O filme argentino “O Segredo dos Seus Olhos” é um silêncio que merece ser ouvido/Argentine movie “The Secret in their Eyes” is a silence worth being heard

O segredo dos seus olhos: a Justiça e os justiceiros - Carta Maior

O filme argentino “O Segredo dos Seus Olhos” venceu o Oscar em 2009. Trata-se de um belo filme: uma história de amor, uma história de temor. Um amor não declarado, em uma Argentina nos anos 1970, vivendo um momento de ditadura, de silêncios, sem poder expressar-se por palavras. Os principais diálogos neste filme não acontecem, pois eles não são falados, são olhados. O olhar em fotos, em close-ups, em televisões: a câmera é um grande olho que capta ameaças, seduções, amores. Tudo em silêncio. Tudo em segredo. Em olhos que nos olham. Em olhos que olhamos. Ricardo Darín e Soledad Villamil estão encantadores. Se você olhar bem, verá que “Temo” e “Te Amo” quase fazem equivaler o medo e o amor. “O Segredo dos Seus Olhos” é um olhar que merece ser encarado. Recomendo muito este segredo argentino.

English – The Argentine film “The Secret in their Eyes” won the Oscar in 2009. It is a beautiful movie: a love story, a story of fear. An undeclared love, in an Argentina in the 1970s, living a moment of dictatorship, of silence, when words were silenced. The main dialogs in this film do not happen, as they are not spoken, they are looked at. The look in photos, in close-ups, on televisions: the camera is a big eye that captures threats, seduction, love. Everything in silence. Everything in secret. In eyes that look at us. In eyes that we look at. Ricardo Darín and Soledad Villamil are charming. “The Secret in their Eyes” is a look that deserves to be stared at. I highly recommend this Argentine secret.

Um livro que chora a morte de crianças às vésperas do Natal/A book that cries the death of children at Christmas time

Causa revolta e dor', diz Raimundo Carrero sobre injustiças sociais, tema  de novo livro | Viver: Diario de Pernambuco

A infância é o futuro de uma nação. A infância, no Brasil, está em crise. O futuro, ameaçado. Esta é a mensagem do mais recente livro do premiado autor pernambucano Raimundo Carrero. Termino agora de ler “Estão Matando Os Meninos” e carregarei comigo um nó no estômago pelas longas horas e dias que cabem neste domingo de dezembro.

O livro é curto, mas em suas breves 126 páginas cabem histórias de crianças que vivem na periferia de Pernambuco, que é a periferia do Brasil, que é a periferia do mundo. Meninos e meninas que, antes de serem mortos, deixam um começo de vida, com sonhos, com pais e irmãos, com amigos e na escola. São vítimas de tiros e de crimes cotidianos, cometidos por policiais, traficantes e milicianos: agentes que manipulam armas com dedos que puxam o mesmo gatilho.

Se Natal é nascimento, a infância na enorme periferia brasileira é uma Páscoa que crucifica vidas que mal aprenderam a andar, a falar, a ler. “Estão Matando os Meninos” é uma leitura que precisa ser levada para além do silencioso parágrafo da iminente “Noite Feliz”.

English – Childhood is the future of a nation. Childhood in Brazil is in crisis. The future is threatened. This is the message of the latest book by the award-winning author from Pernambuco Raimundo Carrero. I have just finished reading “Estão Matando Os Meninos” (“They are killing boys”) and I will carry a knot in my stomach for the long hours and days of this Sunday in December. 

The book is short, but on its brief 126 pages there are stories of children living on the outskirts of Pernambuco, which is on the outskirts of Brazil, which is on the outskirts of the world. Boys and girls who, before being killed, leave behind the beginning of their lives, with dreams, with parents and siblings, with friends and at school. They are victims of gunshots and everyday crimes, committed by the police, drug dealers and militiamen: agents who manipulate guns with fingers that pull the same trigger.

If Christmas is birth, childhood, on the vast Brazilian outskirts, is an Easter that crucifies lives that barely learned to walk, to speak and to read. “Estão Matando Os Meninos” is a book that needs to be taken beyond the silent paragraph of the impending “Silent Night”.

Eu estou de Chico. De Buarque. De Música e de seu último livro: “Essa Gente”/I am menstruating Chico Buarque´s latest novel

Eu estou sempre de Chico. E de Buarque. E de Holanda. Na música e na literatura. Acabo de ler o mais recente livro de Chico Buarque, Essa Gente”, escrito em forma de diário, de cartas, quase como se fosse um blog narrativo. É um enredo bem-humorado, sensual e dramático. Mas, comparado a outros romances de Chico, “Essa Gente” me pareceu menor, menos trabalhado, escrito talvez com preguiça, sem tanta ambição estética e com um final previsível.

