tal de Jair  Bolsonaro. 

Este é o típico filme que raramente vai provocar reações medianas. Ou você vai adorar, ou detestar. Eu dei muitas risadas, do começo ao fim.

English The film “Borat 2” portraits hypocrisy as its main theme. Specifically the hypocrisy in American society, which sells to the world and to itself that happiness is hidden behind a house with a middle class garage in a leafy neighborhood and not far from a Christian church. Preferably, under white, racist skin. Preferably, under the government of a negationist president. Preferably, with a biased and sexist look.

The film premiered on Friday (October 23) on Amazon Prime. Recorded in secrecy during the quarantine, “Borat” is a mixture of fiction and documentary. Or is it a false documentary, a hypocritical documentary, denialist of its true genre. Actor Sacha Baron Cohen again plays the role of a Kazakh journalist, who, in order to get out of prison where he finds himself, condemned by the failure his nation has been in, needs to deliver a gift to President McDonald Trump (yes, you read that right) . The debauchery fills the film from the first to the last scene, and the release in late October leaves no doubt that the movie intends to wreak havoc on the American presidential election in a few weeks. In times of Covid, “Borat” can also infect the November elections in Brazil, since, in the first scenes, alongside “tough world leaders” like the dictators Putin and Kim Jong-un, a guy named Jair Bolsonaro appears on the screen .

This is the typical film that will rarely provoke balanced reactions. You will either love it or hate it. I laughed a lot, from beginning to end.

No último livro de Carlos Heitor Cony, a ficção está acima de todos/In Carlos Heitor Cony´s last novel, fiction is above all

Operação Condor | Amazon.com.br

Eu gosto de livros que misturam ficção com realidade. Livros que questionam os fatos históricos e acrescentam neles personagens, motivações e diálogos. A literatura é livre para brincar com a realidade, para torná-la mais real ao ficcionalizá-la. Por isso, gosto tanto do filme “Bastardos Inglórios”, do Tarantino, no qual o diretor americano reescreve a História, corrigindo-a de seus erros. Nele, o Nazismo é extirpado como um câncer dentro de um cinema, cuja dona é uma judia. Esta brincadeira, que é a própria razão de ser da ficção, está presente no livro “Operação Condor”, de Carlos Heitor Cony e Anna Lee, que acabei de ler.

Ao ler “operação Condor”, tive a impressão de estar dentro de uma grande reportagem, uma grande investigação. E realmente estava, embora soubesse que quem a estava conduzindo eram personagens fictícios: a jornalista Verônica (que, ironicamente, traz a palavra “verdade” dentro de seu nome) e seu namorado, o “Repórter”. O livro investiga a hipótese de três importantes nomes da política brasileira terem sido vítimas de assassinatos políticos por serem contra a ditadura militar: os ex-presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart e o ex-governador da Guanabara, Carlos Lacerda. Embora pertencentes a partidos diferentes, tinham em comum a oposição ao golpe militar e começavam a esboçar a formação de uma Frente Ampla contra a ditadura. Exilados, os políticos, outrora adversários, por serem populares, representavam uma ameaça ao governo militar, que prendeu, assassinou e torturou quem se opôs a seus desmandos.

Um intervalo de meses separa a morte dos três políticos, um período de menos de um ano nos nublados Anos de Chumbo. Com farta documentação real, os autores voltam no tempo, um tempo em que os governos militares da América do Sul criaram uma rede de colaboração e delação para deletar quem se opunha a eles, a chamada Operação Condor.

A morte é uma personagem importante neste livro. E, ironicamente, um de seus autores, Carlos Heitor Cony, morreu antes de vê-lo publicado. Cony morreu em janeiro de 2018, ano em que o Brasil elegeu para a Presidência da República a ideia de que a ditadura militar deve estar acima de qualquer verdade democrática. A ficção ainda há de corrigir este equívoco.

English I like books that mix fiction with reality. Books that question historical facts and add characters, motivations and dialogs to them. Literature is free to play with reality, to make it more real by fictionalizing it. For this reason, I like Tarantino’s movie “Inglorious Basterds”, in which the American director rewrites History, correcting its mistakes. In this movie, Nazism is extirpated like a cancer inside a movie theater, whose owner is a Jewess. This fun feature, which is the very raison d’être of fiction, is present in the book “Operação Condor” (“Condor Operation”), by Carlos Heitor Cony and Anna Lee, which I just read.

