Quantos segredos se escondem sob a Montanha Brokeback/How many secrets are hidden beneath Brokeback Mountain?

Um segredo é algo que não deve ser revelado, é algo que deve permanecer velado, no escuro, sem a luz da vela. Um segredo é um sigilo, paralisado no gelo do silêncio, soterrado sob uma montanha de medos. O filme “O Segredo de Brokeback Mountain” é uma singela história de amor entre dois cowboys que se amam em segredo nas geladas montanhas do silêncio americano.

Com premiadas interpretações de Heath Ledger e Jake Gyllenhaal, vi neste filme uma forma discreta de amor homoerótico, um amor entre homens machos, sem cair em estereótipos efeminados. Talvez o secreto amor entre homens que não fazem questão de perder a virilidade seja o segredo que montanhas de preconceito não são capazes de enterrar. Vi este filme no cinema em 2005. E, ao revê-lo em 2021 na Netflix, vejo que o gelo das montanhas que tentam calar a beleza deste amor ainda não derreteu. Um belo filme.

English – A secret is something that must not be revealed, it is something that must remain veiled, in the dark, without candlelight. A secret is a secrecy, paralyzed in the ice of silence, buried under a mountain of fears. The movie “Brokeback Mountain” is a simple love story between two cowboys who love each other secretly in the icy mountains of American silence.

With award-winning performances by Heath Ledger and Jake Gyllenhaal, I saw in this film a discreet form of homoerotic love, a love between macho men, without falling into effeminate stereotypes. Perhaps the secret love between men who do not care to lose their virility is the secret that mountains of prejudice cannot bury. I saw this movie in the cinema in 2005. And when I saw it again now in 2021 on Netflix, I realized that the ice in the mountains that try to silence the beauty of this love has not yet melted. This is a beautiful movie.

Meu texto publicado hoje no jornal “Folha de São Paulo” poderá virar uma série da Conspirações Filmes/My text published today in newspaper “Folha de São Paulo” may become a series by Conspirações Filme

Coloco aqui no blog, em primeira mão para você que me segue, a boa notícia de que o jornal “Folha de São Paulo” selecionou um texto que eu escrevi para o Projeto “Casos do Acaso”, que consiste de histórias reais, não fictícias, fatos que ocorreram comigo em minha vida. O bacana do projeto é que o meu relato foi cedido para a Conspiração Filmes S.A, que poderá produzir uma obra audiovisual seriada composta por episódios baseados ou inspirados em meu texto.

O meu relato para o “Casos do Acaso” foi publicado na edição de hoje (domingo) do jornal “Folha de São Paulo”, no Caderno “Ilustríssima”. Se quiser lê-lo, clique aqui: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/casos-do-acaso/2021/06/encontrei-minha-esposa-depois-de-casar-com-outra-em-uma-festa-junina.shtml

English – I post here on the blog, first hand for you who follow me, the good news that the newspaper “Folha de São Paulo” selected a text that I wrote for the “By Chance” Project, which consists of real, non-fictional stories, facts that happened to me in my life. The cool thing about the project is that the text was given to Consórcio Filmes S.A, which may produce a serial audiovisual work composed of episodes based on or inspired by my text.

My story for “By Chance” was published in today’s edition (Sunday) of the newspaper “Folha de São Paulo”, in the “Ilustríssima” session . If you want to read it, click here: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/casos-do-acaso/2021/06/encontrei-minha-esposa-depois-de-casar-com-outra-em-uma-festa-junina.shtml

Canal do Youtube analisa meu livro de contos/Youtube Channel analyzes my short story book

Entrou no ar agora no canal do Youtube “A Liter Ação”, uma resenha sobre o meu livro de contos “O Livro que não Escrevi”. O escritor e  crítico Roman Lopes faz uma análise bacana do livro. Espero que curtam. Para assistir ao vídeo, cliquem neste link: https://www.youtube.com/watch?v=DxqwNpRCruE 

English – A review of my short story book “O Livro que não Escrevi” (“The Book I Never Wrote”) is now on the air on the Youtube channel “A Liter Ação”. Writer and critic Roman Lopes makes a nice analysis of the book. I hope you enjoy it. To watch the video, click on this link: https://www.youtube.com/watch?v=DxqwNpRCruE 