“Essa Gente” é um retrato do Brasil atual: um país cafona, violento, pobre. Um país pautado por evangélicos, com um governo que persegue cidadãos de esquerda, cujos filhos sofrem bullying na escola. “Essa Gente” é a nossa gente, somos nós, que vivemos em um cotidiano cafona, violento e em contagem regressiva. O revólver, agora com imposto-zero no Brasil, pode nos levar a um final pouco nobre, de uma gente… indigente. Se “Essa Gente” fosse uma canção, talvez seu primeiro verso pudesse ser “Todo dia ela faz tudo sempre igual”.

English – I like Chico Buarque. His songs and his novels. I have just read Chico Buarque’s latest novel, “Essa Gente” (“These People”), written in the form of a diary, of letters, almost as if it were a narrative blog. It is a humorous, sensual and dramatic plot. But, compared to other Chico’s novels, “Essa Gente” seemed like a minor work, written perhaps with laziness, without so much aesthetic ambition and with a predictable ending.

“Essa Gente” is a portrait of Brazil today: a tacky, violent, poor country. A country guided by evangelists, with a government that persecutes left-wing citizens, whose children are bullied at school. “Essa Gente” is our people, it is us, who live in a tacky, violent environment where we keep counting down every minute of our lives. A gun, now a tax free tool in Brazil, can lead us to an un-noble and indigent end. If “Essa Gente” was a song, maybe its first line would be Chico Buarque´s opening line in his song “Cotidiano”.

“O Gambito da Rainha” e “Anne with an E” são duas meninas igualmente diferentes/”The Queen’s Gambit” and “Anne with an E” are equally different girls

Anne With an E': terceira e última temporada chega à Netflix
Netflix's 'The Queen's Gambit' is a Cold War drama with a hopeful takeaway

O gambito é uma abertura de jogo de xadrez, na qual o jogador começa a partida oferecendo ao oponente um peão (peça de menor importância) para abrir espaço para se mover no tabuleiro e conquistar as peças importantes do adversário. É uma ação destinada a enganar para derrubar o outro. Assisti à série “O Gambito da Rainha” na Netflix esperando ver a protagonista derrubar quem atravessasse na sua frente. No entanto, a série não é sobre jogos de xadrez, é muito mais interessante: é sobre a vida de uma menina órfã, Beth Harmon, que tenta construir sua vida após a perda da mãe (o pai nunca assumiu a filha). Ela vai para um orfanato, aprende a jogar xadrez, e o jogo a transforma na melhor enxadrista do país, depois em uma das melhores do mundo. Mas, para ela, as pessoas com quem se relaciona podem ser adversários mais complicados que os que se sentam à mesa com ela do outro lado do tabuleiro.

Assisti a “O Gambito da Rainha” ao mesmo tempo em que assisto a “Anne with an E”. É inevitável a comparação. Anne é também uma órfã, que cresce em um orfanato e depois é adotada. Mas as semelhanças terminam aÍ: Beth é quieta e monossilábica, Anne não consegue controlar as palavras que despeja aos milhares por segundo; Anne busca o outro, Beth pouco enxerga o outro; Anne é toda emoção, Beth é só razão; Anne é com “e”, Beth é com “x”; Anne é dama, Beth é xadrez; Anne é peças brancas, Beth é peças pretas; Anne começa o jogo, Beth termina. Anne e Beth são duas garotas separadas por um século inteiro de quadrados brancos e pretos. Cada uma, a seu tempo, merece ser assistida no mesmo tabuleiro da Netflix.

English – The gambit is a chess game opening, in which the player starts the game by offering the opponent a pawn (piece of lesser importance) to make room to move around the board and conquer the opponent’s important pieces. It is an action designed to deceive the other. I watched the series “The Queen’s Gambit” on Netflix hoping to see the protagonist take down whoever steps in her way. However, the series is not about chess games, it is much more interesting: it is about the life of an orphan girl, Beth Harmon, who tries to build her life after the loss of her mother (the father never took over the daughter). She goes to an orphanage, learns how to play chess, and the game turns her into the best chess player in the country, then one of the best in the world. But, for her, the people she gets along with can be more complicated opponents than those who sit at the table with her on the other side of the board.