While reading “Condor Operation”, I had the impression that I was inside a big news story, a big journalistic investigation. And in fact I was, although I knew that whoever was leading the investigation were fictional characters: the journalist Verônica (who, ironically, brings the word “truth” within the meaning of her name) and her boyfriend, the “Reporter”. The book investigates the hypothesis that three important names in Brazilian politics were victims of political assassinations for opposing the military dictatorship: ex-president Juscelino Kubitschek and João Goulart and ex-governor of Guanabara State, Carlos Lacerda. Although they had been members of different parties, they had in common the fact that they opposed the military coup and began to outline the formation of a Broad Front against the dictatorship. In exile, these politicians, once adversaries, because they were popular, posed a threat to the military government, which arrested, murdered and tortured those who opposed their misdemeanors.

An interval of months separates the death of the three politicians, a period of less than a year in those cloudy times. With abundant real documentation, the authors go back in time, a time when the military governments of South America created a network of collaboration and denouncement which deleted (murdered) those who opposed them, the so-called Condor Operation.

Death is an important character in this book. And, ironically, one of its authors, Carlos Heitor Cony, died before seeing it published. Cony died in January 2018, the year in which Brazil elected for President the idea that a military dictatorship must be above any democratic truth. Fiction has yet to correct this misconception.

Sobre a música “Sozinha”, de Peninha/About the song “Sozinha”, by Peninha

Caetano Veloso – Ouça na Deezer | Aplicativo de música

Pela primeira vez, fui convidado a escrever um texto para ser traduzido e publicado originalmente em italiano. Foi uma sensação diferente e um processo bacana, de muito diálogo com a tradutora. O convite foi para eu escrever sobre a música “Sozinha”, de Peninha (que fez sucesso na voz do Caetano Veloso), e  que acaba de ser gravada pela italiana Sara Trementini. Para ler o texto em italiano, clique em https://storiedeisamba.blogspot.com/2020/10/sozinho.html

Abaixo, o texto em português:

“Sozinho” (Peninha)

O Brasil, ao longo dos anos, construiu para o mundo a imagem de um país ensolarado e alegre. O sol tropical brilha durante o dia, portanto, quando se pensa em Brasil, imaginamos luz, calor, praia, peles bronzeadas, corpos despidos de vergonhas, liberdade e um permanente sorriso. O Brasil é uma mistura de povos e etnias, água doce dos rios, água salgada do mar. E aridez também. O Brasil se orgulha das suas horas de sol. Mas esconde suas horas noturnas, onde o escuro apaga as estrelas no céu.

A banda de rock progressivo Pink Floyd imortalizou a ideia de que existe um permanente “Dark Side of the Moon”. No entanto, a lua, ao contrário do que muitos imaginam, tem claridade e escuridão em cada centímetro de sua superfície. O Brasil é uma lua e vive, há algum tempo, uma longa noite que vem atrasando a alvorada.

O compositor brasileiro Peninha tem uma filha, Clariana Alves. Quando tinha 14 anos, Clariana namorava um rapaz, com quem brigou. O pai ouviu a briga de Clariana e ficou preocupado com o sofrimento da filha, que chorava por se sentir sozinha e longe do seu amor. Da preocupação com a filha, Peninha compôs “Sozinha”.

A canção de Peninha é noturna, é triste. É o oposto do que o Brasil se acostumou a ser para o mundo. Não é Bossa Nova nem Carmen Miranda. “Sozinha” é silêncio, uma lágrima doce e salgada, com versos que escorrem melancolia:

“Às vezes, no silêncio da noite

Eu fico imaginando nós dois

Eu fico ali sonhando acordada

Juntando o antes, o agora e o depois

Por que você me deixa tão solta?

Por que você não cola em mim?

‘Tô me sentindo muito sozinha” 

Esta música nasceu feminina e foi gravada inicialmente pela cantora Sandra de Sá com seu título original “Sozinha”, pois descrevia a solidão da menina Clariana Alves. Apesar da tristeza do tema da solidão, Sandra de Sá a interpreta com um gingado quase alegre, quase solar, quase dia de tão só.

Depois de Sandra de Sá, a canção foi gravada pela voz rouca, grave e carregada do cantor Tim Maia, um ícone do soul e do funk brasileiros. Com Tim Maia, a música se transformou e passou a ser masculina. “Sozinha” virou “Sozinho”. No trovão da voz de Tim Maia, a canção cresceu e chegou aos ouvidos de Caetano Veloso. Na voz do baiano Caetano, “Sozinho” se transformou em um sucesso imediato e levou seu álbum “Prenda Minha” a atingir um milhão de cópias vendidas.