Entrevista comigo em “Live” no Instagram, segunda-feira, 7 de junho, às 19h00/”Live” interview with me on Instagram, Monday, June 7th, 7:PM

Segunda-feira, às 19h00, serei entrevistado pelo jornalista Maurício Kanno (ex-Folha de São Paulo) em uma “live” no Instagram. Fica aqui meu convite para acompanhar a entrevista.
https://www.instagram.com/p/CPgbH0aHNdO/?utm_medium=share_sheet

English – On Monday, June 7th, at 7:00PM (São Paulo time), I will be interviewed by journalist Mauricio Kanno (former Folha de São Paulo) on a live talk on Instagram. I will be happy to see you there. https://www.instagram.com/p/CPgbH0aHNdO/?utm_medium=share_sheet

Os Contos do Moçambicano Mia Couto escondem um mundo que levita/Mozambican Mia Couto ́s short stories hide a world that levitates

Contos do nascer da terra

O escritor moçambicano Mia Couto é um construtor de esconderijos. O mais popular autor de seu país escreve em português, uma língua que se esconde entre tantas outras nesta sofrida terra na costa leste africana. Em português, Mia Couto escreve segredos, que ele faz questão de esconder dentro de contos. Mia Couto escreve contos em prosa. Uma prosa que se disfarça de parágrafos. Mas o que Mia Couto realmente faz é escrever poesia em parágrafos, versos em histórias, estrofes em contos que são verdadeiros poemas. Dizer que Mia Couto escreve em prosa poética é omitir que ele escreve poemas que se escondem dentro de uma prosa em trevas.

Seu livro “Contos do Nascer da Terra” mantém vivo o estilo consagrado de Mia, com enredos de personagens fantásticos, narrados com neologismos que são tecidos com palavras que deslocam o sentido original para apontá-las para um destino escuro e infinito, sugerindo metáforas que devolvem seu sentido original. Mia Couto esconde uma palavra atrás dela mesmo.

Os trinta e cinco contos deste livro são um convite para o leitor levitar em histórias de personagens que amam, que traem, que sofrem, que morrem e que pensam que viver é muito perigoso. Leitura para quem gosta de flutuar na terra. 

English Mozambican writer Mia Couto is a builder of hiding places. The most popular author in his country writes in Portuguese, a language hidden among so many others in this long-suffering land on the East African coast. In Portuguese, Mia Couto writes secrets, which he makes a point of hiding inside stories. Mia Couto writes short stories in prose. A prose that disguises itself as paragraphs. But what Mia Couto really does is write poetry in paragraphs, verses in stories, stanzas in short stories that are true poems. To say that Mia Couto writes in poetic prose is to omit that he writes poems that are hidden within a prose in darkness.

His short story book “Contos do Nascer da Terra” (“Tales from the Earthrise”) keeps Mia’s acclaimed style alive, with plots of fantastic characters, narrated with neologisms that are woven with words that displace the original meaning to point them towards a dark and infinite destiny, suggesting metaphors that recover their original meaning. Mia Couto hides a word behind itself.

The thirty-five short stories in this book are an invitation for the reader to levitate on stories of characters who love, who betray, who suffer, who die and who think that living is very dangerous. This is a book for those who like to float on Earth.

Estreia da minha coluna “Quebrada que Brada” na “Revista da Quebrada”/My New Column in Magazine “Revista da Quebrada”

Olá!  Acaba de sair a mais recente edição da “Revista da Quebrada”, uma publicação com foco na vida cultural da periferia. Nesta edição, estreio a minha coluna “Quebrada que Brada”, que pretende dar voz à literatura feita sobre a periferia. Se quiserem ler a minha coluna deste mês, na qual bato um papo com o poeta César Magalhães Borges, cliquem no link https://linktr.ee/revistadaquebrada e depois em “Revista da Quebrada 9 Edição”. Boa leitura!  