I watched “The Queen’s Gambit” while watching “Anne with an E”. A comparison is inevitable. Anne is also an orphan, who grows up in an orphanage and is then adopted. But their similarities end there: Beth is quiet and monosyllabic, Anne cannot control the words she spills out by the thousands per second; Anne seeks the other, Beth sees little of the other; Anne is all emotion, Beth is only reason; Anne is with an “e”, Beth is with an “x”; Anne is checkers, Beth is chess; Anne is white pieces, Beth is black pieces; Anne starts the game, Beth ends it. Anne and Beth are two girls separated by a century of white and black squares. Each, in its time, deserves to be watched on the same Netflix board.

A poesia de Manoel de Barros me apagou: virei só cabeça e asas/Manoel de Barros´ poetry has erased me: I am now just my head and my wings

Tenho lembranças fortes e bonitas de toda uma vida”, diz filha de Manoel de  Barros sobre o pai.

Estou dando passos gasosos e líquidos após ler poemas do mato-grossense Manoel de Barros. Após um mergulho em seu livro “O Guardador de Águas”, o leitor perde a conexão com o concreto, com a pedra, com o chão. A gente vira só cabeça e asa, os olhos só sabem olhar para baixo, pois Manoel de Barros é um poema sem densidade, sem gravidade. Ele escreve em uma oitava acima do supersônico.

Eu leio os poemas de Manoel de Barros e me sinto dopado, anestesiado. Tudo fica mais leve, eu me desloco e fico quase louco. Não se passa incólume por versos como estes:

“Quando chove nos braços da formiga, o horizonte diminui”.

“A quinze metros do arco-íris, o sol é cheiroso”.

Ou ainda: “Escrever acende os vaga-lumes”.

Depois de ler “O Guardador de Águas”, eu preciso reaprender a andar. E o remédio para os versos de Manoel de Barros é a poesia do João Cabral de Melo Neto. Vou passar a me educar pela pedra. Adoro poesia. E recomendo a você, que lê o meu blog, a leve lírica do Pantanal deste poeta encantado.

English – I keep taking gaseous and liquid steps after reading Manoel de Barros’ poems. After delving into his book “O Guardador de Águas” (“The Water Keeper”), the reader loses their connection with the concrete, with the stone, with the ground. We lose our body, which is reduced to our heads and our wings; our eyes can only look down, because Manoel de Barros is a poem without density, without gravity. He writes in an octave above the supersonic.

I read Manoel de Barros’ poems and I feel stoned, anesthetized. Everything gets lighter, I move around and I’m almost high. One does not feel indifference reading lines like these:

“When it rains in the ant’s arms, the horizon narrows.”

“Fifteen meters from the rainbow, the sun is fragrant”.

“Writing turns on fireflies”.

After reading “O Guardador de Águas” (“The Water Keeper”), I need to relearn how to walk. And the medicine for Manoel de Barros’ lines is the poetry by João Cabral de Melo Neto. I will start to educate myself by the stone. I love poetry. And I recommend to you, who reads my blog, the light lyric poems from the Pantanal area by this enchanted poet.

Cerimônia de Premiação: Um Conto meu entre os premiados/Award Ceremony my Short Story was awarded

Prêmio de Literatura vai pagar R$ 212 mil a escritores em Minas - HOME

Hoje, às 19h00, receberei o prêmio no Concurso Literário Abrace um Autor. Meu conto “Dedicatória” ficou em segundo lugar. A cerimônia poderá ser acompanhada em live na conta do Instagram do Projeto Abrace um Autor. Abraço! https://www.instagram.com/p/CHxz7InjvW6/?igshid=1qnc2gr26h7wc

English – Tonight, at 7:00PM, the “Abrace um Autor” Award will host their Ceremony to the contest winners. My short story “Dedicatória” will receive the award for second best. You will be able to watch the ceremony live on Instagram on the Abraceumautor account:   https://www.instagram.com/p/CHxz7InjvW6/?igshid=1qnc2gr26h7wc

A Morte de Maradona/Maradona´s Death

Maradona relata bronca após gol de mão: "Cala a boca e continua  comemorando" | futebol argentino | ge

Chorei este poema após a morte do Maradona./I cried this poem after Maradona´s death