Agora, a música foi gravada pela italiana Sara Trementini. Com ela, voltou a ser feminina. E a música, novamente em uma voz de menina, voltou a ser lua. Com Sandra de Sá, Tim Maia, Caetano Veloso e Sara Trementini, “Sozinho”, como a lua, completa um ciclo, com quatro fases solitárias que se complementam. E da escuridão da noite de um Brasil tropical, a tristeza da menina solitária exala um brilho secreto, escondido na luz e na brancura que seu nome colore: Clariana Alves, a claridade alva do sol e da lua. 

“Sozinha” é a menina. “Sozinho” é o Brasil, que mergulhou em uma noite escura que tem escondido o ensolarado país tropical em pandemias e autoritarismos políticos que apertam um povo no verso final da canção de Peninha: “Onde está você agora?”.

English – This text was written to be published in Italian on the following site: https://storiedeisamba.blogspot.com/2020/10/sozinho.html

Brazil, over time, gave the world an image of a sunny and cheerful country. The tropical sun shines during the day, therefore, when we think of Brazil, we imagine light, warmth, beach, tanned skins, bodies without shame, freedom and a permanent smile. Brazil is a mixture of peoples and ethnicities, fresh water of rivers, salt water of the sea. And even dryness. Brazil is proud of its sunny hours. But it hides its night hours, in which darkness shuts down stars in the sky.

Pink Floyd’s progressive rock band captured the idea of the existence of a permanent Dark Side of the Moon. Yet the moon, contrary to what many imagine, has light and darkness in every inch of its surface. Brazil is a moon and it’s been living a long night delaying the Aurora for some time.

Brazilian composer Peninha has a daughter, Clariana Alves. At age 14 Clariana had a boyfriend she fought with. Her father heard the two fighting and worried about the suffering of his daughter, who cried feeling lonely and distant from her love. Concern for her daughter inspired Peninha, who composed ′′ Sozinha “.

Peninha’s song is nightly, sad. It’s the opposite of what Brazil used to be for the world. It’s neither Bossa Nova nor Carmen Miranda. ′′ Sozinha ′′ is silence, a sweet and salty tear, with melancholy verses:

′′ Sometimes, in the silence of the night

I find the two of us

Standing there, daydreaming

Uniting the before, the now and the after.

Why are you letting me go so free?

Why don’t you stick to me?

I’m feeling very lonely ′′

This song was born female and was originally recorded by singer Sandra de Sá with the original title ′′ Sozinha” (“Her alone”), as it describes the loneliness of little Clariana Alves. Despite the sadness associated with the theme of loneliness, Sandra de Sá interprets it with an almost cheerful, almost sunny, almost day rhythm of loneliness.

After Sandra de Sá, the song was recorded by the powerful, serious and charged voice of singer Tim Maia, an icon of Brazilian soul and funk. With Tim Maia, the song changes and becomes male. ′′ Sozinha” (“Her alone”) becomes ′′ Sozinho” (“Him alone”). In Tim Maia’s mighty voice, the song grows louder and reaches the ears of Caetano Veloso. In Caetano’s voice, ′“Sozinho ′′ turns into an immediate hit and brings the album ′′ Prenda Minha′′ to reach a million copies sold.

Now the song was recorded by Italian singer Sara Trementini. With her, the song became what it originally was: the female. And the song, again in a girl’s voice, is back to being a moon. With Sandra de Sá, Tim Maia, Caetano Veloso and Sara Trementini, ′′Sozinha”, like the moon, completes a cycle, with four complementary solitary phases. And from the darkness of the night of a tropical Brazil, the sadness of the lonely girl radiates a secret glow, hidden in the light and whiteness that color her name: Clariana Alves, the light of the sun and the moon.

′′Sozinha′′ (“Her alone”) is the girl. ′′Sozinho′′ (“Him alone”) is Brazil, immersed in a dark night that keeps the sunny tropical country hidden behind pandemics and political authoritarianism that oppress a people in the final verse of Peninha’s song: ′′ Where are you now?”

Minhas Maratonas de Séries sobre Prisões/Binge Watching Series on Prisons

Prison Break (season 5) - Wikipedia

Quem me conhece sabe que eu tenho uma curiosidade genuína pelo universo das prisões, no Brasil e no mundo. O ser humano, confinado dentro de uma cela, sozinho ou com mais 50 presos, revela facetas da personalidade que nem sempre são visíveis no mundo fora da cadeia. Adoro ler romances, ver filmes, peças de teatro e séries que abordam presídios e presos. Há dois anos faço um trabalho voluntário na Penitenciária Feminina da Capital, no Carandiru, onde dou aula de português para presas estrangeiras.