English – Hello! The latest issue of magazine ‘Revista da Quebrada” has just been released. The magazine is focused on the cultural life produced in the outskirts of Brazilian cities. This month I start my column “Quebrada que Brada”, whose goal is to approach literature written about the outskirts. If you wish to read my column in this month’s issue, just click on https://linktr.ee/revistadaquebrada and then on “Revista da Quebrada 9 Edição”. Enjoy!

“A Lua é uma Bola e se Faz Presente em São Paulo”

Os comportamentos de Corinthians, Palmeiras e São Paulo no mercado da bola  | 90min

Luan é um Trio de Ferro com fases distintas:

Luan alviverde:  na meia-lua da defesa, atrai pólos opostos e faz o movimento de translação da defesa para o meio do campo magnético. Fase minguante.

Luan tricolor: na lua grande, no centro de gravidade, sustenta marés altas e baixas no oceano de secas. Fase crescente. 

Luan alvinegro: na meia-lua de ataque, responsável pelo eclipse solar, flutua entre a lua de mel e a lua de fel. Fase nova.

A Lua é uma bola de ferro com um lado visível e um lado oculto. Sem Luan, a bola não gira a maior cidade do Brasil.

“Minari” é uma sequência de clichês que não empolgam/”Minari” is a sequence of tedious clichés

Minari - Em Busca da Felicidade - Filme 2020 - AdoroCinema

“Minari” é um filme com muitas indicações ao Oscar este ano: Melhor Filme, Diretor,  Ator, Atriz Coadjuvante, Roteiro Original e Trilha Sonora Original. “Minari” é a história de uma família de imigrantes sul-coreanos tentando ganhar a vida nos EUA, no Arkansas nos anos 1980, vivendo em casas com poucos recursos e com pais que tentam mostrar aos filhos que, embora imigrantes, são capazes de obter sucesso na terra onde há oportunidade para todos. Vi o filme e não vi nada demais; um roteiro clichê, uma história pouco original e atuações pouco empolgantes, com exceção do simpático garotinho Alan S. Kim Breaks, que rouba várias cenas, mas que não recebeu nenhuma indicação no Oscar. Se é para ver filmes indicados ao Oscar, há outros muito melhores. 

English – “Minari” is a film with many Oscar nominations this year: Best Film, Director, Actor, Supporting Actress, Original Screenplay and Original Soundtrack. “Minari” is the story of a family of South Korean immigrants trying to make a living in the USA, in Arkansas in the 1980s, living in low-income homes and with parents trying to show their children that, in spite of being immigrants, they are able to obtain success in the land where there is opportunity for everyone. I saw the movie and nothing positive in it stood out: a cliché script, an unoriginal story and uninspiring performances, with the exception of the cute little boy Alan S. Kim Breaks, who steals several scenes, but who received no Oscar nomination. If you are willing to watch Oscar nominated films, there are much better ones.

Stephen Hawking traduz o universo com as dúvidas de Hamlet/Stephen Hawking translates the universe through Hamlet ‘s questions

Livro - O universo numa casca de noz no Submarino.com

Hamlet, o príncipe dinamarquês na peça de Shakespeare, diz no Ato 2: “Eu poderia ficar encerrado numa casca de noz e me considerar rei do espaço infinito”. O físico inglês Stephen Hawking parte desta fala de Hamlet para tentar explicar para leigos, em seu livro “O Universo numa Casca de Noz”, os complexos sistemas de teorias  e leis que regem a natureza, palavra que, no grego, é … “física”. A ciência é construída com questionamentos, com dúvidas, com incertezas, características que pautam o personagem mais célebre de Shakespeare. Hamlet é um ser (ou um não ser?), cuja dúvida transforma seus leitores em candidatos a rei. Stephen Hawking, com um bom humor contagiante, trata com ironia o real tamanho do ser humano dentro do universo. Entendendo as bases da física, nos sentimos mais como o bobo da grande corte, que é o universo.