Ao Mar, a Dona

O mar é um horizonte de belos e bons ares

O mar é lento, é lenda

O mar é muito, é mito

O mar é um tempo de ampulhetas

O mar é uma onda

que sobe alto e toca o dedo do céu

mas depois desce forte 

e, de peixinho,

mergulha de cabeça no calor subterrâneo

O mar é um amargo gole em uma caneca Canniggia

O mar é um cano de enganos

O mar é uma bola

O mar é redondo, mas

O mar tem ângulos

O mar é um gol, uma trave, um entrave

O mar tem sal

O mar espuma

Um branco pó

Um dó

Uma dor

Amadora

Profissional

O mar, em horas,

No agora do gol

Agoniza um trago

Um tango

Um drible improvável

Na pátria

Na máfia

O mar é água

O mar é líquido

Escorre pelas mãos

Corre com as mãos

O mar é não

O mar é tão

O mar é são

O mar, então,

è uma guerra que mal vi nas

poucas vidas duramente ditadas

O mar é um século

O mar são vinte séculos

O mar é um século que acabou ontem

Após 90 minutos

Em um tiro artilheiro

O mar é um chute canhoto

O mar é um raio escanteio

O mar é um impedimento

Uma bandeira vermelha erguida com o punho fechado

O mar é fêmea

O mar é a mar

A mar é um sentimento que tem dono

Ao Mar, a Dona

Anderson Borges Costa

A série “o Alienista” me mostrou que eu sou uma barata nojenta/”The Alienist” shows me that I am a disgusting cockroach

The Alienist: Angel of Darkness (TV Series 2018–2020) - IMDb

Imagine só se o pedido que Kafka fez a seu amigo no leito da morte fosse atendido? Ele pediu, pouco antes de morrer, que todos os seus livros fossem queimados e não publicados. Se isso tivesse acontecido, não conheceríamos o seu personagem principal, Gregor Samsa, que, após uma noite de sonhos intranquilos, acorda metamorfoseado em uma barata. Será? Acho que, mesmo que Gregor tivesse sido incinerado, ele não desapareceria: estaria escondido no inconsciente dos leitores que se incomodam com a existência humana.

Foi pensando no inconsciente que, por coincidência (ato falho do meu inconsciente?), li “Esaú e Jacó”, de Machado de Assis enquanto assistia à série “O Alienista”, na Netflix. Apesar de terem o mesmo título, a série de TV não é inspirada no famoso conto de Machado. Mas ambas abordam um alienista (médico especialista em doenças mentais) e os subterrâneos do inconsciente. O ator alemão-espanhol Daniel Brühl, que dá um show falando em francês em “Bastardos Inglórios”, faz o papel do médico com um convincente e fluente sotaque americano.

As duas temporadas de “O Alienista” exploram humanos-baratas, que assassinam com violência adolescentes (primeira temporada) e bebês (segunda temporada). Daniel Brühl, muito bom na primeira temporada, perde o protagonismo para Dakota Fanning na segunda. Mas, em tempos de pandemia em que precisamos andar com máscaras para mantermos a vida, “O Alienista” esta aí para nos mostrar que, por trás de uma barata nojenta, se disfarça um humano do bem, como você e eu. 

EnglishJust imagine if Kafka’s last request to his friend was granted? He asked, just before he died, that all his books be burned down and not published. If this had happened, we would not have known his main character, Gregor Samsa, who, after a night of uneasy dreams, wakes up metamorphosed into a cockroach. Maybe. I think that, even if Gregor had been incinerated, he would not disappear: he would be hiding in the unconscious of readers who are bothered by human existence.

I was thinking about the unconscious when, coincidentally (a Freudian slip?), I read the novel “Esau and Jacob”, by Machado de Assis, while I watched the series “The Alienist”, on Netflix. Despite having the same title, the TV series is not inspired by Machado’s famous short story. But both approach an alienist (a doctor specializing in mental illness) and the subterranean of the unconscious. German-Spanish actor Daniel Brühl, who has a great performance speaking in French in “Inglorious Basterds”, plays the doctor with a convincing and fluent American accent.

The two seasons of “The Alienist” exploit human-cockroaches, who violently murder teenagers (first season) and babies (second season). Daniel Brühl, very good in the first season, loses the lead to Dakota Fanning in the second one. However, in times of pandemic when we need to wear masks to remain alive, “The Alienist” shows us that, behind a disgusting cockroach, lies a good human being, like you and me.

Leio Machado de Assis com o mesmo prazer com que como uma pizza de muçarela/I read Machado de Assis as if I was eating a mozzarella pizza

Machado de Assis | A influência de Machado de Assis nos estudos...

 A melhor pizza de todas é a mais simples de fazer: a pizza de muçarela. É a massa coberta com queijo e molhada com azeite. O sabor é imbatível. Eu leio Machado de Assis com o mesmo prazer que sinto quando como uma fatia de pizza de muçarela. Talvez seja ele o maior escritor brasileiro, talvez seja o maior escritor em língua portuguesa de todos os tempos, talvez a muçarela seja a mais deliciosa das pizzas no mundo. Eu adoro reler o Machado de Assis. Desta vez, no entanto, depois de vários anos, li um Machado até então inédito para mim. E compartilho com vocês o sabor dessa leitura.