Por isso, não posso me queixar do cardápio de séries prisionais que o streaming oferece. Assisti a várias delas e acabo de maratonar “Prison Break” na Amazon Prime. Esta é uma série que exige fôlego, não dá brecha para o espectador se levantar nem para ir ao banheiro. O roteiro é ágil, e os personagens, bem desenvolvidos, pouco maniqueístas. Minha única crítica é no exagero de reviravoltas; me pegava várias vezes torcendo para um personagem que, no episódio anterior, era o vilão da história. Mas é feita com inteligência.

Na Netflix, a série documental britânica “Por Dentro das Prisões mais Severas do Mundo” é uma  viagem real para o interior das cadeias e traz  o contato com perigosos prisioneiros em penitenciárias em países como Paraguai, Papua Nova Guiné, Noruega, Ilhas Maurício, Lesoto, Alemanha, Costa Rica e Brasil, onde o jornalista e apresentador inglês Raphael Rowe passa uma semana na penitenciária de Porto Velho. Gostei tanto desta série que cheguei a trocar e-mails com Raphael Rowe, o homem que, aos 20 anos, foi condenado à prisão perpétua e passou 12 anos preso por um crime que não cometeu. Na prisão, estudou jornalismo e hoje trabalha para a BBC.

A brasileira “Irmandade” é filmada em um presídio real e ativo em Curitiba. Isso me atraiu bastante. Seu Jorge tem uma atuação convincente, mas há momentos cansativos. No geral, vale a pena, apesar de cenas dispensáveis por enfatizarem lugares- comuns. É uma janela para conhecermos o PCC.

Nossos vizinhos argentinos também nos mostram um sujo universo carcerário em Buenos Aires na ótima “El Marginal”. Ainda vou ver o remake mexicano de “El Marginal”, intitulado “O Recluso”. Achei “Orange is the New Black” a mais leve de todas as séries prisionais. O livro é mais pesado e mais incitante.

Interessante notar a quantidade de séries que retratam prisões femininas: além de “Orange is the New Black”, gostei muito da espanhola “Vis a Vis” (com duas ótimas atrizes que também atuam em “Casa de Papel”) e a mais fraquinha de todas, a americana “Irmãs de Cela”, que mostra cenas românticas na qual presas namoram presos mandando mensagens de amor através de bilhetes soprados dentro de uma suja privada. O amor parece ser cego e sem olfato. Por fim, tem também uma que ainda não vi: “Prisão de Mulheres”. 

Já que a arte imita a vida, a quantidade de séries sobre prisões, masculinas e femininas, é um eco do infelizmente crescente número de homens e mulheres que são aprisionados em celas que falam muitas línguas. A justiça, porém, quase sempre é uma língua que raramente anda de mãos dadas com o cárcere. 

English Anyone who knows me is aware that I have a genuine curiosity for the world of prisons, in Brazil and in the world. The human being, confined in a cell, alone or with more than 50 prisoners, reveals facets of personality that are not always visible outside of jail. I love reading novels, watching films, plays and series that deal with prisons and inmates. For two years I have been doing volunteer work at the Women’s Penitentiary  in Carandiru, São Paulo, where I teach Portuguese to foreign inmates.

Therefore I can’t complain about the prison series menu that digital streaming offers. I watched several of them and I have just binge watched “Prison Break” on Amazon Prime. This is a series that requires breath, does not allow the viewer to get up or even go to the bathroom. The script is agile, and the characters, round and well developed. My only criticism is the exaggeration of twists; I caught myself several times rooting for a character who, in the previous episode, was the villain of the story. But it is done with intelligence. 

On Netflix, the British documentary series “Inside the World’s Toughest Prisons” is a real journey into the prison system and brings you into contact with dangerous inmates in tough prisons in countries like Paraguay, Papua New Guinea, Norway, Mauritius, Lesotho , Germany, Costa Rica and Brazil, where English journalist and presenter Raphael Rowe spent a week in the Porto Velho penitentiary. I enjoyed this series so much that I even exchanged emails with Raphael Rowe, the man who, at age 20, was sentenced to life in a supermax security prison and spent 12 years there for a crime he did not commit. In prison, he studied journalism and now, free, works for the BBC.

Brazilian series “Brotherhood” is shot in a real and active prison in Curitiba. This attracted me. Seu Jorge has a convincing performance, although there are tiring moments. Overall, it is worth watching, despite scenes that are unnecessary because of the emphasis on clichés. However, it is a window to get to know the PCC gang.