A vida que nos cerca é construída com uma lógica que vem sendo desvendada aos poucos pela inteligência humana. É como quem descasca uma banana que Stephen Hawking nos apresenta, com incrível clareza, conceitos como buracos negros, viagens no tempo, supernovas ou a teoria da relatividade. Através de comparações, ele traz a física para o dia a dia de qualquer mortal. Mas, assim como o príncipe da Dinamarca na peça de Shakespeare, ao terminar a leitura, nós saímos com mais dúvidas do que certezas. Ser ou não ser, em suma, é o universo.

English – Hamlet, the Danish prince in Shakespeare’s play, says in Act 2: “I could be bounded in a nutshell and count myself a king of infinite space”. The English physicist Stephen Hawking quotes this line by Hamlet in order to explain to laypeople, in his book “The Universe in a Nutshell”, the complex systems of theories and laws that govern nature, a word that, in Greek, is… “physics”. Science is built with questions, with doubts, with uncertainties, characteristics that guide Shakespeare’s most celebrated character. Hamlet is a being (or not a being?), whose doubt turns his readers into candidates for king. Stephen Hawking, with a contagious sense of humor, ironically treats the real size of the human being within the universe. Understanding the basics of physics, we feel more like the court jester, which is the universe.

The life that surrounds us is built with a logic that has been gradually unveiled by human intelligence. As if he was peeling a banana, Stephen Hawking introduces to us, with incredible clarity, concepts like black holes, time travel, supernovae or the theory of relativity. Through comparisons, he brings physics to the daily life of any mortal. But, like the Prince of Denmark in Shakespeare’s play, when we finish reading the book, we have more doubts than certainties. To be or not to be, in short, is the universe.

Filme “Relatos Selvagens” revela a vingança que escondemos dentro do cotidiano nosso de cada dia/Movie “Wild Tales” reveals the revenge that we hide inside our daily routine

Relatos Selvagens - Filme 2014 - AdoroCinema

Nós, humanos, vivemos no difícil equilíbrio entre a sanidade da civilização e a barbárie da insanidade. Basta apenas um empurrãozinho para que saiamos da serenidade e caiamos no total descontrole, capaz de acender um adormecido desejo de vingança.  Tal desejo pode estar dentro das mais cotidianas ações. É sobre o desejo de vingança que escondemos embaixo de nossa sombra que trata o simpático filme argentino “Relatos Selvagens”.

O cinema argentino é mais psicológico e mais sutil do que boa parte dos filmes brasileiros e italianos, por exemplo. E “Relatos Selvagens” se concentra no momento de total descontrole emocional a que estamos sujeitos no cotidiano estressante a que nos dedicamos. O filme é uma interessante sequência de seis pequenas histórias que têm a vingança como tema em comum. Vingança que leva ao descontrole emocional latente  engatilhado por um desentendimento no trânsito, pela descoberta de traição amorosa, por um acidente de carro por ou uma reprovação na escola: tudo é motivo para a busca da vingança. Com um elenco que desempenha com “tranquilidade” o desejo de vingança (mais uma vez encabeçado pelo onipresente Ricardo Darín), “Relatos Selvagens” conseguiu a proeza de ficar mais de um ano em cartaz nos cinemas em São Paulo. Mas a vingança que ele guarda em cada espectador tem a duração de uma vida inteira.

English – We humans live in the difficult balance between the sanity of civilization and the barbarism of insanity. It only takes a little push to get out of serenity and fall into total uncontrollability, capable of igniting a dormant desire for revenge. Such a desire may be part of most of our everyday actions. The Argentine movie “Wild Tales” deals with the desire for revenge that we hide under our shadow.

Argentine cinema is more psychological and more subtle than most Brazilian and Italian films, for example. And “Wild Tales” focuses on the moment of total emotional lack of control to which we are subjected in the stressful daily life to which we dedicate ourselves. The film is an interesting sequence of six short stories that have revenge as a common theme. Revenge that leads to latent emotional uncontrol triggered by a misunderstanding in traffic, by the discovery of amorous betrayal, by a car accident or a failure at school: everything is a reason to seek revenge. With a cast that plays the desire for revenge with “tranquility” (once again headed by the ubiquitous Ricardo Darín), “Wild Tales” achieved the feat of showing more than a year in theaters in São Paulo. But the revenge that lives inside each spectator lasts for a lifetime.

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