Na verdade, não foi um, foram dois. É um livro dividido em dois. Mas podem ser lidos separadamente. Um é, talvez, o “spin-off” do outro. Li o romance “Esaú e Jacó” em uma edição que o compartilha com o “Memorial de Aires” no mesmo livro. É como se fosse uma pizza metade muçarela, metade marguerita.

Em Machado, as palavras repousam em páginas da alma. Os personagens são psicologicamente ricos, intrigantes, familiares e incômodos. Esaú e Jacó são irmãos gêmeos, de grande semelhança física, mas com opiniões opostas em tudo. Um é republicano; o outro, monarquista. Um estuda medicina; o outro, direito. Um dos baratos desse livro é que ele se passa nos anos 1888 e 1889, e podemos ver nele uma crônica do Rio no ano da abolição dos escravizados e no ano da Proclamação da República. Como todo Machado, é recheado de ironia e humor por todos os lados. 

O Conselheiro Aires é um personagem importante em “Esaú e Jacó”. Na narrativa do romance, ele aparece em vários momentos escrevendo seu memorial, seu diário. “Memorial de Aires” é o diário do Conselheiro, mas é totalmente independente da história dos gêmeos, que nem aparecem em suas memórias. Aliás, Esaú e Jacó concordam em apenas um ponto: ambos se apaixonam pela mesma moça, Flora, que não consegue se decidir com qual dos dois ela quer se casar. Aires é chamado a aconselhá-los.

Ler Machado de Assis é sempre um saboroso programa. Mas, se me perguntar qual dos dois, entre “Esaú e Jacó” e “Memorial de Aires” , eu gostei mais de ler, não terei dúvidas na resposta: a pizza de muçarela.

EnglishThe best pizza of all is the simplest to make: the mozzarella pizza. It is the dough covered with cheese and a drop of olive oil. The taste is unbeatable. I read Machado de Assis with the same pleasure that I feel when I eat a slice of mozzarella pizza. Perhaps he is the greatest Brazilian writer, perhaps he is the greatest Portuguese-language writer of all time, and perhaps mozzarella pizza is the most delicious of all in the world. I love re-reading Machado de Assis. This time, however, after several years, I read a novel by Machado which I had never read before. And I will share with you here the taste of that reading.

In fact, it wasn’t one, it was two novels in the same book, which can be read separately. One is, perhaps, the “spin-off” of the other. I read the novel “Esau and Jacob” in a coedition with “Counselor Ayres´ Memorial” in the same book. It’s like a half-mozzarella, half-margherita pizza.

In Machado, words rest on pages of the soul. The characters are psychologically rich, intriguing, familiar and uncomfortable. Esau and Jacob are twin brothers, of great physical similarity, but with opposing opinions in everything. One is a Republican; the other, a Monarchist. One studies medicine; the other, law. One of the highlights of this novel is that it takes place in the years 1888 and 1889, and we can see in it a chronicle of Rio de Janeiro in the year of the abolition of the enslaved and in the year of the Proclamation of the Republic. Like all Machado´s stories, “Esau and Jacob“ is filled with irony and humor on all pages.

Counselor Ayres is an important character in “Esau and Jacob”. In the novel’s narrative, he appears at various times writing his memorial. “Counselor Ayres´ Memorial” is the Counselor’s diary, but it is totally independent of the twins’ story, and the brothers do not even appear in Ayres´ memories. In fact, Esau and Jacó agree on only one point: they both fall in love with the same girl, Flora, who cannot decide which of the two she wants to marry. Aires is called in to advise them.

Reading Machado de Assis is always a tasty program. But, if you ask me which of the two, between “Esau and Jacó” and “Counselor Ayres´ Memorial”, I liked reading better, I will have no doubts in the answer: the mozzarella pizza.

Fui Premiado no Concurso Literário “Abrace um Autor”/I was awarded a Literature Prize

Resultado final do Concurso Literário Abrace um Autor 2019

 Acabo de ser informado que fui um dos vencedores do Prêmio Literário “Abrace um Autor”, organizado pelo Instituto Federal São Paulo, na categoria conto. Com mais de 1000 inscritos, de dez países, meu conto “Dedicatória” ficou em segundo lugar. Dedico este prêmio a todos vocês, que seguem o meu trabalho por aqui. Grande abraço!

English – I have just been informed that I was one of the winners of the Literary Award “Embrace an Author”, organized by the Federal Institute of São Paulo, in the short story category. With more than 1,000 writers, from ten different countries, my short story “Dedicatória” was the second best. I dedicate this award to all of you, who follow my work here.

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