Argentina also shows us a dirty prison universe in Buenos Aires in the very good “El Marginal” series. I am also looking forward to watching the Mexican remake of “El Marginal”, entitled “The Inmate”. I found “Orange is the New Black” the lightest of all the prison series. The book which it is based on is heavier and more inciting.

It is interesting to note the amount of series that depict female prisons: in addition to “Orange is the New Black”, I also liked the Spanish “Vis a Vis” (with two great actresses who also act in “Money Heist”) and the weakest of all, the American “Jailbirds”, which shows romantic scenes in which female inmates date male prisoners by blowing love messages through a dirty toilet. Love seems to be blind and without smell. Finally, there is also one series I haven’t seen yet: “The Yard”.

Since art imitates life, the amount of series on prisons, male and female, is an echo of the unfortunate growing number of men and women who are imprisoned in cells that speak many languages. Justice, however, is almost always a language that rarely goes hand in hand with prison. 

Cazuza, meus inimigos estão no poder/Cazuza, my enemies are in command

Exagerado: a carreira marcante de Cazuza | Em tempo

Tenho visto muitos vídeos no YouTube. Adoro mergulhar em pessoas e assuntos que me intrigam, que me inspiram, ver entrevistas, shows, conversas. Gente que já se foi há tempos segue muito viva em mim. Um destes que insistem em não morrer para mim é o Cazuza.

Dentro da minha orelha fria, Cazuza segue cochichando segredos encaracolados em ideologias que precisam dizer que me amam. Faz parte do show dele, um show de mentiras sinceras. Tudo isso me interessa, principalmente em tempos de ideologias, eu quero uma. Em tempos de ideologia de gênero, o gênero musical que eu mais tenho ouvido são os versos eróticos que Cazuza compôs olhando a cara da morte.

A morte espirra no Brasil um vírus exagerado, inventado, invadido. O nosso amor, a gente inventa. Meus inimigos estão no poder. A falsidade é popular, pra que usar de tanta educação pra destilar terceiras intenções? Eu ouço Cazuza hoje e escuto o presente como um museu de grandes novidades. Vida louca, vida imensa, O Brasil é um crime que não pensa, não compensa.  Mas que cabe no Bolso.

Eu protegi o teu nome por amor. Amor aos brasileiros que sentem fome e não pensam. Vida intensa. Nós na batida, no embalo da rede, fantasiando segredos. O teu futuro é duvidoso. Brasil, mostra a tua cara, vai. Pro dia nascer feliz.

O Brasil chora. O Brasil arde uma dor. Cazuza morreu há 30 anos. Mas seus versos ainda dançam no infinito dos cliques do You Tube, em um tubo de sonhos. Quem tem um sonho não dança. Cazuza, continue criando versos, nadando contra a corrente. Essa é a vida que eu quis. O tempo anda feio. Por isso, busco no YouTube um às vezes te odeio por quase um segundo, depois te amo mais. O Brasil hoje arde uma dor em que nem as mães são felizes. O Brasil desperdiça o seu mel em tempos em que nem mesmo beija a flor. Eu quero outros tempos. O tempo não para. O Brasil chora uma festa brega de brigas. O Brasil, hoje, é uma dor, um Arpoador. Não me convidaram pra esta festa pobre, mas ela faz parte do nosso triste show. Quero que este show acabe logo, antes da Sessão Coruja, pois estamos por um triz.

Meu Brasil é um Brasil partido. Cazuza, cem gramas, sem dramas, por que a gente é assim?

English I have seen lots of videos on YouTube. I love to dive into people and topics that intrigue me, that inspire me. I love to watch interviews, concerts, talks. People who are long gone are still very much alive in me. One of those who insist on not dying for me is Cazuza.

Inside my cold ear, Cazuza continues to whisper curly secrets in ideologies that need to say that they love me. It is part of his show, a show of sincere lies. All of this interests me, especially in times of ideologies, I want one. In times of gender ideology, the musical genre that I have heard the most are the erotic verses that Cazuza composed looking death in the eyes.

Death in Brazil sneezes an exaggerated, invented, invaded virus. We invent our love. My enemies are in command. Falsehood is popular, why use so much politeness to distill third intentions? I listen to Cazuza today and listen to the present as a museum of great novelties. Crazy life, immense life, Brazil is a crime that does not think, does not pay. But it fits in the pocket of Bolso.

I protected your name out of love. Love for Brazilians who feel hungry and don’t think. Intense life. Us on the beat, us on the net, fantasizing secrets. Your future is doubtful. Brazil, show us your face, please. So another morning can shine in happiness. 

