Cazuza, meus inimigos estão no poder/Cazuza, my enemies are in command

Exagerado: a carreira marcante de Cazuza | Em tempo

Tenho visto muitos vídeos no YouTube. Adoro mergulhar em pessoas e assuntos que me intrigam, que me inspiram, ver entrevistas, shows, conversas. Gente que já se foi há tempos segue muito viva em mim. Um destes que insistem em não morrer para mim é o Cazuza.

Dentro da minha orelha fria, Cazuza segue cochichando segredos encaracolados em ideologias que precisam dizer que me amam. Faz parte do show dele, um show de mentiras sinceras. Tudo isso me interessa, principalmente em tempos de ideologias, eu quero uma. Em tempos de ideologia de gênero, o gênero musical que eu mais tenho ouvido são os versos eróticos que Cazuza compôs olhando a cara da morte.

A morte espirra no Brasil um vírus exagerado, inventado, invadido. O nosso amor, a gente inventa. Meus inimigos estão no poder. A falsidade é popular, pra que usar de tanta educação pra destilar terceiras intenções? Eu ouço Cazuza hoje e escuto o presente como um museu de grandes novidades. Vida louca, vida imensa, O Brasil é um crime que não pensa, não compensa.  Mas que cabe no Bolso.

Eu protegi o teu nome por amor. Amor aos brasileiros que sentem fome e não pensam. Vida intensa. Nós na batida, no embalo da rede, fantasiando segredos. O teu futuro é duvidoso. Brasil, mostra a tua cara, vai. Pro dia nascer feliz.

O Brasil chora. O Brasil arde uma dor. Cazuza morreu há 30 anos. Mas seus versos ainda dançam no infinito dos cliques do You Tube, em um tubo de sonhos. Quem tem um sonho não dança. Cazuza, continue criando versos, nadando contra a corrente. Essa é a vida que eu quis. O tempo anda feio. Por isso, busco no YouTube um às vezes te odeio por quase um segundo, depois te amo mais. O Brasil hoje arde uma dor em que nem as mães são felizes. O Brasil desperdiça o seu mel em tempos em que nem mesmo beija a flor. Eu quero outros tempos. O tempo não para. O Brasil chora uma festa brega de brigas. O Brasil, hoje, é uma dor, um Arpoador. Não me convidaram pra esta festa pobre, mas ela faz parte do nosso triste show. Quero que este show acabe logo, antes da Sessão Coruja, pois estamos por um triz.

Meu Brasil é um Brasil partido. Cazuza, cem gramas, sem dramas, por que a gente é assim?

English I have seen lots of videos on YouTube. I love to dive into people and topics that intrigue me, that inspire me. I love to watch interviews, concerts, talks. People who are long gone are still very much alive in me. One of those who insist on not dying for me is Cazuza.

Inside my cold ear, Cazuza continues to whisper curly secrets in ideologies that need to say that they love me. It is part of his show, a show of sincere lies. All of this interests me, especially in times of ideologies, I want one. In times of gender ideology, the musical genre that I have heard the most are the erotic verses that Cazuza composed looking death in the eyes.

Death in Brazil sneezes an exaggerated, invented, invaded virus. We invent our love. My enemies are in command. Falsehood is popular, why use so much politeness to distill third intentions? I listen to Cazuza today and listen to the present as a museum of great novelties. Crazy life, immense life, Brazil is a crime that does not think, does not pay. But it fits in the pocket of Bolso.

I protected your name out of love. Love for Brazilians who feel hungry and don’t think. Intense life. Us on the beat, us on the net, fantasizing secrets. Your future is doubtful. Brazil, show us your face, please. So another morning can shine in happiness. 

Brazil cries. Brazil burns with pain. Cazuza died 30 years ago. But his verses still dance in the infinite clicks of YouTube, in a tube of dreams. Whoever has a dream does not dance. Cazuza, keep creating verses, swimming against the current. This is the life I wanted. Our times are ugly. So, I search on YouTube the hate I feel for you for almost one second, then I love you more. Brazil today burns a pain in which even mothers are not happy. Brazil wastes its honey in times when it does not even kiss the flower. I want other times. Time does not stop. Brazil mourns a fierce party of fights. Brazil today is a pain in Arpoador. I was not invited to this poor party, but it is part of our sad show. I want this show to end soon, before the Night Owl, because we are on the verge of dying.

My Brazil is a parted Brazil. Cazuza, one hundred grams, without programs, why are we like this?

8 comentários em “Cazuza, meus inimigos estão no poder/Cazuza, my enemies are in command

  1. maravilhoso!!

    Em ter, 29 de set de 2020 09:33, Anderson Borges Costa site oficial escreveu:

    > andersonborgescosta posted: ” Tenho visto muitos vídeos no YouTube. Adoro > mergulhar em pessoas e assuntos que me intrigam, que me inspiram, ver > entrevistas, shows, conversas. Gente que já se foi há tempos segue muito > viva em mim. Um destes que insistem em não morrer para mim é o ” >

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  2. Adorei o texto que me remeteu ao passado, a minha época que eu dançava embalada de ideologias, mas otimista com o futuro do único pais que conhecia ate então. Também lembrei- me da peca bibliográfica do Cazuza que assisti pouco antes da Pandemia. Um povo tão guerreiro, tão capaz, um pais tão rico tão lindo, e no entanto arrastando problemas tão possíveis de se resolver.Dai vem essa pandemia, e essa doença que de fato e um grande problema, e a gente tão despreparado, tão debilitado e sofrido, sofrendo mais um baque.E tanta luta que a gente cansa.Mas mesmo cansado voce escreve e inspira. Parabens. Pela forca, Pela coragem. Por não desistir da luta.

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