Brazil cries. Brazil burns with pain. Cazuza died 30 years ago. But his verses still dance in the infinite clicks of YouTube, in a tube of dreams. Whoever has a dream does not dance. Cazuza, keep creating verses, swimming against the current. This is the life I wanted. Our times are ugly. So, I search on YouTube the hate I feel for you for almost one second, then I love you more. Brazil today burns a pain in which even mothers are not happy. Brazil wastes its honey in times when it does not even kiss the flower. I want other times. Time does not stop. Brazil mourns a fierce party of fights. Brazil today is a pain in Arpoador. I was not invited to this poor party, but it is part of our sad show. I want this show to end soon, before the Night Owl, because we are on the verge of dying.

My Brazil is a parted Brazil. Cazuza, one hundred grams, without programs, why are we like this?

Tarantino é o meu cineasta favorito/Tarantino is my favorite moviemaker

Pulp Fiction – Wikipédia, a enciclopédia livre

Quentin Tarantino é o meu diretor de cinema favorito. Seus filmes são um diálogo permanente com a cultura pop, com a cultura clássica e com o próprio cinema. Adoro assistir, mas, mais do assistir, eu gosto mesmo é de rever os seus filmes.

Na última semana decidi fazer uma maratona tarantinesca. Assisti na sequência todos os filmes dele disponíveis na Netflix e na Amazon Prime. Vistos em série, fica mais fácil perceber como um filme conversa com o outro, é possível enxergar o fio transparente com que Tarantino costura as histórias. Personagens, nomes e objetos saem de um e visitam outros filmes tarantinescos, recheados com uma violência bem-humorada e sempre com uma trilha sonora deliciosa. 

Em seus filmes, há sempre uma crítica social e uma crítica psicológica, na qual Tarantino costuma dar voz a minorias e tenta “corrigir” a História, assumindo uma culpa social e oferecendo alguma redenção. Em “Bastardos Inglórios”, os judeus, dentro do cinema, derrotam o nazismo. Em “Kill Bill” e em “À Prova de Morte”, a mulher se impõe a séculos de machismo. Em “Django”, o negro escravizado fecha o punho e afirma que “Black Lives Matter”.

No entanto, de todos os filmes do meu diretor favorito, o meu favorito é “Pulp Fiction”. A chave para entendê-lo está no subtítulo da tradução para o português no Brasil: “Tempo de Violência”. O tempo é o condutor das três histórias dentro do filme. Um relógio que passa de geração em geração por um século. O grande astro do cinema na década de 1970 (John Travolta) derrotado pelo grande astro do cinema na década de 1980 (Bruce Willis) dentro do filme feito nos anos 1990. A garota mimada que cresce sob a música “Girl, you will be a woman soon”. Relógios e mais relógios espalhados nas paredes em cenas regadas a violência e suspense comprimem a tensão do espectador em minutos que nos prendem à poltrona. E, ao chegar ao fim do filme, eu volto a ser criança e sempre tenho vontade de assistir a tudo de novo. 

Sim, Tarantino é meu cineasta favorito. Deste e de outros tempos.

English Quentin Tarantino is my favorite movie director. His films are a permanent dialog between pop culture, classic culture and cinema itself. I love to watch them, but, more than watching, I really like to rewatch his movies.

Last week I indulged myself in binge watching Tarantino. I saw all of his films available on Netflix and Amazon Prime. When watched in a sequence, it becomes easier to realize how one film talks to another, and it is possible to see the transparent thread which Tarantino uses to sew his plots. Same characters, names and objects invade and visit his movies, filled with good-natured violence and a delicious soundtrack.

In his films, there is always a social criticism and a psychological criticism, in which Tarantino usually gives voice to minorities and tries to “correct” History, admitting a social guilt and providing some redemption. In “Inglorious Basterds”, the Jews, within the cinema, defeat Nazism. In “Kill Bill” and in “Death Proof”, women impose themselves over centuries of sexism. In “Django”, the enslaved blacks clench their fists and claim that “Black Lives Matter”.

However, of all my favorite director’s movies, my favorite one is “Pulp Fiction”. The key to understanding it is in the title of it in the Brazilian Portuguese translation: “Time of Violence” (“Tempo de Violência”). Time is the driver of the three stories within the film. A watch that passes down from generation to generation for a century. The great movie star in the 1970s (John Travolta) defeated by the big movie star in the 1980s (Bruce Willis) within a movie made in the 1990s. The spoiled girl who grows up under the song “Girl, you`ll be a woman soon”. Clocks and more clocks scattered on the walls in scenes watered with violence and suspense compress the viewer’s tension in minutes that tie us down to the armchair. And when I get to the end of the film, Iike a child, I always feel like watching it all over again.

Yes, Tarantino is my favorite moviemaker. From this and other times.

Não Lerás País Nenhum/You Shall Read No Country-

Não Verás País Nenhum - Ignácio De Loyola Brandão - Traça Livraria e Sebo

George Orwell escreveu a distopia “1984” quarenta anos antes do ano que dá título ao livro, na década de 1940. Nos anos 80 do século vinte, Ignácio de Loyola Brandão escreveu uma distopia cujo enredo se passa em São Paulo em um futuro que poderia ocorrer quarenta anos após a publicação. Se você fizer as contas, 40 anos após os anos 1980 apontarão para os nossos dias. O romance de Ignácio de Loyola Brandão “Não Verás País Nenhum” se passa em um futuro incerto, mas bem que poderia descrever o mundo que nos cerca hoje.

Vivemos tempos de incerteza, de terror, de perdas, de morte. Centenas de pessoas morrem todos os dias há meses no Brasil. O país não apresenta soluções, as lideranças se ausentam, o Ministério da Saúde nega a doença e pede para as pessoas não se protegerem da morte, que está no ar. Trump e Bolsonaro seguem populares. O absurdo dos nossos dias pauta o enredo do romance distópico de Loyola Brandão: um homem não consegue entender o fato de sua mulher desaparecer sem dar notícias; sua casa é invadida por estranhos que passam a morar ali e se apossar dos móveis; a comida desaparece; o emprego o aposenta; o livre-arbítrio passa a ser comandado pelo governo de de um Brasil que apagou a memória do povo; a cidade de São Paulo é um espaço árido e habitado por pessoas que se aglomeram em sujeira, sede e em acusações sem provas.

Ler este livro de Loyola Brandão hoje traz um amargo gosto de espelho. Um espelho que mostra a quem o encara a visão de que o país nenhum que não verás está se afirmando por inteiro na fumaça amazônica que arde no olho que o vê dentro e fora do livro.  Em quarentena, li “Não Verás País Nenhum” e, a cada página, eu me via na história. Este romance nunca foi tão atual no Brasil.

English George Orwell wrote the dystopia “1984” forty years before the year that gave the book its title, in the 1940s. In the 1980s, Ignácio de Loyola Brandão wrote a dystopia whose story takes place in São Paulo in a future that could take place forty years after its publication. If you do the math, 40 years after the 1980s will point to our day. Ignácio de Loyola Brandão’s novel “Não Verás País Nenhum” (“You Shall See No Country”) takes place in an uncertain future, but it could well describe the world around us today.

We live in times of uncertainty, of terror, of losses, of death. Hundreds of people have died every day for months in Brazil. The country has no solutions to it, the leaders are absent, the Ministry of Health denies the disease and asks people not to protect themselves from death, which is in the air. Trump and Bolsonaro remain popular. The absurdity of our days guides the plot of Loyola Brandão’s dystopian novel: a man cannot understand the fact that his wife disappears without any previous warning; his house is invaded by strangers who start to live there and get hold of the furniture; the food disappears; employment retires you; free will starts to be commanded by the government of a Brazil that erased the memory of its people; the city of São Paulo is an arid space inhabited by people who crowd in dirt, thirst and in accusations without proof.

Reading this book by Loyola Brandão today brings a bitter taste of mirror. A mirror that shows the viewer that the country that you shall not see is asserting itself entirely in the Amazonian smoke that burns down in the eye that sees it inside and outside the book. In self-isolation, I read “Não Verás País Nenhum” (“You Shall See No Country”) and, on each page, I saw myself in the plot. This novel has never been as real in Brazil as it is today.

Inspire-se e Pire-se com Livros/ Get yourself inspired and go wild with books*

Distopia: aprenda mais sobre a sociedade e política através desses livros

Estou isolado desde março de 2020. Sem sair à rua, sem andar na calçada, sem sentir o cheiro da fumaça dos ônibus, sem entrar no banco, sem esperar na fila do pãozinho na padaria, sem apertar a mão de alguém. Estou mascarado. Sinto o hálito no meu rosto. Sinto minha unha crescer, meu cabelo embranquecer para baixo, minha saliva mergulhar pela garganta. Meu nariz respira o isolamento que já conta praticamente um outono e um inverno inteiros. O isolamento é frio.

O sol nasce no meu quarto, a noite nasce na minha sala, a notícia nasce na TV todos os dias em mil e uma mortes. Estou isolado dentro de um distanciamento. Sem pessoas para trocar um aperto de mão, eu me isolo no abraço que os livros me oferecem. A pandemia espalha vírus impressos em páginas as quais eu tenho permissão de olhar sem usar máscaras. Na pandemia do coronavírus, isolado em casa, me martelo na madeira da estante que sustenta um universo em verso e prosa.

Encarcerado no meu quarto, me permito ser algemado por livros que tonificam o limite de meus movimentos. Sou observado pelo olho do Grande Irmão de “1984” e volto assustado para a poltrona. Tento olhar pela janela, mas não consigo enxergar nada além de uma branca capa de papel de “O Ensaio sobre a Cegueira”. Viro as páginas do romance do Saramago e percebo que já estou em outro livro, agora no Brasil, ainda cego dentro de “Não Verás País Nenhum”. De Loyola ao Canadá, eu entendo que o isolamento é mundial, em todos os cantos, todos os contos e desencontros do “Conto da Aia”. Vou à cozinha e espremo um suco artificial de uma amarga “Laranja Mecânica”. No primeiro gole, me transformo em uma barata.

“A Metamorfose” me provoca pesadelos em uma noite de sonhos intranquilos nos quais “Eu, Robô”, só penso em roubar um “Admirável Mundo Novo” no qual “Androides sonham com Ovelhas Elétricas” e “A Estrada” é a rouca voz de um “Homem na Escuridão”. Já no banheiro, me olho no espelho e berro para ninguém ouvir: “Não me abandone jamais”. E, sem achar graça nenhuma, choro no subsolo na “Divina Comédia”. O isolamento destrói o tempo em uma fria “Máquina do Tempo”.

Estou isolado desde março de 2020. Espirro a tinta dos parágrafos. Expiro as capas dos capítulos. E inspiro histórias que me fazem escapar de um isolamento físico, que me inspira a entrar desmascarado em distopias fictícias que apertam a minha mão. Isolado em casa, eu respiro, expiro, inspiro. E, na solidão de um livro ao alcance de meus dedos higienizados de contato humano, eu piro.

English – I have been self-isolated since March 2020. Without going out on the streets, without walking on the sidewalk, without smelling the smoke from the buses, without going into the bank, without waiting in line for bread at the bakery, without shaking someone’s hand. I’m masked. I feel my own breath on my face. I feel my nail grow, my hair whiten down, my saliva plunge down my throat. My nose breathes in the isolation that has practically covered a whole autumn and a winter. Being self-isolated feels cold.

The sun rises in my room, the night rises in my living room, the news rises on TV every day in a thousand and one deaths. I am self-isolated within a distance. Without people around me to shake hands, I isolate myself in the embrace that books offer me. The pandemic spreads viruses printed out on pages that I am allowed to look at without wearing masks. In the coronavirus pandemic, self-isolated at home, I hammer myself on the wood of the bookshelf that holds a universe in verse and prose.

Imprisoned in my room, I allow myself to be handcuffed by books that tone the limit of my movements. I am watched by the eye of Big Brother from “1984” and I return to the armchair in awe. I try to look out the window, but I can’t see anything but a white paper cover of “Blindness”. I turn the pages of Saramago’s novel and realize that I am already inside another novel, now in Brazil, still blind within “No Country To Be Seen”. From Loyola to Canada, I understand that self-isolation is worldwide, in all corners, all the tales of the “The Handmaid´s Tale”. I go to the kitchen and squeeze an artificial juice from a bitter “Clockwork Orange”. In the first sip, I become a cockroach.

“Metamorphosis” causes me nightmares in a night of uneasy dreams in which “I, Robot”, only think of robbing a “Brave New World” in which I ask myself: “Do Androids Dream of Electric Sheep?”. And the answer blows into “The Road” in a hoarse voice of a “Man in the Dark”. In the bathroom, I look at myself in the mirror and shout so no one can hear: “Never Let Me Go”. And, lost within my tears, I cry alone under the ninth circle of the  “Divine Comedy”. My self-isolation destroys time in a cold “Time Machine”.

I’ve been self-isolated since March 2020. I sneeze out ink into paragraphs. I exhale the covers on top of chapters. And I inhale stories that make me escape physical isolation; stories that inspire me to unmask myself into fictional dystopias that shake my hand. Self-isolated at home, I breathe in, breathe out and in again. And, in the solitude of a book within reach of my sanitized fingers, isolated from any human contact, I go wild, like Oscar Wilde.

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